segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Balanço do ano, 5

Em Setembro dominava já a técnica da focagem manual - o que não é lá muito difícil, pois toda a gente o fazia antes da invenção da focagem automática... -, mas a OM 28mm não me dava algo que eu procurava desesperadamente - uma profundidade de campo reduzida. Com uma abertura máxima de f3.5 e uma distância focal equivalente de 56mm, era impossível esperar aqueles fundos totalmente esbatidos que me esforçava por obter. Foi então que resolvi aceitar a proposta de comprar a OM 50mm/f1.4.
Foi uma decisão bastante acertada. Fotografar com aberturas tão amplas é um verdadeiro prazer. Claro que, com 100mm de distância focal equivalente, esta não é uma lente para todas as ocasiões: na verdade, quando montada na E-P1 comporta-se como uma pequena teleobjectiva. E a profundidade de campo só se torna verdadeiramente reduzida quando aproximo a lente até muito perto do objecto a fotografar. Mas é uma lente com a qual dou por mim a inventar motivos para a usar - tal o gozo que fotografar wide open proporciona. Nunca apreciei fotografias de flores, mas depois de ter a OM 50mm e descobrir o que se pode fazer com aberturas tão amplas, a fotografia de flores passou a ocupar uma parte substancial do tempo que dedico à fotografia.
 O facto de ter tanta satisfação em fotografar com a OM 50mm não implicou que me esquecesse das outras lentes, em especial da 28mm. E o facto de fotografar muitas flores não significou que deixasse de procurar outros temas. A OM 28mm tem a vantagem de fotografar os objectos sensivelmente na mesma proporção do olhar, o que a torna ideal quando quero fotografias mais documentais, i. e. mais reais e condizentes com aquilo que vejo. E eu vivo numa cidade com muito que ver. A Rua Miguel Bombarda, por exemplo: à custa da instalação das galerias de arte, aquela área tornou-se num nicho frequentado por pessoas de gostos sofisticados e levou ao desenvolvimento de um comércio imensamente fútil, mas ainda assim elegante e sofisticado. Com esta fotografia altamente iconoclástica, penso ter capturado este ambiente ligeiramente retro e underground que quase se sente na pele quando se percorre a zona das galerias de arte do Porto. Um ambiente no qual a E-P1 só é superada pelas Lomo...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Balanço do ano, 4

A minha atitude perante a fotografia é a mesma que uma criança perante a vida: quero descobrir tudo, e tudo de uma vez só. Tenho necessidade de me exprimir artisticamente, mas creio que as minhas fotografias revelam também um lado imaturo de quem quer descobrir os limites da técnica e procurar soluções para os problemas técnicos da fotografia. Há muito autodidactismo nesta minha busca, e tenho consciência de que, em muitas das minhas fotografias, a forma prevalece sobre a substância e denota algumas limitações.
O que é uma boa fotografia? Decerto não basta que seja tecnicamente bem tirada, com a composição, o enquadramento, a exposição e a medição correctas. A fotografia tem de despertar uma reacção em quem a vê, mesmo que seja de simples prazer contemplativo. Nem sempre tem de ter uma mensagem, ou pelo menos uma mensagem explícita. Tomemos o exemplo da Derrière la Gare de Saint-Lazare, de Henri Cartier-Bresson: qual é a mensagem que retiramos dali, quando comparada com as fotografias de Josef Koudelka aquando da invasão de Praga ou as fotografias que Kevin Carter fez no Sudão? E, contudo, é uma fotografia desafiante para a mente de quem a vê.
No caso da fotografia acima, feita no palacete dos Andresens quando visitei a exposição memorável de fotografias de Harold Edgerton, o preto-e-branco pareceu-me a única opção. Ao abstrair do elemento cor, a fotografia a preto-e-branco produz o efeito de concentrar o olhar nas formas e nos contrastes. Esta é uma fotografia na qual as formas predominam, ajudadas pela conjugação das luzes e das sombras. Há nela um sentido puramente parnasiano que me agrada, e uma harmonia das formas que faz com que seja uma das minhas preferidas.
Por outro lado, tenho vindo a descobrir as potencialidades da fotografia com uma avidez juvenil. A fotografia acima é um exemplo desta descoberta. Convém abrir aqui um parênteses para referir que não costumo manipular imagens. Todo o trabalho de retoque da imagem (pelo qual não me sinto nada culpado) é feito com o Olympus Viewer 2. Apenas adoptarei o Photoshop no dia em que descobrir que a câmara já não consegue satisfazer as minhas necessidades de expressão. E esse dia está longe. Nesta fotografia usei uma abertura estreita e uma velocidade de disparo longa. Respectivamente, nada menos que f22 e 13''! E tive de escurecer a imagem consideravelmente para que os rastos de luz sobressaíssem.
Sinto que, enquanto não dominar a técnica, não serei capaz de extrair todo o potencial da fotografia. Uma câmara como a E-P1 é já uma máquina razoavelmente evoluída que permite aceder a inúmeras funcionalidades - não esqueçamos que é uma DSLR sem espelho e pentaprisma -, e quero saber tudo o que ela tem para dar. Quero dominá-la, concretizar o triunfo do homem sobre a máquina. Não por ter um interesse desmesurado pela técnica, mas para poder empurrar as fronteiras da minha fotografia para um nível superior que, embora longínquo, sei estar ao meu alcance. Não importa se daqui a dois, cinco ou dez anos.

