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sábado, 4 de agosto de 2012

Fotografia de objectos em movimento

Modo S, f4.5, 1/1000, -1 EV
Na minha cidade - o Porto, Portugal, para quem ainda não o tenha descoberto - há uma tradição de décadas que se tornou num espectáculo extremamente procurado por turistas e residentes: no Verão, nas tardes de calor, dezenas de adolescentes e jovens da Ribeira mergulham nas águas barrentas do rio Douro, saltando a partir do tabuleiro inferior da ponte Luiz I (que o tempo e os modos rebaptizaram de «Ponte D. Luís»). O que torna estes saltos tão especiais é a elevada altura do tabuleiro inferior em relação ao rio, que, dependendo das marés, pode variar entre dez e quinze metros. Com uma altura desta magnitude, são saltos arriscados, mas é exactamente este risco que os torna tão especiais.
É preciso que diga que os rapazes e raparigas que saltam daquela altura recebem de mim o estatuto de heróis. Quando era da idade deles, tinha à minha disposição a prancha de mergulhos das piscinas do Clube Fluvial Portuense, com duas alturas diferentes: cinco e dez metros. Nunca tive coragem de saltar da plataforma superior e, das poucas vezes que saltei da prancha de cinco metros, foi sempre com os pés entrando primeiro na água, e nunca de cabeça. Pois bem: há alguns destes jovens da Ribeira (embora poucos) que mergulham com as mãos entrando na água em primeiro lugar. O que é um feito que tem muito de extraordinário.
É evidente que quem salta tem consciência do risco que corre. É notório que muitos dos que se penduram na borda da ponte hesitam durante muito tempo antes de saltar, e alguns benzem-se antes de o fazer. O que é compreensível: um salto mal executado, com o corpo tocando na água na horizontal, é como cair no chão, porque a resistência da água, nessas circunstâncias, é enorme. O corpo tem de perfurar a água, o que só pode ser feito se o corpo mergulhar perpendicularmente à linha da água. Como se o salto não fosse suficientemente arriscado, muitos dos que saltam não dominam suficientemente as técnicas de natação, e o Rio Douro é um rio de correntes fortes.
Claro que um dia eu havia de tentar fotografar estes saltos. Eu adoro fotografar a minha cidade, e aqueles mergulhos são um dos seus acontecimentos mais interessantes. Na sexta-feira, 2 de Agosto, tentei fazê-lo pela primeira vez. Usei a lente zoom 40-150/f4-5.6, que é suficiente em matéria de distância focal, e seleccionei a focagem e disparo contínuos, mas uma falência cerebral grave levou-me a fotografar no modo A, seleccionando a maior abertura possível.
Modo A, f4.5, 1/250: um desastre!
Os resultados foram pouco menos que desastrosos. Nenhum dos mergulhadores ficou nítido. Com as distâncias focais usadas, a abertura máxima era da ordem dos f4.5, o que levou o fotómetro a seleccionar tempos de exposição de 1/250, que são insuficientes para congelar o movimento. Além disto, a focagem automática é particularmente complicada com aquela lente, tornando-se muitas vezes errática: falhei muitas fotografias porque a câmara se recusou a focar. Este não é apenas um problema da lente: é também uma dificuldade do sistema de detecção de contraste.
Ainda por cima, as fotografias não isolam o objecto como eu gostaria. A profundidade de campo é sempre muito grande, o que significa que a câmara não focou os mergulhadores, mas um ponto qualquer no plano de fundo (ou, se focou os primeiros, focou também uma porção do plano de fundo). Teria precisado de usar uma lente mais rápida, com uma abertura máxima de, digamos, f2.8, e uma câmara com sistema de focagem automática por detecção de fase. Tudo materiais caríssimos cuja aquisição, atento os tipos de fotografia a que me dedico, não se justifica: a fotografia de objectos em movimento rápido deve corresponder a 1 ou 2% do que eu fotografo.
No dia seguinte, depois de verificar o fracasso das primeiras fotografias (não houve unsharp mask que lhes valesse), voltei ao mesmo lugar. Desta vez usei o modo S (prioridade ao disparo), usando velocidades bem mais elevadas que os 1/250 da véspera. Procurei manter o tempo de exposição num mínimo de 1/1000, o que ainda não era o ideal - mas era o possível, atenta a abertura máxima da lente 40-150. Para isto recorri a uma função da câmara que, por fotografar maioritariamente no modo M, raramente uso: a compensação da exposição. Nalguns casos a compensação teve de atingir -1 EV, para evitar que as altas luzes estourassem e manter a exposição correcta.
Os resultados foram consideravelmente melhores do que os da véspera, como se pode ver na imagem que encima este texto. Se esta for ampliada e olhada criticamente, veremos que a focagem ainda não é a ideal, porque subsiste alguma distorção por arrastamento, mas o que obtive é incomparavelmente superior aos resultados do dia anterior. Tirei partido da focagem contínua focando cada mergulhador enquanto este se preparava para saltar, pelo que a taxa de erros na focagem diminuiu consideravelmente. Claro que teria gostado de usar uma câmara que me desse 10 fotogramas por segundo, em lugar dos míseros 3 fps da E-P1, e também teria feito muito melhor se tivesse uma lente com uma abertura maior, o que me possibilitaria o uso de tempos de disparo mais rápidos e contribuiria para o desfoque do plano de fundo (o que teria resultado em fotografias muito mais interessantes) - mas, para obter estes resultados com a qualidade a que aspiro, teria de ter uma Nikon D800 ou uma D4, ou então as equivalentes da Canon). Como quem não tem cão caça com gato, o que fiz foi o melhor que pude e sabia com o material que tenho. Ainda tenho muito a aprender quanto ao uso de zooms e à fotografia de objectos em movimento, mas parece-me que ontem dei alguns passos firmes nessa aprendizagem - a despeito das limitações do equipamento. 

sábado, 7 de julho de 2012

Respeitar o passado

Ontem decidi caminhar, actividade que tenho praticado esparsamente nos últimos tempos. Fui de casa até Miragaia, porque queria fazer fotografia de rua nas arcadas de Miragaia, depois subi até à Praça da República e fui à Rua de Santa Catarina, passando pela Rua dos Mártires da Liberdade. (As fotografias das arcadas não ficaram grande coisa, mas o leitor pode avaliá-las no meu Flickr.) Uma caminhada em que devo ter completado dez quilómetros.
Descobri que na Rua dos Mártires da Liberdade, por onde cortei caminho para chegar até à Praça da República (tinha de resolver um assunto profissional na Rua de Santa Catarina, no quarteirão entre as ruas Gonçalo Cristóvão e Guedes de Azevedo), há duas lojas de material fotográfico: uma, Câmaras & Companhia, comercializa material fotográfico antigo e novo; a outra, Máquinas de Outros Tempos, especializa-se, como o nome sugere, em material usado. Na primeira dessas lojas pude ver ao vivo, pela primeira vez, a famosa antecessora da minha câmara, a Olympus Pen F. Na outra andei à procura de lentes usadas, mas infelizmente não encontrei nenhuma que satisfizesse as minhas necessidades: experimentei uma Pentax fisheye, mas a distância focal equivalente, quando montada na E-P1, é de 34mm, o que impede a distorção característica das fisheye ao endireitar as linhas.
As visitas a estas lojas induziram-me mais respeito pelo passado. Embora a minha escolha seja a fotografia digital, não deixo de sentir o maior respeito por quem opta pela fotografia analógica. Não me sinto tentado a comprar uma câmara analógica - que seria sempre uma Olympus OM, pela razão simples de já ter três objectivas desse sistema - por duas razões: a primeira, de ordem bastante comezinha, é a despesa e as limitações do formato: os rolos não são tão baratos como isso, o número de fotografias que poderia fazer seria limitado (o que decerto me obrigaria a fotografar melhor) e, a estes problemas, acresceria a despesa com a revelação e a espera pelas fotografias.
De resto, demoraria certamente muito tempo a obter resultados satisfatórios. Fotografar com filme obriga a ter um conhecimento preciso da lei da reciprocidade e a saber jogar com a abertura e o tempo de exposição para obter exposições correctas - embora seja certo que as câmaras analógicas mais recentes têm um fotómetro, que indica a exposição correcta. Neste aspecto a fotografia digital é muito mais cómoda e prática: vejo os resultados imediatamente e, se quiser, posso consultar o histograma para saber se a fotografia está correctamente exposta.
Nada disto significa, como disse, que não respeite quem se dedica à fotografia analógica. O material antigo não é necessariamente sucata: as câmaras analógicas duram muito mais do que as digitais, são geralmente mais bem construídas e têm um apelo estético superior (só as Olympus Pen E-P3 e OM-D, as Leica M e as Fuji X100 e X-Pro 1 constituem, actualmente, excepções a esta regra: a E-P1 já não se fabrica há dois anos...). E uma lente antiga, quando em bom estado, pode ser usada com bons resultados cinquenta anos depois de ter sido fabricada. Aliás, as lentes usadas, salvo em alguns aspectos em que são incompatíveis com o domínio digital, são uma excelente opção para quem não pode ou não quer gastar fortunas com objectivas novas, desde que se supere o receio de focar manualmente.
O facto de estas lojas existirem levou-me a especular se não haverá um revivalismo em tudo semelhante ao que existe na indústria discográfica, com o ressurgimento do vinil. Se o houver, parece-me natural, e interpreto-o como uma reacção à ditadura digital em que vivemos, na qual o material fotográfico é cada vez mais temporário e ficou reduzido a uma condição de bens perecíveis. Muitos preferem a segurança de ter bens duradouros, que podem estimar, em lugar de bens que estão destinados a durar alguns anos. De resto, ainda não dou por adquirido que a fotografia digital seja melhor: é certamente mais prática e cómoda, mas tal não significa, necessariamente, mais qualidade. Tal como o som de um CD, por mais upsampling que seja usado, permanece abaixo do que se consegue obter com um bom vinil tocado num gira-discos decente. Há pessoas que preferem a qualidade, em lugar de se deixarem prender nas malhas do consumismo que caracteriza, cada vez mais, os tempos que vivemos. E esta atitude, porque em parte a partilho, merece-me o maior respeito.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Aniversário

