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sábado, 2 de junho de 2012

Como lidar com uma superteleobjectiva

Se não ficasse demasiado comprido, o título deste texto seria «Como lidar com uma superteleobjectiva de focagem manual». Lidar com uma teleobjectiva já é difícil, mas a focagem manual vem multiplicar essa dificuldade por dois. 
Como sabem, ontem resgatei a Vivitar 75-300mm/f4.5-5.6; para não ter uma objectiva metida numa gaveta, nem deixar que aquela se torne num bibelot inútil, decidi que havia de aprender a tirar partido deste mastodonte. (A câmara, equipada com esta lente e o adaptador, fica a pesar 1,280 kg, e não cabe no meu saco mais pequeno!) Esta manhã fiz diversas fotografias no Jardim Botânico, sem esperar bons resultados. Estava nublado, pelo que as velocidades do disparo, mesmo com a abertura em f4.5, raramente excediam 1/125, o que, se dificultou a precisão da focagem, também serviu como treino para aprender a segurar a câmara e a lente (não levei o tripé). Um dos benefícios que esperava de uma teleobjectiva que atinge 600mm de distância focal efectiva era uma profundidade de campo reduzida, mas a verdade é que não obtive melhores resultados do que quando uso a OM de 50mm (100mm efectivos). Porquê? Por causa da abertura, que é muito mais importante do que a distância focal em matéria de profundidade de campo. f1.4 é imbatível - tanto que chega a ser injusto comparar ambas as lentes.
Então o que pode a 75-300 dar-me que as outras não dêem? Numa palavra: alcance. Esta teleobjectiva é portentosa: consigo grandes planos a 20 metros de distância, e preencho o enquadramento a distâncias que me obrigariam a aproximar-me do objecto com outras lentes. Isto significa que posso usar uma distância de focagem mais extensa, embora à custa de uma compressão drástica da perspectiva em todos os planos. Se quisesse fazer a fotografia ao lado com a OM de 50mm, teria de ter entrado na água - o que, convenhamos, seria um pouco desagradável.
Outra vantagem desta lente é o facto de oferecer imagens de enorme nitidez. Este é um aspecto que só pude confirmar depois de aprender a segurar a câmara com esta objectiva montada com um grau suficiente de firmeza, mas mesmo assim é necessário ter em conta que esta é uma lente de focagem manual. E, mesmo com a ajuda à focagem, é difícil visualizar a imagem correctamente por causa da tremedeira. A câmara não é a mais ergonómica do mundo, nem a mais adequada para uma objectiva deste peso e tamanho, o que me faz suspirar por uma pega ao estilo das DSLR.
O facto de ter conseguido imagens com um bom nível de nitidez deixou-me contente. O Carlos Machado, formador do IPF que orientou o workshop que frequentei, assegurou-me que era possível dominar uma câmara com uma lente avantajada e que, com a prática, se conseguiam fotografias sem arrastamento segurando-a com as mãos. É verdade. Confirmei-o hoje.
Para dar um bom uso a uma superteleobjectiva como esta são necessários diversos cuidados. Antes de mais, estas lentes são, imperativamente, para ser usadas no máximo da abertura. Claro que isto tem repercussões na profundidade de campo, o que leva inevitavelmente a planos de fundo desfocados. Usar aberturas mais estreitas, como quando se quer nitidez em todos os planos, torna impossível segurar a câmara com as mãos sem provocar arrastamento, pelo que a única alternativa, nestes casos, é o uso de um tripé.
Deve também evitar usar-se objectivas como esta em condições de luz escassa. Mesmo na abertura máxima, as velocidades de disparo requeridas em condições de pouca luz são demasiado baixas para segurar a câmara à mão. E há que ter em consideração que a maioria dos zooms é de abertura variável (e este é um deles), pelo que a abertura máxima diminui quando se aumenta a distância focal.
Lentes como estas requerem câmaras decentes. Não pela qualidade da imagem, embora este seja obviamente um factor importante, mas pela ergonomia. Não é com câmaras com a minha que se tira o melhor partido de uma superteleobjectiva. Apesar de o desafio ser maior, e a satisfação por obter boas imagens ser exponencialmente ampliada, a verdade é que lentes grandes e pesadas exigem corpos ergonómicos e robustos, concebidos para o uso de qualquer tipo de objectiva.  Um corpo ergonómico facilita a tarefa de segurar a câmara e beneficia a nitidez da focagem.
E, quando não for possível de todo segurar a câmara com as mãos, não se deve hesitar em usar o tripé. Se possível, com um anel de fixação que permita que seja a lente, e não o corpo, o que vai ser fixado ao tripé.
Talvez não tenha sido tão mau não ter conseguido vender a Vivitar. Ela tem muito a seu favor. Além do alcance, tem boas cores e é razoavelmente isenta de aberrações e distorções, o que significa que emprega vidro de boa qualidade. E é muito bem construída. Não é uma lente que se use todos os dias, nem em quaisquer circunstâncias, mas uma vez dominada, e dentro dos seus limites - ou melhor: dentro daquilo para que foi concebida e construída - pode ser bem divertida de usar, e com resultados muito satisfatórios.