Balanço do ano, 3

Terminadas as férias, foi tempo de voltar à minha condição de fotógrafo de fim-de-semana. Deixou de ser possível fotografar sem planear as saídas, uma vez que uma sessão de fotografia pode ser tão cansativa como uma tarde de trabalho e torna-se necessário organizar bem o tempo disponível. A fotografia da Ponte D.ª Maria Pia (acima) é um exemplo desse planeamento: em lugar de pegar na câmara e fotografar o que se me atravessasse no caminho, resolvi concentrar a sessão neste objecto. Esta sessão foi a última em que utilizei exclusivamente as lentes concebidas para fotografia digital - neste caso a 40-150, uma lente um pouco antipática mas capaz de excelentes resultados. Curiosamente, toda a gente pensa que esta fotografia é a preto-e-branco, mas não é; o seu aspecto monocromático vem de um céu encoberto e da pintura cinzenta da ponte.
No dia 22 de Agosto comprei a lente OM de 28mm/f3.5. Nos primeiros dias foi complicado conseguir focar manualmente, mas acabei por dominar a técnica - com a ajuda da ampliação do ponto de focagem, é certo, mas no caso da fotografia acima ainda não tinha descoberto como se chegava a esta função. Esta fotografia é, ao contrário da anterior, o resultado de deambulações sem rumo definido pelas ruas do Porto. Uma Piaggio Vespa estava estacionada na Rua José Falcão, e o círculo perfeito do retrovisor esquerdo pareceu-me poder constituir um bom objecto para fotografar. Por sorte, consegui descobrir um ângulo do qual era visível um bom reflexo e fiz uma fotografia extremamente conceitual. Não, as fotografias da família e dos animais de estimação não são para mim. Eu vivo a minha vida à procura de qualquer coisa que ainda não sei bem o que é; quando a encontrar, a vida deixa de ter graça... talvez nessa altura me decida a comprar uma compacta para fotografar criancinhas e gatinhos.
A OM 28mm revelou-se um verdadeiro achado. As cores que ela capta são maravilhosas: saturadas, vivas e contudo muito naturais. Os seus únicos problemas são uma abertura máxima reduzida e um nível muito elevado de aberrações cromáticas, consequência de uma ligeira incompatibilidade resultante da diferença de concepção entre a lente analógica e a câmara digital. Estas aberrações, contudo, só surgem quando fotografo contra a luz, pelo que não é um problema grave. 
A fotografia acima é a expressão da minha vontade de fotografar objectos de uma forma diferente: em lugar de fotografar o pôr-do-sol directamente, aproveitei o reflexo das janelas espelhadas de um restaurante da Foz do Douro. Por sorte, um casal ia a passar quando estava a compor a imagem. Eu gosto desta fotografia: parece-me original e diferente, qualidades que reputo de importantes em fotografia.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Balanço do ano, 2