Já narrei aqui, por várias vezes, os motivos que me levaram a adquirir a minha câmara actual. Andava profundamente descontente por ter uma compacta, mas não queria dar o salto para uma reflex. Não queria porque as DSLR a) são caras, b) são feias, c) são mastodônticas e d) precisava de gastar fortunas em lentes. Nos meses que precederam a compra da E-P1 informei-me exaustivamente acerca de câmaras; as DSLR eram apelativas, e tive algumas na minha lista de possíveis aquisições: a Pentax K-x, que me foi desaconselhada, não pela falta de qualidade, mas pela incerteza acerca do futuro da marca (que pertencia ainda à Hoya), a Nikon D3000, porque o meu mentor Fernando Aroso me aconselhou a comprar uma Nikon, e a Canon EOS 1000D, ainda que nunca tivesse encarado seriamente a sua compra porque a minha compacta era... uma Canon. O que eu queria era uma câmara pequena que me desse mais controlo e, sobretudo, desse para mudar lentes; imaginava que apenas se podia optar entre compactas e DSLRs, mas descobri que havia outra opção - as hoje universalmente denominadas mirrorless.
Horas infindas de pesquisas na Internet levaram-me a descobrir a E-P1. A beleza desta câmara cativou-me imediatamente - a E-P1 é um daqueles objectos que apetece ter mesmo que não se precise dele -, mas uma câmara precisa de ser mais que bonita: tem de ter uma boa qualidade de imagem. Havia, nos websites de equipamento fotográfico, unanimidade de opiniões quanto à E-P1: grande qualidade da imagem, controlo da exposição equiparável a uma DSLR e qualidade de construção impecável, do lado das vantagens; os defeitos eram o nível de ruído (em comparação com DSLRs com sensor APS-C), a lentidão da focagem automática e a falta de visor e de flash incorporados. Contudo, nunca li nenhuma crítica que sobrepusesse os defeitos às qualidades: pelo contrário, era uma câmara universalmente aplaudida pela sua qualidade. Decidi que passava bem sem o flash e o visor; o ruído e a lentidão, esses, não podiam ser piores do que o de uma compacta. A E-P2 também era interessante, mas era também mais cara, e ao seu custo acrescia a compra de um visor electrónico (único factor que tornaria a sua compra vantajosa em relação à E-P1; não fazia sentido ter uma E-P2 sem o VF-2).
Estive para comprar a E-P1 em Novembro de 2010, na versão kit com lente 14-42mm/f3.5-5.6, mas um cliente deu-me o calote, o que me obrigou a esperar. Quase a desesperar: já não conseguia suportar a compacta: sentia-me ridículo a fotografar com ela, os níveis de distorção da imagem eram escandalosos, o ruído assustador e a resolução (ou a sua falta) confrangedora. Tinha cores bonitas, nada mais. Ou melhor - para ser justo, devo dizer que tinha algo que me facilitou a transição: um modo P, que dava acesso ao ISO, à compensação da exposição, ao controlo da medição e ao equilíbrio dos brancos.
Há males que vêm por bem: graças ao calote, e ao tempo de espera que implicou, surgiu entretanto a oportunidade de comprar uma E-P1 por um preço irrisório, com a 17mm/f2.8 e o visor óptico VF-1. O que me poupou o embaraço de ter a lente 14-42, que mais tarde experimentei: usei-a um dia e devolvi-a no seguinte. Lembro-me bem do dia 27 de Abril de 2011: saí mais cedo do trabalho para ir levantar a E-P1 à Pixmania; depois voltei ao escritório, onde trabalhava uma rapariga que é fotógrafa de casamentos e baptizados nas horas livres e usa uma Canon 5D. A L. percebeu de imediato que estava a ver uma câmara a sério quando descobriu o célebre controlo secundário, aquele cilindro no lado superior direito do painel traseiro que hoje uso para controlar a abertura (ou a compensação de exposição quando uso os modos A e S.) Regressei a casa eufórico: tinha esperado tanto tempo por aquele momento!
A E-P1 ensinou-me a fotografar; mostrou-me a diferença entre apontar e disparar e fotografar com domínio da técnica fotográfica, e como este, não sendo tudo, é importante para exprimir a intenção fotográfica. Porque não basta ter boas noções de composição e enquadramento, nem ter critérios estéticos desenvolvidos, para fazer boas fotografias. A compacta era uma limitação que me exasperava; a E-P1 deitou esses limites por terra e trouxe-me mais próximo dos meus ideais fotográficos. Sei que tenho ainda um longo caminho a percorrer, mas hoje estou mais perto do que estava no dia 26 de Abril de 2011.
Eu sei que a E-P1 é criticada (quando não é ridicularizada) por muitos, incluindo gente que sabe infinitamente mais de fotografia do que eu. E são várias, de facto, as limitações da E-P1: o ruído, as altas luzes com tendência a estourar, a focagem automática errática (a despeito da evolução substancial que o firmware 1.4 trouxe) e a falta de um visor que mostre o que a lente vê. Em contrapartida, tem um fotómetro preciso que me faz esquecer a existência da medição pontual, um equilíbrio automático dos brancos que dispensa os outros modos e, sobretudo, uma qualidade de imagem digna de uma boa DSLR - que é confirmada nas impressões - e a maneira como trabalha com lentes antigas, como as minhas OM. O uso do Lr4 fez-me perceber que o ruído é um problema mais grave do que eu pensava, e este pode vir a determinar a aquisição de outra câmara - mas não vai ser tão cedo. Afeiçoei-me à E-P1. Os franceses diziam, a propósito dos Citroën DS, que on n'achète pas une Citroën, on l'épouse; o mesmo comigo e a E-P1.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Já chegaram!