sábado, 26 de maio de 2012

Como lidar com o ruído nas Olympus

O ruído não é a maior das minhas preocupações, mas é a segunda na lista. A minha maior dor de cabeça são as distorções geométricas, que não requerem muito trabalho de correcção porque este é feito pela câmara - pelo menos no caso das Olympus e das Panasonic com sensor 4/3. Ver postes de iluminação curvos nas extremidades de uma fotografia é intolerável; já o ruído, desde que seja mantido a níveis aceitáveis, acaba por passar despercebido - mas, dada a sua natureza invasiva, é muito mais difícil de corrigir que a distorção.
O problema do ruído surge quando os seus níveis são excessivos, levando a uma deterioração genérica da qualidade da imagem, com os pormenores das zonas de sombra a perderem-se em manchas verdes de efeito desagradável ou a serem destruídos por pixéis de cor que não pertencem ali.
Hoje em dia há uma tendência a fotografar com valores ISO altos, o que agrava o problema do ruído. Há quem queira fotografar à noite sem a maçada de carregar e montar um tripé e sem flash, pelo que, para manter a imagem livre de arrastamento, precisam de aumentar a abertura e a velocidade do disparo, o que só pode ser feito se for aumentada a sensibilidade ISO. Mas já sabemos que o nível do ruído é tanto maior quanto mais alta for a sensibilidade ISO. Só câmaras extremamente competentes - digamos, as Canon 5D Mk III - são capazes de usar sensibilidades elevadas sem que o ruído destrua a qualidade da imagem. Quem tiver câmaras menos aptas para valores ISO altos deve conformar-se com o uso do tripé ou aceitar compromissos.
Muitos podem pensar que, com a qualidade das ferramentas de redução do ruído como as do Lightroom, o problema não se põe, porque é fácil lidar com ele na edição. Esta ideia é falsa. O que os programas de edição da imagem fazem é reduzir - e não eliminar - o ruído. E esta redução tem os seus preços: destrói os pormenores subtis e cria manchas uniformes de cor verde nas áreas onde o ruído se manifesta. Se se abusar da ferramenta do Lightroom, os resultados podem ser piores (por serem mais desagradáveis de ver) do que manter o ruído da imagem.
Outra questão que agrava o problema do ruído é o uso de ficheiros RAW. Quando se fotografa neste formato, não há qualquer processamento da imagem, pelo que a redução do ruído executada pelo processador não é aplicada. Um ficheiro RAW mostra todo o ruído de que o sensor for capaz.
O ruído precisa de ser combatido antes de fazer a fotografia, o que implica configurar a câmara para o minimizar tanto quanto for possível, mantendo tanto quanto possível o pormenor e a qualidade global da imagem. O primeiro passo é manter a sensibilidade ISO tão baixa quanto possível. Tudo o que ultrapasse ISO 100 tem o potencial de multiplicar os níveis de ruído, especialmente quando se fotografa em condições de luz diminuta.
Depois há que ter o cuidado de escolher as configurações ideais. Nas Olympus da série E - que inclui todas as DSLRs, bem como as Pen e a OM-D -, isto implica ir aos menus e escolher o menu das configurações, assinalado por duas rodas dentadas na barra vertical do lado esquerdo. De seguida selecciona-se a opção G e surgem duas opções: REDUÇÃO DO RUÍDO e FILTRO RUÍDO. A primeira permite três configurações: desligado, ligado e automático. Não recomendo o automático, porque o processador pode aplicar uma redução do ruído demasiado agressiva, destruindo o pormenor. Deve manter-se esta função desligada quando se fotografa sob boa luz e ligá-la em situações mais críticas, como quando se fotografa à noite ou ao lusco-fusco. Quanto ao filtro do ruído, este oferece quatro opções: desligado, suave, padrão e forte. A primeira só deve ser usada sob boa luz e quando se pretende obter uma qualidade da imagem absolutamente crítica. A opção «suave» preserva o pormenor, mas mantém algum ruído - o que não é inteiramente preocupante, especialmente se a fotografia se destina a ser impressa, pois níveis de ruído toleráveis dificilmente são perceptíveis na impressão. A opção «padrão» é capaz de bons resultados na redução do ruído, mas prejudica os níveis de pormenor - embora não tanto como a opção «forte», que apenas deve ser usada quando se usam sensibilidades ISO superiores a 200.
Quando se fotografa sob boas condições de luz, a redução do ruído deve ser mantida na opção «desligado» e o filtro em «suave» ou «padrão». Se se fotografar de noite, ou em locais pouco iluminados e com muitas sombras, deve manter-se a redução do ruído ligada e o filtro configurado para «padrão». Este último só deve ser configurado como «forte» em situações extremas de ausência de luz.
Depois há que ter outros cuidados, como usar tripé e regular a objectiva para uma abertura estreita quando se fazem longas exposições à noite, porque deste modo é possível, usando velocidades de disparo reduzidas, manter a sensibilidade ISO no mínimo, o que atenua consideravelmente o ruído. Em todo o caso, deve ter-se a noção que todas as câmaras digitais produzem ruído, apenas existindo algumas que produzem menos do que outras. Mesmo tomando todas as precauções que indiquei, aparecerá sempre algum ruído nas zonas de sombra - mas, se se configurar a câmara correctamente, há a forte probabilidade de passar despercebido e apenas ser visível em grandes ampliações.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais impressões