Continuando o exercício de narcisismo solipsista (ou será solipsismo narcisístico?) começado ontem, mostro-vos agora três fotografias que conto entre as melhores que fiz em 2011:
Adoro fotografia de rua. Embora ainda não me tenha encontrado como fotógrafo - nunca soube responder à pergunta básica que tipo de fotografia preferes? -, a fotografia de rua pode ser particularmente recompensadora. É o caso desta aqui: é a fotografia mais humana que fiz até hoje. É a minha pequena obra-prima. Deixei-me fascinar pela comunhão entre estas três pessoas (decerto mãe e filhas), pelo sorriso maravilhoso da criança e pelo olhar ligeiramente enigmático da rapariga à esquerda. Alguém sugeriu, depois de ter publicado esta foto no Facebook, que devia cortá-la, de maneira a excluir a rapariga à esquerda e concentrar a atenção na criança. Outra pessoa, Michiel Fokkema, comentou que "toda a gente tem fotografias sem a rapariga à esquerda". A rapariga à esquerda ficou. E ainda bem: considero o olhar dela ainda mais interessante que o sorriso da criança - por muito cativante que este seja.
Talvez esta seja a minha melhor fotografia. Quando ando pela Internet à procura de artigos sobre a Olympus E-P1, encontro sistematicamente comentários mordazes quanto ao tamanho do sensor e ao consequente ruído que invade as fotografias. Devo ser um génio, porque consigo fotografar à noite com esta câmara sem que o ruído destrua a imagem... Esta fotografia foi tirada em Amarante no dia 30 de Julho de 2011 e é o resultado de um planeamento exaustivo e cuidadoso: estudei o melhor lugar, a melhor hora e as melhores configurações da câmara para obter este resultado. Valeu a pena: esta é uma das fotografias de que sinto maior orgulho. Apenas lamento ter de a mostrar com um texto por cima, para prevenir eventuais usurpações - mas, como referi ontem, ela pode ser vista no meu Flickr. Intacta.
De novo a fotografia de rua. Este tipo de fotografia exige reacções extremamente rápidas e uma atenção particularmente desperta. Se o rapazito à esquerda não tivesse os olhos fechados, a fotografia seria de uma cena de rua banal, sem qualquer interesse especial. Tive sorte - ou estava atento, não me lembro. É pena que as figuras de fundo estejam excessivamente expostas, mas não pude fazer nada para o evitar. Nem a medição pontual ajudaria: se tivesse focado no rapaz, o segundo plano ficaria sobre-exposto; se tivesse focado o fundo, o músico e o miúdo surgiriam demasiado escuros. De resto, neste tipo de fotografia não há tempo para medições pontuais.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Balanço do ano, 1

Nesta época é habitual fazer-se o balanço do ano, cujo fim está bem próximo. Apesar de considerar este género de exercício um pouco fútil, a verdade é que 2011 foi um ano muito importante para mim no campo da fotografia. 2010 já o fora - afinal de contas, foi o ano em que comecei a fotografar -, mas 2011 foi o ano em que pude aceder a uma câmara digna desse nome. A E-P1 transformou por completo o meu modo de fotografar, possibilitando o acesso a funções avançadas e, o que é mais importante, o uso de lentes de acordo com as minhas necessidades. Em 2011 aprendi a dominar a técnica, usando-a para melhor exprimir as minhas ideias. Sei que tenho ainda muito que aprender - se não tanto no domínio da técnica, pelo menos na inspiração e criatividade. Trago comigo uma limitação de monta: viajo pouco, e a minha cidade está quase a esgotar o potencial fotográfico. Ainda não fotografei tudo numa cidade onde se conjugam o campo e a praia, o cosmopolitismo e a aridez, a urbanidade e a ruralidade, o esplendor e a miséria, o frenesim e a calmaria - mas a limitação do espaço não significa uma redução das suas potencialidades fotográficas. Há ainda muito a fotografar em cada esquina, em cada porta e em cada passeio desta cidade fascinante que é o Porto.