No dia 24 de Março encomendei impressões de cinco das minhas fotografias na AFF. Hoje de manhã fui buscá-las. A razão da demora tornou-se evidente quando vi que as impressões vinham dentro de um canudo de cartão: eram grandes impressões (30 X 40), que requereram bastante cuidado do laboratório.
E que posso eu dizer sobre elas? Numa palavra: UAU! As fotografias vieram impressas em papel da Fujifilm, e com uma qualidade absolutamente irrepreensível: nada ficou perdido, a resolução ficou intacta; o corte das fotografias - sem margens - ficou impecável, mas o que me impressionou mais foi ter verificado que, para além da qualidade da impressão, também a qualidade da imagem é do mais alto nível. Mesmo que tivesse mandado imprimir num formato maior, a resolução seria mais que suficiente.
Não quero discutir o conteúdo das fotografias: é evidente que fiz uma selecção das que me pareciam estar entre as minhas melhores, mas esta é uma apreciação que deixo a quem vir as imagens. O que me impressionou foi a qualidade da imagem, a sua resolução; eu tive sempre a noção que uma imagem apenas adquiria o estatuto de fotografia quando impressa; as impressões que hoje fui buscar confirmaram que tinha inteira razão ao pensar assim.
Mas estas impressões confirmam algo mais - a enorme qualidade do meu equipamento fotográfico. Sabia que a E-P1 era uma boa câmara, mas não podia quantificar essa qualidade a partir de imagens que apenas existiam sob a forma de pixéis. Estas impressões confirmaram que a Olympus E-P1 é uma câmara de grande qualidade, capaz de imagens de altíssima resolução que sobrevivem bem a impressões de grande formato. Não há, em nenhuma das fotografias, qualquer vestígio de ruído ou outras aberrações que prejudiquem a qualidade da imagem. Há, nas imagens impressas, uma nitidez, uma descrição dos pormenores e uma tridimensionalidade que dificilmente se apreendem quando se vêem no computador. As impressões que hoje fui buscar desmentem por completo os cretinos que desprezam o formato micro 4/3 por causa de o sensor ser um punhado de milímetros quadrados menor em área que o APS-C, e remetem qualquer discussão técnica acerca do ISO ou da gama dinâmica para o domínio dos disparates proferidos por quem não sabe do que fala.
O mesmo se diga quanto às lentes. Das cinco fotografias cuja impressão encomendei, três foram feitas com a Pancake 17mm/f2.8 e duas com a OM 28mm/f3.5. Devo dizer que não andava muito contente com o desempenho da primeira, e que, quando fui levantar as impressões, pretendia informar-me sobre uma lente que me parece promissora, e poderia substituir a 17mm: a nova Sigma 19mm/f2.8. Quando vi as impressões, porém, deixei as perguntas por fazer. A Pancake tem, apesar de tudo, uma resolução espantosa. E é uma lente prática e versátil, a despeito das aberrações cromáticas que são o seu grande defeito. Seria injusto esperar melhor de uma lente que veio na caixa junto com a câmara: a sua qualidade é espantosa - como seria, creio eu, de esperar de qualquer lente que carrega o nome Zuiko. Enganei-me na avaliação que fiz desta lente.
Quanto à 28mm, já esperava imagens impressas de grande qualidade. Não fiquei desiludido. Esta é, apesar da abertura máxima de f3.5, uma lente notável pela sua nitidez e resolução. E, sobretudo, pelas cores que reproduz. Ver as duas impressões de fotografias feitas com esta lente faz-me questionar por que razão se perdeu tanto tempo e dinheiro a inventar lentes de focagem automática - e, ao mesmo tempo, fez-me perceber o motivo que levou a Olympus a hesitar durante tanto tempo em aderir à focagem automática. A qualidade das lentes do sistema OM - e eu tenho outra, uma 50mm/f1.4 - muito dificilmente será superada por lentes contemporâneas de focagem automática e regulação contínua da abertura.
Seria injusto não referir uma peça do equipamento que contribuiu decisivamente para a qualidade de duas das impressões - o tripé. O Triopo, com a sua cabeça de rótula, é a pechincha do século. A quantidade de pormenores aparentes numa das fotografias é quase delirante, e o tripé teve um papel essencial na recolha de toda aquela informação. Quanto às fotografias obtidas segurando a câmara nas mãos, tenho de elogiar a enorme qualidade do sistema de estabilização da imagem incorporado na E-P1.
Outra conclusão importante é a de que não preciso do Photoshop. As imagens estão excelentes tal como estão, não necessitando de quaisquer retoques para além dos que receberam no Olympus Viewer 2. A qualidade das impressões veio confirmar esta minha opção, tomada há muito, de rejeitar a manipulação de imagens no Photoshop.
Já o disse: uma fotografia, enquanto ficheiro de imagem, é um botão à espera de desabrochar. Só a impressão transforma essa promessa de fotografia numa fotografia real. Os resultados da impressão varreram todos os receios que mantinha quanto à qualidade do meu material e das imagens que recolhi com elas. Tenho neste momento em meu poder cinco fotografias fantásticas que não me canso de olhar. Mesmo quando as observo de forma crítica, não consigo encontrar nenhum defeito que me faça repensar a maneira como fotografo, ou a qualidade do meu equipamento. Se têm qualidade suficiente para expor ou comercializar é algo que, de novo, me escuso a comentar.  

domingo, 25 de março de 2012

Impressões

Ontem encomendei impressões, em formato 30/40, de cinco das minhas fotografias. Foram necessárias muitas hesitações até decidir mandar imprimir fotografias: antes de mais, pela minha exigência crónica, que não me deixa cair na auto-complacência de imaginar que já sou um bom fotógrafo e que leva a que eu seja o meu maior crítico das minhas fotografias. Sou-o, de facto: as minhas referências são tão ilustres, e os meus critérios tão altos, que é muito frequente duvidar que algum dia consiga fazer fotografias verdadeiramente boas, comparáveis com as dos meus fotógrafos favoritos. Só há muito pouco tempo me consegui convencer que algumas das minhas fotografias eram suficientemente boas, do ponto de vista do conteúdo (no próximo parágrafo referir-me-ei ao aspecto técnico),  para as mandar imprimir.
A outra causa das minhas hesitações era o receio de a qualidade das imagens ser insuficiente. Eu estou inteiramente consciente de que não tenho a melhor câmara, nem as melhores lentes (com a excepção possível das OM). Por muito valorosa que seja a E-P1, a verdade é que os níveis de ruído e difracção são muito elevados. E a resolução mediana, aberrações cromáticas e distorção da Pancake 17mm/f2.8 também não ajudam. Nada que se compare a uma câmara compacta, claro está, mas muito abaixo do que uma boa reflex - digamos, uma Canon 60D equipada com a famosa lente 50mm/f1.8 - pode fazer. 
Acresce que não uso Photoshop. Este programa - e similares - confere espectacularidade às imagens, mas eu optei, desde muito cedo, por obter os meus resultados confiando exclusivamente no controlo da exposição antes de premir o botão do disparo. Daí que fosse sempre tão importante ter uma câmara com boas propriedades de cor e JPEGs de alta qualidade. Aqui a E-P1 brilha, sendo necessário gastar muito dinheiro para fazer melhor (apenas a partir da Canon 60D é que vejo uma melhoria substancial na qualidade da imagem). É possível que a impressão mostre defeitos que me passaram despercebidos e que poderiam ser corrigidos com um programa de edição evoluído. Posso dizer que estas impressões vão pôr em crise esta minha opção por não usar o Photoshop (ou o Elements, o Lightroom ou seja o que for). Posso até vir a concluir que o Photoshop é indispensável - ou posso confirmar a justeza das minhas ideias acerca da edição.
Depois de todas estas dúvidas e incertezas, não sei como vou reagir quando vir as fotografias impressas. O que sei, contudo, é que a impressão, tal como a revelação, é o destino último e natural de uma fotografia. A fotografia existe para ser gravada no papel; tê-la para sempre sob a forma de ficheiro de imagem é negar ao botão a capacidade de desabrochar e se tornar flor. Apenas o papel dá a verdadeira dimensão da fotografia. O monitor, por melhor que seja, não substitui a experiência sensorial do papel; não substitui o toque, o brilho, a vividez e a tridimensionalidade de uma boa fotografia impressa em papel de qualidade decente. Não é que queira vendê-las, e decerto ninguém estará interessado em expô-las: encomendei as impressões para meu gozo pessoal, para comprovar ou infirmar as minhas convicções e, sobretudo, para saber se as minhas fotografias resistem a este que é o maior dos testes. Podemos passar o resto das nossas vidas a olhar fotografias no monitor, mas estas só adquirem autenticidade quando são passadas para papel. Nada se compara a ter uma fotografia nas mãos, a tocá-la e olhá-la - a senti-la. E isto é algo que o computador não permite.
As imagens que seleccionei podem ser vistas no Flickr (com direitos reservados), através dos seguintes links:

domingo, 11 de março de 2012

Sem paciência

Hoje foi um daqueles dias frustrantes. Fui fazer fotografias para a praia da Agudela, e nada resultou como queria: escolhi a lente errada, o local errado, os enquadramentos errados e a maré errada. Só estou a escrever porque decidi escrever um texto por dia neste blogue.
A única consolação foi descobrir a obra de um grande fotógrafo de nome Richard Avedon. Gosto da fotografia de rua a preto-e-branco que ele fez, de alguns retratos e pouco mais; o resto faz-me lembrar Helmut Newton e Annie Leibowitz: fútil, e por vezes gratuito.
Agora vou ter uma semana de trabalho árduo pela frente, contando os dias até que o fim-de-semana chegue. Vou ficar à espera que chegue a encomenda que fiz no sábado: uma base de couro para dar (ainda) mais estilo à minha E-P1. Não é nada verdadeiramente essencial, mas vou comprá-la porque sim. Às vezes apetece comprar coisas porque sim - embora, se bem me conheço, possa vir a lamentar o dispêndio no futuro. Não é uma compra fútil porque faço muita fotografia de rua, e com isto evito o contacto das mãos com a câmara, mas também não é nada de estritamente necessário. Neste momento, as minhas necessidades resumem-se a uma grande-angular que se comporte melhor do que a 17mm. Li algures que a Olympus patenteou há pouco uma nova lente pancake de 17mm/f2.8. Se corrigir os problemas da actual 17mm, compro-a sem pensar duas vezes.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O que é isso da «obsolescência»?