Penso que já referi aqui que sou daquelas pessoas para quem a fotografia tem de ter expressão física, que lhe é conferida pelo suporte papel. Já escrevi aqui dois textos sobre as primeiras fotografias que mandei imprimir, e a satisfação que obtive quando vi as impressões. O que não disse, porque só o aprendi mais tarde, é que a Olympus, no processamento das imagens pelas suas câmaras, dá prioridade à qualidade das impressões que irão (ou não) ser feitas. Foi algo que descobri há pouco, num ensaio da Olympus E-M5, e que pode ser lido aqui. Está explicado o sucesso das primeiras impressões: a Olympus pensa as fotografias - em particular os JPEGs - para serem impressas. E é assim que deve ser: a fotografia não faz sentido nenhum se for apenas para ver no computador.
Hoje mandei fazer mais meia dúzia de impressões. São fotografias que me agradam e quero ver como ficam no papel. Vão também servir como portfólio para quando quiser mostrar o que sei (ou não) fazer. Talvez um dia decida pô-las à venda, quando conseguir vencer a sensação de que as minhas fotografias não são de qualidade suficiente para que alguém se decida a gastar dinheiro com elas - e logo nestes tempos de crise em que toda a gente limita os seus gastos ao estritamente essencial. Como descobri um estabelecimento que faz impressões mais baratas (mas de boa qualidade) do que a concorrência, o investimento não é substancial. Aliás, dei mais dinheiro por um cartão de memória do que aquele que gastei e vou gastar com as impressões.
São estas as fotografias que mandei imprimir: 1 2 3 4 5 6 
Deixei de fora a série feita nas estações do Metro - mais por causa dos níveis de ruído que por outras razões - e nenhuma das impressões é de fotografias feitas à beira-mar, com o arrastamento das ondas. Ficarão para mais tarde. Curiosamente, apenas duas das fotografias que vão ser impressas são a cores - o que parece demonstrar uma certa inclinação para o preto-e-branco...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Raw, a Olympus e restaurantes: uma adenda importante