Para este balanço decidi mostrar dezassete das minhas fotografias, seleccionadas dentre as que considero as melhores que fiz neste ano que chega agora ao fim. Algumas já são conhecidas dos leitores do blogue, outras não. Infelizmente, vi-me obrigado a inserir textos, o que as destrói por completo, porque sei que muitos visitantes deste blogue vêm aqui com o único propósito de descarregar fotografias, completamente alheios ao facto de estas terem um autor cuja criação, embora não seja particularmente brilhante, merece ser respeitada. Não suportaria saber que alguém descarregara uma fotografia minha e a usara como se fosse sua - não por minha vaidade ou pretensão, mas por condenar a usurpação em si. As fotos, contudo, podem ser vistas sem estorvos no Flickr, onde estão devidamente protegidas. 
 Esta fotografia foi tirada durante os ensaios do grupo Sesquialtera na igreja de S. Lourenço, também dita dos Grilos, no dia 30 de Abril de 2011. Era o terceiro dia em que usava a E-P1, que adquirira no dia 27. Preocupei-me em aprender a câmara no mais curto tempo possível para poder fotografar o concerto em condições decentes. As imagens saíram vastamente superiores às que tirara no Natal de 2010 neste lugar, com a compacta Canon A3150: as cores são muito mais naturais, o ruído infinitamente menor e os pormenores muito mais nítidos. Porque prefiro esta fotografia às do concerto propriamente dito? Antes de mais, pelas duas figuras em movimento à esquerda. Um mês antes, teria rejeitado a fotografia por entender que o arrastamento arruinara a fotografia; hoje, porém, vejo o arrastamento como um efeito extremamente interessante: ajuda a descrever o movimento e dá dinâmica à fotografia. E é uma fotografia em que há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Sem o perceber, usei os princípios da fotografia de rua num espaço confinado que não podia ser mais diferente da rua. Tecnicamente está fraquinha: tem muito ruído e, quando ampliada, nota-se haver pouca nitidez em alguns planos. Teria precisado de um tripé e de mais tempo de exposição, mas não está má de todo.
 Esta fotografia foi feita em Maio no Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia da Relação). Nesta altura ainda fotografava no modo P. Como se pode ver, a medição feita pelo fotómetro é quase ideal: as grades do primeiro plano surgem como uma simples silhueta, o que significa que a exposição foi medida no céu, e não nas grades. Bravo, Olympus! Consegui uma fotografia extremamente dinâmica, com um contraste interessante entre a contemporaneidade da estrutura metálica e a vetustez das grades. Ao capturar este contraste, creio ter apreendido o espírito dos arquitectos que renovaram a Cadeia da Relação. É conceitual - eu gosto de fotografias conceituais, com pontos de fuga enérgicos e linhas bem vincadas -, geometricamente forte, e é, do meu ponto de vista, uma das minhas fotografias mais conseguidas.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O macro tornado simples


1. Introdução

Afinal, talvez a medição pontual e a calibragem do equilíbrio dos brancos não tenham sido as lições mais importantes do workshop do Instituto Português de Fotografia que frequentei; é bem possível que o ensinamento mais importante tenha sido um truque básico e extremamente rudimentar, mas que me abriu os olhos para um tipo de fotografia cujas possibilidades são imensas. O truque é simples, mas requer algum cuidado: 1) desmonta-se a lente; 2) monta-se a lente ao contrário, i. e. com a baioneta voltada para o exterior; 3) segura-se a lente com a maior firmeza possível; 4) dispara-se. Com este truque, consegue-se tirar fotografias macro sem a despesa de uma lente especial ou de tubos extensores. Claro que não é bem a mesma coisa, mas é possível obter resultados interessantes. A ampliação é extrema - eu usei, nesta minha primeira experiência, a OM de 50mm - e o resultado não é muito diferente do obtido com material específico para macrofotografia.

2. Precauções

Como referi, isto requer algum cuidado. Antes de mais, é necessário segurar a lente com muita firmeza, sem contudo danificá-la por usar força excessiva. É necessário também que a inversão da lente seja feita com extrema rapidez, de maneira a que o sensor seja exposto à luz pelo menor tempo possível. É algo que só devemos fazer se tivermos a certeza absoluta que não vai sair asneira - como deixar a lente cair, roçar o vidro no corpo da câmara ou deixar espaço entre a lente e o sensor.
Por outro lado, o manuseamento dos comandos da câmara pode tornar-se extremamente difícil, uma vez que a mão esquerda está mais ocupada em manter a lente no lugar do que em segurar a câmara, tarefa que é deixada à mão direita. Pode ser complicado regular a velocidade do disparo e premir o botão do obturador. Não será má ideia usar um tripé.