Toda a gente que se interessa por equipamento sabe o que são os (ou já ouviu falar dos) DxO Labs. E, em particular, conhece os testes DxOMark. Estes testes são a referência absoluta, em virtude da sua metodologia, para muitos especialistas em fotografia. Embora não seja um frequentador assíduo do website da DxO, hoje deu-me para visitá-lo, atraído pela curiosidade de saber como se comporta uma determinada lente, neste caso a nova Olympus 12-50mm f3.5/6.3. Já calculava, depois de uma péssima experiência com a detestável zoom 14-42mm, que a classificação fosse menos que boa, mas ainda é pior do que esperava: à beira do péssimo. Eu cá gosto é de primes, por isso esta classificação não teve qualquer influência em mim porque nunca me passou pela cabeça comprar essa lente.
A curiosidade levou-me a ver testes de outras lentes - estou a considerar, se a vida me correr muito bem, comprar a Panasonic-Leica 25mm/f1.4 -, e a ir daí para as câmaras: fui dar comigo a uma análise à Olympus E-P3, e descobri uma página onde se podem comparar até três câmaras. Deu-me a curiosidade para comparar a E-P3 com a predecessora E-P2 - para descobrir que a E-P3 não é superior aos modelos que a precederam. Escolhi a comparação com a E-P2 por imaginar que a E-P1, já não sendo produzida, não figuraria nas listas da DxOMark, mas enganei-me. Ainda está lá. Comparei as três EPs lado a lado e - surpresa das surpresas! - a E-P1, que tem virtualmente o mesmo desempenho que a E-P2 (como seria de esperar), supera a E-P3!
Se pensam que estou a mentir, podem ver o comparativo aqui. A E-P1 supera a E-P3 em cor e gama dinâmica, e o seu desempenho com sensibilidades ISO elevadas é melhor do que o da E-P2 (e igual ao da E-P3).
Qual é, então, a vantagem de comprar uma câmara como a E-P3 (ou mesmo a E-P2) em lugar da E-P1? A possibilidade de montar um visor electrónico. Nada mais. A E-P3 tem um flash integrado, mas é tão fraquinho que não tem grande utilidade: quem quiser fazer um uso sério do flash tem sempre de comprar um flash externo. Contudo, a E-P3 foi publicitada (e difundida pelos websites e blogues da especialidade) como um salto enorme em qualidade. Este comparativo demonstra que, no que verdadeiramente conta - a qualidade da imagem -, a E-P1 (que já foi «descontinuada» há dois anos) ainda é uma belíssima câmara.
O que significa que, visor electrónico à parte, a E-P1 é uma excelente câmara. O resto é marketing enganoso. Quando a E-P1 foi lançada, toda a gente clamou que não prestava porque - ó sacrilégio!, ó infâmia! - não tinha flash nem visor. E a Olympus, prontamente, substituiu-a pela E-P2, que permite a montagem de um visor electrónico - mas continou a faltar o flash, pelo que a E-P2 cedeu tranquilamente o seu lugar à E-P3. E os consumidores, atordoados pelo pecado de uma câmara sem flash integrado, correram a substituir as suas E-P1 e E-P2 pelo novo modelo - sem que a tal despesa (a E-P3 é estupidamente cara) corresponda qualquer melhoria sensível na qualidade da imagem. E esta é - ou devia ser - o critério n.º 1 na escolha de uma câmara. Em consequência, a E-P1 é hoje considerada obsoleta. Estou convencido que se passou o mesmo com as OM, e a verdade é que hoje as OM-1 são as mais caras e mais procuradas das OM no mercado das câmaras usadas. Este não é um fenómeno novo, a diferença está no volume de vendas. O conceito de obsolescência é, como se vê, muito relativo: neste caso é uma invenção do marketing que nos induz a consumir cada vez mais e mais cegamente.
É preciso ser muito criterioso na escolha de uma câmara - ou de outro produto qualquer. A novidade não pode ser um critério que se baste a si mesmo e justifique a aquisição de um produto. Por vezes, aquilo que nos é anunciado como the next big thing não apresenta mais que evoluções marginais em relação ao modelo precedente (como quem tem material da Apple sabe muito bem). Por vezes pode acontecer que não exista evolução nenhuma e seja tudo uma questão de adereços. Pode, até, acontecer que o novo produto seja, na verdade, pior que aquele que o antecedeu. O consumidor prudente deve ponderar muito bem a sua aquisição e resistir à tentação de se deixar influenciar pelo marketing. A E-P3 não é melhor do que a E-P1: o que tem é mais extras que, contudo, em nada contribuem para a qualidade da imagem. O mesmo se diga, por exemplo, quanto às Canon e as 550 e 600D, cujas diferenças estão na disposição de alguns botões. Ou as Nikon D3 e D4, que têm o mesmo desempenho apesar dos mais pixéis desta última.  Consumidores, abram os olhos!

I shout at times that nothing stays
Nothing lasts and damned to change
Though then I read a book, a line
Which says we sleep in blind sublime...

(Peter Murphy, Blind Sublime

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A idade, a E-P1 e outras considerações

Hoje fui fazer aquilo a que, pomposamente, chamo «fotografia de rua». Talvez por a vida não me estar a correr como gostaria, nenhuma das fotografias me deixou inteiramente satisfeito. Mesmo as quatro que publiquei no Flickr me parecem abaixo do que já fiz e posso voltar a fazer. Fotografei a sessão quase toda a preto e branco, imaginando-me porventura algum aprendiz de Gérard Castello-Lopes. O que fiz foi fotografias velhas. Por vezes sinto-me incapaz de fazer fotografias modernas e audazes, fotografias do presente que apontam para o futuro. Posso estar a evoluir tecnicamente, mas os meus motivos começam a tornar-se batidos.
Quando voltava para o carro, com a câmara desligada e a tampa da lente in situ, um jovem casal cruzou-se comigo. Foi naquela ruazinha entre a Praça Carlos Alberto e o Largo do Moinho de Vento cujo nome nunca me deu para guardar na memória. O rapaz, um jovem dos seus vinte e quatro ou vinte e cinco anos (ou talvez mais, agora os jovens mantêm um ar adolescente até aos trinta), dirigiu-se-me em inglês. Queria que fizesse uma fotografia dele e da namorada, uma rapariga belíssima que, como me informou o namorado, é modelo. Claro que aceitei. Só tive pena de não ter comigo a OM de 50mm, para ter menos profundidade de campo. Devo dizer que foi a primeira vez que isto me aconteceu: normalmente obtenho olhares irados quando me aproximo de alguém com a câmara nas mãos, e não interpelações simpáticas. Depois de os fotografar, perguntei-lhes como é que lhes fazia chegar as fotografias. Foi então que percebi por que não consigo fazer fotografias jovens: porque estou velho. O rapaz sugeriu-me que gravasse o seu endereço de e-mail no telemóvel - ele afinal era português, e nós ali a falar inglês! -, e eu apenas fui capaz de produzir uma demonstração patética de incapacidade de lidar com um telemóvel. Senti-me inadaptado, ultrapassado e incapaz de acompanhar os tempos atuais. Um verdadeiro fóssil.
Entretanto, a meio da sessão fotográfica passara pela loja onde comprei as minhas lentes OM. Conversei um pouco sobre fotografia, câmaras e lentes. O dono da loja, a meu pedido, deixou-me mexer um pouco numa OM-1. Meu Deus, eu quero uma daquelas câmaras! Além de ser belíssima, tem um visor óptico de uma limpidez que nunca vi numa DSLR moderna. E sentir o peso perfeitamente equilibrado e aquela sensação de qualidade nas minhas mãos... Comprar aquela câmara seria o reconhecimento da minha condição de geronte, e traria a despesa e a maçada das revelações, mas senti que aquela é que é uma câmara para um homem da minha idade. É um facto: sou um cota. Tenho de começar a pensar no centro de dia mais adequado...
Nessa loja estava um homem, daquelas pessoas que não encontram nada melhor para fazer que não seja passar os dias a conversar com o dono da sua loja favorita. Curiosamente, esse homem tem uma Olympus E-P1, o mesmo modelo da câmara que eu trazia pendurada no pescoço. A conversa incidiu sobre a primeira das Pen digitais. Aquele homem foi o primeiro proprietário de uma E-P1 que conheci em pessoa. (Há vários a visitar os mesmos websites e blogues que eu.) Foi uma conversa interessante, que reforçou ainda mais a impressão de que tenho uma excelente câmara. É uma câmara para velhotes como eu e o homem da loja: apesar de ser digital, é simpática para com os utilizadores de lentes de focagem manual. Acima de tudo, é uma câmara que, apesar de ter funções que apelam aos fotógrafos habituados às compactas (e quantos milhares de E-P1 não andarão aí nas mãos de gente que as usa sempre no modo automático e não faz ideia de que pode usar outra lente para além da que vinha na caixa?), é também uma câmara que tem um encanto especial para os fotógrafos puros e duros (galicismo estúpido!) que querem boas fotografias sem ter a maçada de as processar, saindo diretamente da câmara com um bom nível de qualidade. Claro que a E-P1, nos tempos que correm, é uma câmara do passado: já foi lançada há quase três anos, não tem visor nem flash incorporados, a resolução é só de 12,3 MP, não tem uma porta para acessórios como a E-P2, etc. E nem sequer me referi ao facto de ter um sensor que alguns acham ter a área de um grão de areia (e dos pequenos, daqueles que se metem no cabelo nas praias de areia fina quando está vento). Uma câmara velha e ultrapassada. Como eu. Talvez seja por isso que me sinto tão feliz por ter uma.
Curiosamente, ontem descobri um ensaio crítico sobre a E-P1 feito na semana passada por um tal Carl Garrard. Fazer uma recensão de uma câmara com quase três anos é ainda mais estranho do que comprar uma, mas foi interessante confrontar as minhas impressões com o que li e ver que tudo coincidia. O ensaio é extremamente elogioso, mas que significa isso? Há tanta gente a escrever disparates nos seus blogues; este homem com apelido de gira-discos do passado pode ser apenas mais um entre esta multidão - à qual eu se calhar pertenço. Há tempos li um artigo de um fotógrafo que apodava câmaras como a minha de point and shoots (as point and shoots são aquelas compactas minúsculas que os turistas pé-rapado costumam usar). Há gente tonta a ponto de escrever sobre o que não conhece, e a fazê-lo com tom doutoral. Ao menos neste aspeto a idade é-me favorável: tive mestres que me obrigavam a fundamentar as minhas afirmações, obrigação que cumpro com todo o zelo possível. Em todo o caso - e voltando à recensão de C. Garrard e ao homem na loja -, é bom ver que há gente que consegue pensar numa câmara em termos daquilo de que ela é capaz, em lugar de as avaliar pelas suas especificações técnicas. Em que ponto exato é que a fotografia deixou de ser uma arte para se tornar num hobby para tarados da tecnologia? 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O meu equipamento (atualizado)