No texto anterior referi-me aos ficheiros raw de um ponto de vista meramente utilitário; importa, contudo, porque este pode ser um instrumento importante para muitos fotógrafos principiantes como eu, saber o que se pode fazer com estes ficheiros.
Já referi ontem que o raw é uma fotografia em bruto, sem qualquer processamento pela câmara. Há quem diga que é o equivalente ao negativo da fotografia digital, e quem o diz não deixa de ter razão: há muitas semelhanças entre o ficheiro raw e o negativo. Todo o tratamento de imagem é feito na edição, depois de descarregada a imagem. A tonalidade, a gradação, a nitidez, o contraste e a saturação, tarefas de que o processador de imagem se encarrega quando se fotografa em JPEG, são deixados ao critério do fotógrafo, tal como a compensação da exposição ou o equilíbrio dos brancos. Em raw podem, ainda, controlar-se as curvas de cor e mesmo o espaço de cor - permitindo a opção entre sRGB ou AdobeRGB. Muito importante - e algo de que não me tinha apercebido quando usava o Olympus Master - é a possibilidade de corrigir aberrações cromáticas, ferramenta que está ausente do processador de imagem da minha câmara e me pode levar a optar por fotografar raw em certas circunstâncias.
Isto significa que o fotógrafo se pode substituir ao processador de imagem da câmara, embora seja também certo que esta pode ser configurada com todas estas regulações. Deve notar-se que, para além das já citadas, podem também ser usadas inúmeras funções dos programas de processamento de imagem, como a correcção da distorção ou o ajuste de inclinação, para além de todas as que estão ao alcance do fotógrafo nos programas mais elaborados de desenvolvimento de ficheiros raw. Deste modo, as possibilidades de edição de imagem são infinitamente maiores que aquelas que podem ser empregues com ficheiros JPEG - com a vantagem de uma gama dinâmica e resolução potencialmente superiores. 
Se os JPEGs da câmara do leitor eventual deste blogue o deixam insatisfeito, o raw é uma opção extremamente interessante. Não se esqueça, porém, que vai ter mais ruído aparente (que pode todavia ser reduzido), mais moiré, menos espaço no cartão de memória e um gasto superior de bateria - para além, evidentemente, do espaço no disco rígido do computador.