3. Focagem
Neste modo artesanal de fazer macro a focagem é feita aproximando ou afastando a lente do objecto. Não se aplicam a focagem automática, nem a focagem manual. A nitidez depende inteiramente da distância da lente em relação ao objecto, o que pode precludir o uso do tripé (a despeito da utilidade que este teria para se poder manusear os comandos da câmara).



4. Conclusões

Embora as amostras que aqui deixo sejam de qualidade discutível, elas prenunciam o que pode ser obtido na fotografia macro. É necessário ter em conta que se trata de ampliações entre 3x e 4x dos motivos escolhidos, e de imagens tiradas sem grande estabilidade, pelo que a perda de nitidez se deve mais a arrastamento do que a desfocagem. Há duas semanas passei pela loja do Porto onde comprei as minhas lentes OM, e o dono mostrou-me anéis macro da defunta Vivitar, concebidos para a série OM. Os resultados pareceram-me promissores, mas os motivos - letras impressas num jornal e a unha de um cliente da loja! - não eram particularmente interessantes. A experiência de hoje, porém, foi como a revelação de um mundo novo e inexplorado - o do infinitamente pequeno. O macro é uma das experiências fotográficas mais interessantes que pode existir. Pode-se fotografar motivos minúsculos com uma ampliação muito para além da que os olhos permitem, mas também motivos de um enorme grau de abstracção. O macro é fascinante!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Novidades da Olympus

Hoje, 14 de Dezembro, era o dia que a Tokyo Stock Exchange fixara para que a Olympus Corporation apresentasse o balanço rectificado relativo ao primeiro semestre deste ano. Os resultados demonstrados deveriam reflectir as perdas que haviam sido encobertas através das aquisições e honorários suspeitos, e a Olympus cumpriu. Se não o tivesse feito até hoje, teria sido excluída da cotação, o que teria sido catastrófico. Evitou assim, por agora, a exclusão da bolsa de Tóquio, mas isto não significa que não possa vir a ser excluída se forem detectadas irregularidades graves - mas, pelo menos para já, essa possibilidade está afastada. Resta agora saber o que vai acontecer com o actual conselho de administração, cuja exoneração é necessária para restabelecer a confiança na companhia, e se Michael C. Woodford, o CEO que foi despedido por ter denunciado o escândalo, vai voltar a exercer as funções.
As perdas resultantes do exercício do primeiro semestre de 2011 foram de USD $414.000.000 (já reflectindo as perdas encobertas ao longo dos exercícios anteriores), o que não é uma quantia modesta, mas as acções têm vindo a subir progressivamente: depois de terem perdido 80% do valor nas duas semanas após o despedimento de Michael Woodford, valem agora metade do que valiam antes de o escândalo se tornar conhecido, o que significa que recuperaram cerca de 30%.
Talvez seja por este optimismo moderado que a Olympus lançou uma nova lente para o formato Micro Quatro Terços: a M.Zuiko Digital 12-50 f3.5-6.3. É uma lente que ninguém queria, e que apenas pode fazer sentido se substituir a execrável 14-42. Por um lado, é demasiado lenta na distância focal maior: com uma abertura de 6.3 e um volume tão avantajado - esta lente não é retráctil como a 14-42 -, vai obrigar a usar velocidades de disparo lentas e um tripé sempre que se quiser fotografar a 50mm. Mesmo na distância focal mínima de 12mm, a abertura de 3.5 não é nada de especial. Esperava que esta lente fosse uma versão para Micro Quatro Terços da lente 12-60 f2.8-4.0 que a Olympus fabrica para as DSLR, pelo que fiquei um pouco decepcionado. O facto de ter zoom motorizado não me impressiona, tal como a presença de um modo macro: fazer macro a 20 cm de distância não me parece assim tão interessante. As únicas vantagens são o facto de ser relativamente barata - €400,00 -, ter uma distância focal mínima de ultra grande-angular e ser à prova de água. Esta última característica também não me impressiona por aí além: significa apenas que tem um anel de borracha na baioneta, protegendo o interior da câmara de poeiras e humidade - mas pode prenunciar o lançamento de uma nova câmara da família PEN resistente à água, o que pode ser uma boa notícia: será a «PEN Pro» de que tanto se fala? Não faz sentido lançar uma lente resistente à água para um sistema de câmaras que não o é, pelo que parece que a Olympus está a lançar pistas sobre mais qualquer coisa ao apresentar esta lente. Vamos esperar...