O segundo texto deste blogue foi sobre o meu equipamento. Para quem clama que o equipamento é secundário, esta é uma verdadeira manifestação de coerência... na verdade, aprendi que o equipamento não é o mais importante durante a minha aprendizagem (que ainda não acabou), e naquela altura estava entusiasmado com a recente mudança para uma câmara decente, entusiasmo que quis partilhar no ciberespaço.
Seja como for, hoje tenho mais equipamento que nessa altura e, de resto, ninguém leu aqui que o equipamento não é importante. É-o, mas sob condição de não deixar que se torne numa obsessão e de se ter em mente que o mais importante, em fotografia, é fazer fotografias. Desde o texto anterior, datado de junho do ano passado, o meu equipamento cresceu em quantidade e qualidade, pelo que, mesmo se é certo que escrevi sobre tudo o que adquiri em textos anteriores, fica aqui uma lista atualizada e respetivos comentários:

A câmara

Continua a ser a Olympus E-P1. Quero manter esta câmara enquanto ela durar. Tem caraterísticas fantásticas: as imagens saídas da câmara - i. e. não editadas - são excelentes, sendo mínimo o trabalho de edição que requerem. Por vezes pouco mais faço que aumentar um pouco o contraste, e há mesmo fotografias que vão para o Flickr tal e qual como foram descarregadas da câmara. As cores são excelentes: sendo saturadas, são precisas e naturais. A resolução é boa - se não mesmo muito boa -, mas noto que fica algo atrás das melhores DSLR. Os controlos são interessantes - a E-P1 controla-se como uma DSLR -, embora alguns comandos devessem ser mais acessíveis. Não gosto de ter de carregar cinco vezes num botão para obter a ampliação da imagem quando foco manualmente, nem de ter apenas um botão configurável. É uma câmara bonita (já houve gente que me veio perguntar se era uma Leica!) cujos únicos defeitos são uma certa tendência para aquecer em sessões fotográficas longas, o nível de ruído da imagem mesmo com sensibilidades ISO relativamente baixas (que pode ser controlado usando exposições corretas) e a ausência de um visor. Não sei se é uma sensação subjetiva causada por alguns artigos que leio na Internet, mas começo a sentir a necessidade de um visor - daí que, nos dois últimos fins de semana, tenha usado o VF-1 em conjunto com a lente de 17mm para que está calibrado. Quanto à beleza, uma vez comentei que era a câmara mais bonita do mercado, apenas superada pela Fuji X100 e pelas Leicas M8/9. Alguém de cujo bom gosto não duvido disse-me que a E-P1 era mais bonita que estas últimas. A E-P1 ficou em primeiro...

As lentes

Tenho nem mais nem menos que cinco lentes - e utilizo-as todas! A primeira, a que vinha na caixa com a câmara, é a 17mm/f2.8 Pancake. É uma lente barata, mas muito melhor do que se pode esperar de uma lente que vem com a câmara. É, possivelmente, a lente que mais utilizo, e é insubstituível para fotografia de rua. A segunda é a teleobjetiva zoom 40-150, que foi a mais cara de todas as que comprei. Requereu algum tempo de aprendizagem, e só aprendi a lidar com ela depois de ter o zoom 75-300 (ver adiante); agora que a compreendo melhor, tenho-a utilizado com muito mais frequência. Como todas as teleobjetivas, tem uma profundidade de campo reduzida e o seu desempenho óptico é afetado quando há neblinas na paisagem que se quer fotografar, tendendo para imagens pouco definidas e contrastadas. Dentro da sua utilização normal, porém, é uma lente de enorme qualidade de imagem por um preço muito interessante.
Depois há as lentes de focagem manual. A primeira foi a OM 28mm/f3.5, que me ensinou o que são a profundidade de campo e a focagem manual; depois veio a OM 50mm/f1.4, uma lente prodigiosa que considero ser a melhor de todas as que tenho, sejam automáticas ou manuais. E, já no início deste ano, comprei a mastodôntica Vivitar 75-300/f4.5-5.6, a única lente não-Olympus. Ainda não tiro partido dela como gostaria: preciso de um acessório que permita montá-la diretamente no tripé, porque o seu peso faz o painel dianteiro da câmara ceder, o que dificulta a focagem. Contudo, o alcance desta lente e a sua qualidade de imagem são verdadeiramente prodigiosos. Um autêntico telescópio.
Claro que, para montar estas três últimas lentes na câmara, preciso de um adaptador. As lentes do sistema OM não podem ser montadas diretamente na câmara por serem mais largas que a baioneta do sistema Micro 4/3; daí que tenha comprado o MF-2 da Olympus. Podia ter comprado mais barato, porque há inúmeros sucedâneos, mas este dá-me maiores garantias e é uma belíssima peça de engenharia de precisão.
A única lente que me falta é uma grande-angular na ordem dos 9-12mm. Uma fish-eye também seria interessante, embora o seu uso seja necessariamente limitado. Contudo, as lentes que tenho neste momento satisfazem praticamente todas as minhas necessidades, e todas são excelentes.

Os acessórios

Questão prévia: será que o tripé é um acessório? «Acessório» é o antónimo de «essencial», e a verdade é que é impossível fazer fotografias decentes à noite sem tripé. Aliás, até durante o dia pode ser útil. O meu tripé é um Triopo de fibra de carbono com cabeça separada. Foi, possivelmente, o melhor negócio que fiz depois da aquisição da câmara. A cabeça é outra obra prima de engenharia; a despeito de ser uma imitação de um modelo da Arca-Swiss, também é verdade que custa dez vezes menos que esta última. É incrivelmente versátil e precisa. Estou maravilhado com aquilo que este tripé leve, robusto e estável consegue fazer.
O acessório com que estou mais descontente é o flash, o Olympus FL-14. É bonito, e fica a matar montado na E-P1, mas é fraquinho (o GN 14 significa que não ilumina corretamente mais que uma trintena de centímetros a 100 ISO) e pouco útil para os géneros de fotografia a que me dedico. A Olympus tem agora um flash mais poderoso e mais barato, o FL-300R, mas quando precisei de comprar um flash este não estava disponível. A distribuição da Olympus em Portugal é execrável.
Tenho dois sacos (ou melhor: um saco e uma mochila) da Lowepro. Ambos são excelentes; a mochila permite-me acomodar todo o equipamento sem ter de o amontoar, o outro uso-o sempre que não necessito do tripé. São sacos versáteis, que podem ser configurados de inúmeras maneiras, com um acolchoamento que garante que o equipamento não será danificado em caso de embate. A mochila tem a vantagem suplementar de ser incrivelmente anatómica, permitindo fazer longas caminhadas sem dar pelo peso (5 quilos!) que carrego. Claro que ter uma mochila é a confissão de uma pequena derrota, porque contradiz os argumentos do peso e do volume que são enunciados quando se compara o sistema micro 4/3 com os DSLR - mas, se tivesse uma DSLR e cinco lentes com as caraterísticas das minhas, teria de deixar material em casa quando fosse fotografar.
Tenho também dois filtros polarizadores, um Hama de 37mm e um Hoya de 58mm, sendo que este último sofreu um pequeno acidente que o deixou riscado durante uma sessão fotográfica na Serra da Freita. Apeteceu-me espancar-me a mim mesmo! Tenho também um filtro UV de 49mm para as prime de 28 e 50mm, mas nunca me lembro de o usar. Sem esquecer o visor óptico VF-1, a que já me referi e que vou passar a usar sempre nas minhas sessões de fotografia de rua, a despeito dos erros de paralaxe. O cartão de memória é um Sandisk de 8 GB, e tenho ainda dois párassóis para as OM. Os restantes acessórios são um soprador Hama, uma escova para as lentes, um pano de limpeza de óculos (para o caso de alguma lente ficar seriamente manchada) e um cartão branco para calibrar o equilíbrio dos brancos nas poucas ocasiões em que o modo automático e as configurações da câmara produzem resultados insatisfatórios. Com todo este material, não tenho desculpas para tirar más fotografias - desde que a inspiração esteja presente, claro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Olympus E-M5 e eu