domingo, 1 de abril de 2012

Raw, a Olympus e restaurantes

escrevi aqui um texto em que comparava o raw e o JPEG, mas muita água correu debaixo da ponte desde então. Hoje resolvi fazer algumas fotografias em raw+JPEG para confirmar ou infirmar as conclusões a que tinha chegado nessa altura. Vou reservar as minhas conclusões para o fim, começando por dizer quais as vantagens de fotografar em raw.
Raw processado no Olympus Viewer 2
JPEG (não editado)
A principal vantagem é, evidentemente, a quantidade de informação que o ficheiro - no caso das Olympus recebe a extensão .orf, que significa, como é óbvio, «Olympus Raw File» - contém. A resolução de um ficheiro .orf anda à volta de 11.50 MB, contra os 3 - 4 dos JPEGs. Mais surpreendente ainda é o número de cores: à volta dos 16 milhões. É preciso dizer que o ficheiro raw contém toda a informação que o sensor é capaz de captar, enquanto no JPEG o processador comprime essa informação. O objectivo dos ficheiros raw é, justamente, o de fornecer ao fotógrafo uma base de processamento da imagem tão ampla quanto possível, de maneira a conservar a resolução intacta (ou tão intacta quanto possível, se me é permitido um pequeno deslize na lógica, uma vez que há sempre limitações à quantidade de informação captada: basta usar uma lente inferior).
A outra vantagem é decorrente da primeira: as possibilidades de manipulação da imagem são extensas, especialmente se for usado software especial de desenvolvimento de ficheiros raw. (No meu caso usei o Olympus Viewer 2, que é rudimentar quando comparado com alguns «desenvolvedores».) As possibilidades são enormes, o que confere ao fotógrafo uma liberdade quase ilimitada de edição da imagem. O que não é mau, convenhamos.
Excepto se o fotógrafo tiver uma Olympus. É que, se for esse o caso, podemos questionar-nos acerca da necessidade e utilidade do raw. E, com isto, entramos nas desvantagens do formato. Para usar uma citação que li num texto de Ken Tanaka, fotógrafo que escreve uns textos para o The Online Photographer, o raw é como ir a um restaurante e comprar os ingredientes para depois os cozinhar em casa. Há aqui várias hipóteses: se formos bons cozinheiros e o restaurante for bom, é indiferente usar raw ou JPEG; se formos maus cozinheiros e o restaurante for bom, é um desperdício estúpido (e fazemos figura de parvos diante do chef); só se formos bons cozinheiros e o restaurante não for grande coisa é que o raw vale a pena. (Se restaurante e cozinheiro forem ambos maus, é altura de mudar de câmara - ou de hobby.) Convertendo isto numa linguagem mais óbvia, longe de subtilezas, direi que há câmaras cujo processamento dos ficheiros JPEG é tão bom que o raw é uma mera perda de tempo: afinal de contas, aquilo com que ficámos, depois de processar a imagem, é um ficheiro JPEG: os ficheiros raw não podem ser descarregados - nem, por consequência, impressos - antes de serem convertidos em JPEG, sendo a informação comprimida para valores da ordem dos 3 - 4 MB.
Raw processado no Olympus Viewer 2
JPEG (não editado)
Há câmaras, porém, cujos processadores não produzem resultados brilhantes com JPEGs: as Nikon e as Panasonic são dois exemplos. Os JPEGs destas câmaras são, salvo algumas excepções, baços e de cores mortiças. Com estas câmaras vale a pena fotografar raw. Canon - a partir da 60D -, Olympus e Pentax têm bons processadores JPEG, que tornam o uso do raw redundante. Até porque - e este é um dos grandes defeitos do formato - os ficheiros raw ocupam muito espaço e demoram uma eternidade a escrever para o cartão da memória (e depois a descarregar para o computador). Isto pode ser impeditivo, a menos que se usem cartões muito rápidos e de grande capacidade. Estes existem, mas custam os olhos da cara.
No caso da Olympus, a conclusão que retiro é que o incremento na qualidade da imagem não merece o esforço que fotografar e processar uma imagem raw constitui. A melhoria na qualidade da imagem, comparando directamente os ficheiros tal como são descarregados da câmara, é notória, mas não esmagadora. E o JPEG pode ser editado, atingindo um padrão de qualidade comparável ao raw - mesmo depois de este ter sido processado. Olhando para as imagens que ilustram este texto, é notório que as obtidas a partir de ficheiros raw são melhores, mas esta melhoria não é substancial, e o fosso pode ser transposto mediante retoques simples nos JPEGs. A questão é se o que fica, depois de processado o JPEG, justifica as desvantagens do raw. Em meu entender - e no meu caso particular -, a resposta é negativa. O acréscimo de qualidade da imagem é meramente marginal.
De resto, a resolução superior e a ausência de processamento na câmara deixam patentes algumas aberrações da imagem quando se fotografa no formato raw: o ruído é mais evidente e, numa das fotografias que fiz hoje nos dois formatos, o ficheiro raw apresentava um nível de moiré que não existia no formato JPEG. Preocupante. 
Deste modo, se eu for ao restaurante, prefiro ter a refeição cozinhada pelo chef. Se o processador de JPEG da Olympus fosse um restaurante, receberia três estrelas Michelin. Comprar os ingredientes para os cozinhar em casa ficaria mais caro e seria um desperdício de tempo. Aliás, nem sequer sei o que vou fazer às fotografias que fiz hoje no formato raw: só estão a ocupar espaço no frigorífico - perdão, no disco rígido.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O que é isso da «obsolescência»?