Antes de mais, cumpre informar que, de acordo com um leitor ocasional e comentador deste blogue, eu sou pago para elogiar a Olympus e dizer mal das outras marcas neste blogue. Como decerto já se apercebeu toda a gente que leu o que escrevi aqui sobre a Fuji X-Pro1, a Canon 60D, a Nikon D7000, a Leica M9 e a Pentax K-5. O problema é que o tesoureiro da Olympus ainda não me mandou nenhum cheque. Se calhar gastaram o dinheiro todo a comprar aquelas empresas de Tupperwares e cremes faciais para ocultar os prejuízos e agora não têm como me pagar. Ou então ainda ninguém os avisou da existência deste contrato.
Quando a Olympus liquidar os meus honorários, vou finalmente comprar uma câmara nova. Ou não. É que a Olympus OM-D E-M5 (que só não recebe o troféu para a designação de modelo mais estúpida do mundo porque já existe a Pentax KO 1) deixa-me a lutar contra uma certa sensação de ambivalência. Não que seja feia - se dissesse que esta câmara é feia, que adjetivo poderia usar para qualificar a Pentax KO 1? -, mas o seu design tem qualquer coisa de pastiche. É uma câmara que pretende ser a continuação da linha das OM, mas isto não será a tentativa de ressuscitar um cadáver? É que a E-M5 não é uma OM: estas eram analógicas, a OM-D é digital. Como escrevi anteontem, tudo as separa - exceto o fabricante e a semelhança das linhas. A minha ambivalência vem do facto de esta câmara não me parecer tão atraente como a minha - a despeito de considerar a OM-1, em que a E-M5 se inspira, uma das câmaras mais bonitas alguma vez produzidas.
Afora isto, a verdade é que a câmara é bonita. Muito bonita. Ver as suas primeiras imagens, porém, não me causou o mesmo impacto que ver as da Pen E-P1, que me despertaram instantaneamente o desejo de ter uma. Aliás, creio que a E-P1 continua a ser mais elegante que estas pretensas OM digitais. Simplesmente, tenho de me colocar na posição de potencial comprador, o que implica olhar mais às diferenças técnicas entre as câmaras do que à estética e ver em que pode a evolução que a OM-D inequivocamente representa ajudar-me a fazer fotografias melhores.
Antes de mais, esta câmara tem um visor. Aquela bossa acima da lente abriga as entranhas do visor eletrónico VF-2. Convenhamos que o resultado estético é mais interessante que uma E-P2 com o VF-2 montado, mas ao que se diz o visor da E-M5 é ainda melhor que o VF-2, que de resto até tinha boa reputação. E, como referi no texto de domingo, não há nada como fotografar com um visor. É pena que não seja óptico, mas qualquer visor é melhor que usar o ecrã para fotografar.
Depois há o sensor. Eu não entro na guerra de tamanhos, que me lembra obsessões de rapazes pré-adolescentes, mas a verdade é que a OM-D usa um sensor mais evoluído e com melhor desempenho que o da E-P1 em matéria de ruído. Uma câmara com melhores resultados neste particular seria muito bem-vinda.
Se comprasse esta câmara, dificilmente sentiria diferenças quanto à funcionalidade. É certo que perde o comando principal da E-P1, aquela roda à volta do seletor principal - mas ganha um seletor que faz o mesmo, apenas com a forma de um disco montado sobre o painel superior, como as velhas SLR. O cilindrozinho que faz de comando secundário na E-P1 é também substituído por um disco rotativo, mas montado na parte dianteira do painel superior da câmara. É mais retro - os comandos desta câmara evocam as OM originais e a Fuji X100 - e, paradoxalmente, mais DSLR, porque é neste lugar que as reflex têm o seu comando rotativo: junto ao botão do obturador (botão que, no caso da E-M5, é mesmo sobre o comando secundário). O resultado é esta câmara assemelhar-se às câmaras vintage, embora os comandos selecionem funções mais contemporâneas (como a compensação da exposição ou a abertura do diafragma). Com estas modificações, o funcionamento em modo manual pode ser ainda mais divertido do que na E-P1. E teria outra vantagem: dois botões Fn, com os quais poderia personalizar funções de uma maneira que a E-P1 não permite. Por exemplo, gostava de ter comutação de focagem automática para manual e a calibração do equilíbrio dos brancos sem ter de escolher entre uma ou outra, porque a E-P1 só permite fazê-lo com o botão Fn. Ter dois botões para estas funções seria extremamente prático, já que não são poucas as ocasiões em que uso lentes de comando manual e de focagem automática na mesma sessão.
Outra vantagem seria poder usar um punho e uma bateria suplementar, algo a que a E-P1 não teve direito. Além da melhoria ergonómica - poderia fotografar na vertical de uma maneira muito mais cómoda -, teria uma autonomia muito maior, dispensando a compra de uma bateria suplementar. Poderia ter sessões de fotografia muito mais tranquilas, sem o risco de ter de acabá-las mais cedo por ter ficado sem bateria. 
Quanto ao resto, não me interessam o vídeo, o número de fotogramas por segundo nem o ISO 25600 (que deve produzir imagens ótimas para quem queira tirar fotos parecidas com os quadros de Seurat). A focagem automática pode ser muito rápida, mas esta velocidade apenas interessa se conseguir acompanhar objetos em movimento rápido, o que a deteção de contraste nem sempre consegue fazer. O facto de ser resistente à chuva é interessante, mas não o considero decisivo (e de pouco me adiantaria, porque não tenho nenhuma lente que também o seja).
É evidente que ficaria mais bem servido com a E-M5, mas eu não quero nem preciso de ter duas câmaras, nem tenho vontade de desfazer-me da E-P1. Podia encomendar hoje mesmo uma E-M5 na Amazon - embora ficasse completamente teso -, mas não vou fazê-lo. Seria um desperdício. A OM-D é certamente bonita, e não tenho dúvidas que é superior à minha câmara - mas tenho, como já referi por diversas vezes, um fraco pela E-P1. Talvez quando esta der o último suspiro adquira uma OM-D - que, nessa altura, já deverá ir na versão E-M8, com evoluções relativamente à câmara que hoje foi apresentada.
Apesar de tudo, acredito que esta câmara possa ser um sucesso. E, quem sabe, pode até estabelecer o micro 4/3 como o formato de referência entre as câmaras mirrorless e, pelo caminho, restabelecer a reputação da Olympus. Estou ansioso por ver os primeiros testes de imagem. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Filtros artísticos e outras diversões