Toda a gente que se interessa por equipamento sabe o que são os (ou já ouviu falar dos) DxO Labs. E, em particular, conhece os testes DxOMark. Estes testes são a referência absoluta, em virtude da sua metodologia, para muitos especialistas em fotografia. Embora não seja um frequentador assíduo do website da DxO, hoje deu-me para visitá-lo, atraído pela curiosidade de saber como se comporta uma determinada lente, neste caso a nova Olympus 12-50mm f3.5/6.3. Já calculava, depois de uma péssima experiência com a detestável zoom 14-42mm, que a classificação fosse menos que boa, mas ainda é pior do que esperava: à beira do péssimo. Eu cá gosto é de primes, por isso esta classificação não teve qualquer influência em mim porque nunca me passou pela cabeça comprar essa lente.
A curiosidade levou-me a ver testes de outras lentes - estou a considerar, se a vida me correr muito bem, comprar a Panasonic-Leica 25mm/f1.4 -, e a ir daí para as câmaras: fui dar comigo a uma análise à Olympus E-P3, e descobri uma página onde se podem comparar até três câmaras. Deu-me a curiosidade para comparar a E-P3 com a predecessora E-P2 - para descobrir que a E-P3 não é superior aos modelos que a precederam. Escolhi a comparação com a E-P2 por imaginar que a E-P1, já não sendo produzida, não figuraria nas listas da DxOMark, mas enganei-me. Ainda está lá. Comparei as três EPs lado a lado e - surpresa das surpresas! - a E-P1, que tem virtualmente o mesmo desempenho que a E-P2 (como seria de esperar), supera a E-P3!
Se pensam que estou a mentir, podem ver o comparativo aqui. A E-P1 supera a E-P3 em cor e gama dinâmica, e o seu desempenho com sensibilidades ISO elevadas é melhor do que o da E-P2 (e igual ao da E-P3).
Qual é, então, a vantagem de comprar uma câmara como a E-P3 (ou mesmo a E-P2) em lugar da E-P1? A possibilidade de montar um visor electrónico. Nada mais. A E-P3 tem um flash integrado, mas é tão fraquinho que não tem grande utilidade: quem quiser fazer um uso sério do flash tem sempre de comprar um flash externo. Contudo, a E-P3 foi publicitada (e difundida pelos websites e blogues da especialidade) como um salto enorme em qualidade. Este comparativo demonstra que, no que verdadeiramente conta - a qualidade da imagem -, a E-P1 (que já foi «descontinuada» há dois anos) ainda é uma belíssima câmara.
O que significa que, visor electrónico à parte, a E-P1 é uma excelente câmara. O resto é marketing enganoso. Quando a E-P1 foi lançada, toda a gente clamou que não prestava porque - ó sacrilégio!, ó infâmia! - não tinha flash nem visor. E a Olympus, prontamente, substituiu-a pela E-P2, que permite a montagem de um visor electrónico - mas continou a faltar o flash, pelo que a E-P2 cedeu tranquilamente o seu lugar à E-P3. E os consumidores, atordoados pelo pecado de uma câmara sem flash integrado, correram a substituir as suas E-P1 e E-P2 pelo novo modelo - sem que a tal despesa (a E-P3 é estupidamente cara) corresponda qualquer melhoria sensível na qualidade da imagem. E esta é - ou devia ser - o critério n.º 1 na escolha de uma câmara. Em consequência, a E-P1 é hoje considerada obsoleta. Estou convencido que se passou o mesmo com as OM, e a verdade é que hoje as OM-1 são as mais caras e mais procuradas das OM no mercado das câmaras usadas. Este não é um fenómeno novo, a diferença está no volume de vendas. O conceito de obsolescência é, como se vê, muito relativo: neste caso é uma invenção do marketing que nos induz a consumir cada vez mais e mais cegamente.
É preciso ser muito criterioso na escolha de uma câmara - ou de outro produto qualquer. A novidade não pode ser um critério que se baste a si mesmo e justifique a aquisição de um produto. Por vezes, aquilo que nos é anunciado como the next big thing não apresenta mais que evoluções marginais em relação ao modelo precedente (como quem tem material da Apple sabe muito bem). Por vezes pode acontecer que não exista evolução nenhuma e seja tudo uma questão de adereços. Pode, até, acontecer que o novo produto seja, na verdade, pior que aquele que o antecedeu. O consumidor prudente deve ponderar muito bem a sua aquisição e resistir à tentação de se deixar influenciar pelo marketing. A E-P3 não é melhor do que a E-P1: o que tem é mais extras que, contudo, em nada contribuem para a qualidade da imagem. O mesmo se diga, por exemplo, quanto às Canon e as 550 e 600D, cujas diferenças estão na disposição de alguns botões. Ou as Nikon D3 e D4, que têm o mesmo desempenho apesar dos mais pixéis desta última.  Consumidores, abram os olhos!