Fotografar pode e deve ser divertido. Só há relativamente pouco tempo, depois de sentir que tenho um mínimo de domínio da técnica fotográfica, é que me permiti explorar os filtros artísticos da E-P1. Até agora apenas experimentei dois, por serem os que me parecem mais interessantes: Pop Art e Grainy Film.
O filtro Pop Art produz a solarização das cores, causando uma saturação intensa que, não evocando de imediato a lata de sopa da Royal Company que Andy Warhol pintou, é contudo bastante divertida. E, se for bem aproveitado, este filtro produz efeitos imensamente interessantes. O ideal para fotografar graffiti!
Se já tinha feito algumas experiências com o Pop Art, tendo-o abandonado para melhor me concentrar em fazer fotografias sérias, já o Grainy Film é uma descoberta recente: comecei a usá-lo este ano. Este filtro procura reproduzir o efeito das fotografias dos anos 20, com um grão intenso e um contraste muito acentuado. E, em muitos casos, é capaz de bons resultados; nos outros casos, o excesso de contraste leva a que as altas luzes surjam estouradas e as zonas sombreadas demasiado escuras - mas é possível, mesmo assim, jogar com estas características para obter efeitos curiosos.
Comum a estes dois filtros é o facto de o controlo da exposição ser automático, o que retira algum do gozo de fotografar, mas os resultados podem ser extremamente divertidos - especialmente quando se fotografam motivos coloridos com o Pop Art. Além desta subtração ao controlo do fotógrafo, o filtro Grainy Film demora uma eternidade a escrever para o cartão de memória - a ponto de surgir uma barra de status no ecrã acompanhada da frase «um momento». E também demoram a descarregar para o computador e a fazer upload. Um ficheiro de imagem com este filtro pode ultrapassar os 5 megas!
Neste sábado tive uma sessão de fotografia diferente: resolvi que queria fotografar apenas, sem me preocupar com os aspetos técnicos. Apenas levei comigo a 17mm e o visor óptico. Apesar dos erros evidentes de paralaxe - que, curiosamente, se manifestam mais no plano horizontal que no vertical -, fotografar com um visor é uma experiência insubstituível: tem-se uma noção do enquadramento muito superior à que o ecrã dá, o que - se descontarmos a paralaxe - contribui para que fotografar seja um prazer ainda maior e para uma sensação visual que o ecrã é incapaz de dar. O visor permite também fotografar de maneira mais estável, ao melhorar a posição dos braços, que ficam mais chegados ao tronco, e constituir um ponto de apoio suplementar. Resultado: quero uma câmara com visor - seja ele óptico ou eletrónico!

sábado, 7 de janeiro de 2012

As DSLR e eu

Hoje tive nas mãos uma câmara exactamente igual à da imagem acima, cortesia do meu amigo Vicente. Uma Nikon D7000 com uma lente 18-105. Não me intimidou: rodei o botão selector de modo para M, e descobri intuitivamente como se regulavam a abertura e a velocidade do obturador, assim como aprendi facilmente a consultar o valor de exposição (que é uma régua, e não expresso em algarismos como nas Olympus). Com umas consultas ao manual, creio que poderia dominá-la rapidamente. Estou absolutamente certo de que é uma grande câmara. O único defeito que detectei foi quanto à ergonomia, uma vez que o dedo médio da mão direita não encaixa lá muito bem na pega, mas esta é de dimensões muito confortáveis. Nem sequer me preocuparam as questões estéticas, às quais atribuo grande relevo: quando se tem um olho no visor e o outro fechado, a estética deixa de ter importância. Não posso dizer que senti inveja, ou aquela sensação deprimente que se tem quando experimentamos algo que não está ao nosso alcance: apenas que temos abordagens diferentes quanto ao equipamento. Eu aceito um ligeiro compromisso, trocando um pouco de resolução absoluta por mais portabilidade e prazer estético, o V. vai em busca do melhor material que pode obter. Não me resta qualquer dúvida que a Nikon é superior à minha E-P1, mas estou satisfeito com o material que tenho (excepto o tripé...) e, com as lentes que tenho, não me parece que fosse uma boa ideia adquirir uma DSLR. Não quero ser um coleccionador de câmaras: basta-me uma. (Já as lentes é outra questão...)
Há dias namorei uma outra reflex, desta vez a Canon 60D, que tinha a particularidade de trazer uma lente muito promissora: a 17-55 USM, com abertura constante de f2.8. Por um preço deveras interessante, diga-se. Era um negócio que eu faria de imediato, se tivesse o dinheiro necessário e muita vontade de adquirir uma câmara daquelas. Já escrevi aqui sobre esta câmara, e afirmei que seria a câmara que adquiriria se quisesse uma reflex e tivesse dinheiro para investir num corpo que ronda os €1000.
As câmaras reflex, ou DSLR, têm uma vantagem enorme em relação à minha: o visor óptico. Compor a imagem através de um visor que o mesmo que a lente é uma vantagem considerável em relação a compor num ecrã LCD. E é também benéfico do ponto de vista ergonómico, uma vez que permite uma posição mais estável e menos cansativa que segurar a câmara à distância: sempre é um apoio suplementar. Os problemas das DSLR são as suas dimensões e o preço das lentes. Comprar uma grande câmara para depois a usar com lentes como as 18-55 que habitualmente se adquirem conjuntamente com o corpo seria um disparate, e seguir a via de adquirir lentes usadas, como faço com a Olympus, não faria sentido porque não aproveitaria o  grande benefício de uma DSLR - a rapidez.
Outro inconveniente é o facto de as DSLR poderem vir a tornar-se obsoletas muito em breve. Os progressos feitos com as mirrorless levam-me a crer que as reflex poderão ser ultrapassadas em benefício de câmaras muito mais pequenas e manuseáveis. A Sony NEX-7 e a futura FujiFilm X-Pro1 são câmaras que vão fazer evoluir o conceito mirrorless - especialmente a Fuji, se for confirmado que vai ter um visor híbrido (comutável entre óptico e electrónico). E diz-se que a Olympus está a preparar uma câmara micro 4/3 com um visor incorporado. Não tenho dúvidas que o futuro está nas mirrorless, e que as DSLR se resumirão em breve ao mercado das câmaras profissionais e semiprofissionais.
Voltando à Nikon do V.: a facilidade com que a manuseei, ao invés de me fazer invejá-la, fez-me perceber que a E-P1 é uma boa câmara que faz praticamente tudo o que uma reflex faz. A minha câmara ensinou-me a fotografar e fez-me aprender a controlar uma câmara, por mais complexa que esta seja. Não estou disposto a trocá-la tão cedo e, mesmo que a vida me permita adquirir uma câmara melhor - fantasia recorrente que embate sempre na questão e eu preciso de uma câmara melhor? -, quero mantê-la enquanto ela durar. É uma câmara bonita e divertida de usar. E, acima de tudo, é uma máquina fotográfica extremamente competente e capaz de imagens de enorme qualidade. Sinto-me preso a ela por um vínculo ainda mais forte que o matrimónio!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Focagem manual nas Olympus Pen

Já referi aqui que sou um fotógrafo da era da focagem automática, apesar de ter nascido e crescido na era analógica. A focagem manual ainda é muito errática, e os seus resultados frequentemente incertos, pelo que devo confessar que senti uma certa dose de frustração quando, ontem de tarde, tentei fazer fotografia de rua usando a focagem manual. Senti-me como a personagem Virgil, do filme de Woody Allen O Inimigo Público n.º 1, numa cena em que tentava tocar violoncelo numa banda durante um desfile...
Felizmente a Olympus teve a amabilidade de pensar nos maluquinhos que, como eu, insistem em usar lentes de focagem manual nesta era de sofisticação robotizada em que até as lentes são altamente computorizadas. Há uma maneira de obter uma focagem manual precisa, a que a Oly chama, prosaicamente, «MF Assist». Esta função é activada, nas lentes do sistema Micro Quatro Terços, com um simples toque no anel de focagem, mas hoje descobri, com grande entusiasmo e excitação, que pode também ser accionada com lentes não motorizadas.
Não posso dizer que a função a que me refiro é muito simples, porque na verdade não é, mas é incrivelmente útil: permite aumentar até dez vezes uma área determinada da imagem, a partir da qual se torna muito mais prático focar - até porque, como já referi, o ecrã da minha E-P1 não tem uma resolução extraordinária, o que dificulta a obtenção de uma focagem exacta. Para aceder à função, pressiona-se o botão INFO, a vermelho na imagem, por cinco vezes (penso que é possível modificar esta configuração, mas implica uma penosa consulta do manual...) até surgir um pequeno rectângulo verde. Este rectângulo, que se pode mover ao longo da imagem, define a área que vai ser ampliada. Uma vez seleccionada a área, prime-se o botão OK (assinalado a azul na imagem): a área é ampliada dez vezes, embora se possa reduzir o factor de ampliação para sete. Depois é só rodar o anel de focagem até o objecto ficar nítido. Está bom de ver que isto não serve para objectos em movimento, mas é útil e bem pensado.
Ainda bem que a Olympus teve a amabilidade de oferecer esta função. A sua inclusão reforça a minha convicção de que, apesar de todos os defeitos que lhe costumam apontar, a E-P1 - tal como a sua irmã E-P2 - é uma câmara extremamente bem concebida. O facto de se terem lembrado dos fotógrafos que possuem lentes antigas só abona a favor do fabricante.
Já que menciono o fabricante: a fazer fé em rumores que circulam na Internet, a Olympus vai alienar o negócio das câmaras à Panasonic, famosa pelos seus aspiradores e pilhas. Espero que o boato não se confirme. Seria muito triste que um fabricante com quase cem anos vendesse a sua história de produtos extraordinários a uma marca tão foleira. Era como se a Hyundai comprasse a Alfa Romeo... 

sábado, 2 de julho de 2011

Olympus PEN E-P1: clássico ou falhanço?