I shout at times that nothing stays
Nothing lasts and damned to change
Though then I read a book, a line
Which says we sleep in blind sublime...

(Peter Murphy, Blind Sublime

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Size matters

Sabem o que mais se discute nos fóruns e websites de fotografia? O tamanho dos sensores. Milhões de pessoas completamente mal informadas deixaram-se convencer de que tudo quanto é necessário para que uma câmara seja boa é que tenha um sensor enorme nas suas entranhas. É como se fosse uma hierarquia, ou uma cadeia alimentar, na base da qual estão as compactas e, no topo, as médio formato - embora os possuidores de câmaras com sensores APS-C tenham a ilusão de que estão no degrau mais alto. (É assim na fotografia como na vida: os pequenos acabam sempre por encontrar outros ainda mais pequenos para retribuir neles as humilhações que os grandes lhes infligem.) Os proprietários de Hasselblads, Pentax 645 e Leicas S2 não precisam de ir à Internet fazer de trolls porque não têm de superar complexos de inferioridade, e os que têm câmaras full frame são, em regra, profissionais que não têm tempo a perder com discussões pueris, mas os que têm câmaras com sensores APS-C entendem que qualquer sensor que seja mais pequeno, ainda que por um punhado de milímetros quadrados, é inferior; alguns chegam ao ponto de pensar - e, o que é pior, exprimem-no por escrito - que qualquer sensor mais pequeno pertence à categoria das digicams, as compactas de bolso a que os de língua inglesa chamam point and shoot. Devemos, deste modo, concluir que os fotógrafos - ou pseudofotógrafos - mais presunçosos estão entre os proprietários de câmaras equipadas com sensores APS-C, o que é injusto para muitos que eu conheço e nada têm de pretensiosos.
Vamos ao que interessa: o tamanho do sensor é importante? É. Sem dúvida. Um sensor grande permite acomodar fotodíodos maiores, incrementando a resolução e diminuindo o ruído quando se usam sensibilidades elevadas; tem também uma profundidade de campo menor, uma gama dinâmica mais extensa e é menos sujeito ao fenómeno da difração - mas será que os sensores mais pequenos são assim tão desvantajosos? Os sensores que estão mais sujeitos às atoardas ignorantes dos foristas e comentaristas são, indubitavelmente, os 4/3 que a Olympus e a Panasonic usam. Abstraindo do facto de esses fãs do APS-C poderem, a qualquer altura, ser ridicularizados por quem usa câmaras com sensores full frame e de médio formato, vamos ver se têm razão no que invocam.
Antes de mais, a questão do tamanho: o sensor APS-C da Canon é maior que o 4/3 por 4,9mm em largura e 1,8mm em altura, ao que correspondem áreas de, respetivamente, 329mm2 e 225mm2. O que, convenhamos, não é como comparar um elefante com uma formiga. Acrescentemos a isto que todos os sensores têm uma shading area (área de sombra), que resulta do facto de a lente ser redonda, produzindo um cone de luz que vai atingir o sensor, que é rectangular; pelo que o sensor pode não receber a mesma quantidade de luz nos cantos que aquela que recebe no centro. Como parece mais ou menos fácil de intuir, quanto mais retangular for o sensor, maior será a área de sombra. O 4/3, sendo quase quadrado (17,3mm x 13mm), sofre menos com este problema.
Em matéria de qualidade de imagem, a desvantagem de tamanho de um 4/3 para um APS-C existe, mas será que é tão dramática como alguns dizem? Não sei. Para aferir isto com precisão, seria necessário algo impossível: duas câmaras exatamente iguais com sensores diferentes, uma com o 4/3 e outra com o APS-C. Contudo, analisando testes comparativos, é notório que, a partir de certas sensibilidades ISO, o 4/3 sofre de mais ruído e perda de resolução - mas isto, note-se bem, acontece apenas em sensibilidades que não são utilizadas na maioria das condições, pelo que é um argumento que, embora possa ser válido em circunstâncias limitadas, apenas é esgrimido por quem cinge a questão da qualidade de imagem a critérios estatísticos.
Quanto a vantagens dos sensores mais pequenos, estas podem resumir-se a duas, mas estas são importantes: permitem fabricar câmaras mais pequenas - embora a Olympus E-5 não constitua o melhor argumento em defesa desta teoria -, mas mais relevante, porém, é o facto de os sistemas baseados em sensores mais pequenos poderem receber lentes também elas mais pequenas, embora com um desempenho óptico semelhante ao de lentes maiores. Estas vantagens são de suficiente monta para permitir a consolidação de um sistema que tem vindo a ganhar cada vez mais aceitação, sendo também, entre os sistemas mirrorless, aquele que tem melhores lentes: o micro quatro terços. Não afirmo isto por ter uma destas câmaras: tenho uma destas câmaras porque adivinhei o futuro deste sistema mal me informei sobre ele.
E, se me vierem com comentários acerca da inferioridade da minha câmara por causa do tamanho do sensor 4/3, eu respondo assim:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Olympus E-M5 e eu