Escrevo isto um dia depois de ter sido apresentada a nova Pen E-P3. É possível que, com a continuidade da família E-P, a minha câmara se torne num clássico da fotografia, como o foram a OM-1 ou a Trip 35. É possível que a substituição da Pen E-P1 pela E-P2 ao fim de apenas cinco meses, e o lançamento da E-P3 depois de um ano e meio de produção da E-P2, signifiquem que a E-P1 foi um fracasso. Ambas as proposições são plausíveis. O formato Micro Quatro Terços parece ter vindo para ficar, o que pode conferir à E-P1 o estatuto de futuro clássico - por ter sido a primeira -, mas parece-me que o mais provável é que tenha sido um falhanço.
É preciso ser justo e começar por dizer que a Olympus Pen E-P1 é uma câmara extremamente capaz em termos de qualidade de imagem, rivalizando, mediante determinadas condições, com câmaras como a Canon 1000D. Esteticamente é a câmara mais bonita que a Olympus já fez, e o seu design só é superado pelo da FujiFilm X100 e pelas Leicas M8 e M9. Por vezes ainda me acontece ficar a olhá-la embevecido, admirando a coerência do design, a harmonia das linhas e a perfeição dos acabamentos. É uma câmara divertida de utilizar, ergonomicamente bem pensada (aquele comando vertical, que uso para regular a abertura, é simplesmente genial) e tirar fotografias com ela é um verdadeiro prazer. As cores da Olympus são magníficas, muito vivas mas sem perderem a naturalidade, e a definição é verdadeiramente excepcional. É também uma câmara com a qual se pode ser criativo, já que tem os mesmos comandos e modos que as reflex de acesso. Na verdade, há algumas semanas fui ao Centro Português de Fotografia com um amigo que tem uma 1000D. Comparando as fotografias que tirámos, as únicas em que a Canon tinha vantagem eram aquelas tiradas em lugares pouco iluminados, em que o meu amigo usou o flash; em todas as outras, a E-P1 mostrou-se, no mínimo, igual. (Para dizer a verdade, estou a ser simpático e humilde: as fotos que tirei trucidam as do meu amigo!)
Centro Português de Fotografia, antiga Cadeia da Relação, Porto
A falta de um flash não me perturba - o máximo que poderia instalar seria um flash com um GN 14, o que é pouco melhor que o GN 12 da maioria dos flash incorporados nas reflex -, e também não sinto muito a falta de um visor (outra omissão criticada à E-P1). O que me perturba, na minha câmara, é o ruído na imagem quando a luz é escassa, e este é um problema que a afecta até quando se usa o ISO no mínimo. E não há maneira de remediar este problema: o uso do redutor do ruído ou a regulação do filtro para o máximo ajudam a eliminar algum excesso de ruído - à custa dos pormenores subtis, que ficam esbatidos e indefinidos. Há dias fui fotografar à noite e esqueci-me de regular o ISO para o mínimo - dois dias depois de ter estado a fotografar uma cascata com ISO 400. O resultado foi um verdadeiro desastre: todas as fotografias ficaram inutilizadas pelo nível de ruído!
O outro grande problema é a focagem. Com a pancake de 17mm, a focagem é bastante rápida, mas com a 40-150 é desesperante. Se a velocidade fosse o único problema da focagem, nem sequer seria grande motivo de queixa, mas a Pen E-P1 recusa-se a focar automaticamente quando a luz natural começa a desaparecer. É um espectáculo patético ver a lente andar para trás e para diante à procura de um ponto contrastado para focar, e no fim acabar por se recusar a fazê-lo. (Curiosamente, já utilizei o disparo sequencial e o desempenho da câmara é bastante aceitável: vá lá perceber-se isto...) É necessário referir que a primeira coisa que fiz com a câmara, depois de carregar a bateria - o que também não é nada rápido... -, foi ligá-la ao computador e descarregar a última versão de firmware (1.4), que pretensamente melhorou a focagem. Nem quero imaginar como seria o desempenho da E-P1 com a versão 1.0!
Prefiro encarar a minha relação com a Pen como as relações humanas e aceitar as suas imperfeições, tal como aceito os defeitos das pessoas. A questão que devo ponderar é até quando vou poder viver com estes defeitos: será o divórcio inevitável, ou aprenderei a ser tolerante e a conviver com a minha parceira de aventuras fotográficas? Uma coisa é certa - a paixão já arrefeceu. O prazer de fotografar mantém-se, mas com uma nuvem carregada pairando sobre ele.
A Pen E-P3
Quanto à E-P3, não me parece que valha a pena substituir a E-P1 por ela. Andei pela Internet e dei com as famosas comparações em estúdio da Digital Photography Review. O desempenho da E-P3 com níveis elevados de ISO é simplesmente lamentável. Provavelmente a culpa é do tamanho do sensor, ou de um filtro de ruído deliberadamente pouco intrusivo para não se perder demasiado pormenor - não sei dizer ao certo. O que sei é que não se justifica fazer o upgrade, até porque a qualidade da imagem não constitui uma evolução da noite para o dia em relação à E-P1. Pelo contrário, é difícil descobrir diferenças entre as imagens produzidas por ambas. O problema está, provavelmente, no próprio formato Micro Quatro Terços, que é, sem dúvida, uma evolução notória em relação às câmaras compactas, mas tem limitações indisfarçáveis. A minha próxima câmara será uma reflex. E não sei se será uma Olympus - a menos que façam uma DSLR com um estilo reminiscente da OM-1. 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Como fotografar em M na Olympus Pen E-P1

Os tipos que conceberam a Olympus Pen E-P1 (e a E-P2, que não é mais que uma evolução da primeira) pensaram em pormenores que, parecendo insignificantes, são contudo de uma utilidade enorme. É o caso do duplo comando que surge no painel posterior da câmara, um no canto superior direito (assinalado a vermelho), outro no lugar onde se encontra o selector de funções, em baixo, do lado direito (a azul).
Estes comandos são extremamente práticos: o comando principal (azul) é uma roda que envolve o selector em cruz. Este comando pode servir uma multiplicidade de funções, sendo configurável pelo utilizador em cada um dos modos de exposição avançados (PASM). Nos ensaios que li na Internet, quase toda a gente se queixou que era muito fácil accionar outros comandos por engano ao rodá-lo, mas eu, que até nem tenho uns dedos especialmente finos ou pequenos, nunca senti esse problema: o comando responde extremamente bem e é fácil e rápido de actuar. E, nas DSLR, é preciso subir muito na gama de preços para encontrar comandos rotativos como este...
O outro comando, o secundário (a vermelho na imagem acima), é um pequeno cilindro metálico extremamente bem pensado do ponto de vista ergonómico e que se caracteriza pelo seu accionamento preciso - embora, nos primeiros dias, se apresente um pouco perro. Normalmente - i. e. no modo P -, este comando actua sobre a compensação de exposição, embora seja possível configurá-lo para outras funções. Quando se visualizam fotografias no ecrã, o comando secundário serve para ampliar a imagem (rodando para a direita) ou para apresentar as imagens sob a forma de miniaturas.
O uso destes dois comandos torna a tomada de imagens no modo manual - que, normalmente, pode assustar o neófito - numa operação de uma simplicidade quase desconcertante: o utilizador pode configurar o selector primário e o secundário para regular a abertura e a velocidade de disparo sem ter de premir botões ou navegar por menus complicados. No meu caso, uso o selector primário para a velocidade do disparo e o secundário para regular a abertura.
É relativamente simples configurar estes comandos: basta, usando o botão direito do selector em cruz para navegar pelo menu, seguir o esquema
MENU>DEFINIÇÕES>BOTÃO/SELECTOR>FUNÇÃO SELECTOR>M>
(em que DEFINIÇÕES é o penúltimo ícone da barra vertical do lado esquerdo, representado por duas rodas dentadas).
Depois é escolher uma de duas opções: ou se põe o selector primário a regular o valor f e o secundário a velocidade do disparo, ou vice-versa.
Como vêem, nada podia ser mais simples. Eu devo dizer que, nos dias que precederam a compra da minha E-P1, receei que o seu uso fosse demasiado complicado (a Pen E-P1 é, na verdade, uma DSLR E-30 sem espelho e pentaprisma) e pudesse demorar meses a aprender a usá-la, mas os meus receios eram infundados. Quando comecei a usá-la, tudo se tornou simples logo nos primeiros dias. Usar a E-P1 é simples e intuitivo - desde que se use o chamado super painel de controlo, e não o complicadíssimo sistema de menus do live view.
Agora não têm desculpas para não fotografar no modo M...