Antes de mais, cumpre informar que, de acordo com um leitor ocasional e comentador deste blogue, eu sou pago para elogiar a Olympus e dizer mal das outras marcas neste blogue. Como decerto já se apercebeu toda a gente que leu o que escrevi aqui sobre a Fuji X-Pro1, a Canon 60D, a Nikon D7000, a Leica M9 e a Pentax K-5. O problema é que o tesoureiro da Olympus ainda não me mandou nenhum cheque. Se calhar gastaram o dinheiro todo a comprar aquelas empresas de Tupperwares e cremes faciais para ocultar os prejuízos e agora não têm como me pagar. Ou então ainda ninguém os avisou da existência deste contrato.
Quando a Olympus liquidar os meus honorários, vou finalmente comprar uma câmara nova. Ou não. É que a Olympus OM-D E-M5 (que só não recebe o troféu para a designação de modelo mais estúpida do mundo porque já existe a Pentax KO 1) deixa-me a lutar contra uma certa sensação de ambivalência. Não que seja feia - se dissesse que esta câmara é feia, que adjetivo poderia usar para qualificar a Pentax KO 1? -, mas o seu design tem qualquer coisa de pastiche. É uma câmara que pretende ser a continuação da linha das OM, mas isto não será a tentativa de ressuscitar um cadáver? É que a E-M5 não é uma OM: estas eram analógicas, a OM-D é digital. Como escrevi anteontem, tudo as separa - exceto o fabricante e a semelhança das linhas. A minha ambivalência vem do facto de esta câmara não me parecer tão atraente como a minha - a despeito de considerar a OM-1, em que a E-M5 se inspira, uma das câmaras mais bonitas alguma vez produzidas.
Afora isto, a verdade é que a câmara é bonita. Muito bonita. Ver as suas primeiras imagens, porém, não me causou o mesmo impacto que ver as da Pen E-P1, que me despertaram instantaneamente o desejo de ter uma. Aliás, creio que a E-P1 continua a ser mais elegante que estas pretensas OM digitais. Simplesmente, tenho de me colocar na posição de potencial comprador, o que implica olhar mais às diferenças técnicas entre as câmaras do que à estética e ver em que pode a evolução que a OM-D inequivocamente representa ajudar-me a fazer fotografias melhores.
Antes de mais, esta câmara tem um visor. Aquela bossa acima da lente abriga as entranhas do visor eletrónico VF-2. Convenhamos que o resultado estético é mais interessante que uma E-P2 com o VF-2 montado, mas ao que se diz o visor da E-M5 é ainda melhor que o VF-2, que de resto até tinha boa reputação. E, como referi no texto de domingo, não há nada como fotografar com um visor. É pena que não seja óptico, mas qualquer visor é melhor que usar o ecrã para fotografar.
Depois há o sensor. Eu não entro na guerra de tamanhos, que me lembra obsessões de rapazes pré-adolescentes, mas a verdade é que a OM-D usa um sensor mais evoluído e com melhor desempenho que o da E-P1 em matéria de ruído. Uma câmara com melhores resultados neste particular seria muito bem-vinda.
Se comprasse esta câmara, dificilmente sentiria diferenças quanto à funcionalidade. É certo que perde o comando principal da E-P1, aquela roda à volta do seletor principal - mas ganha um seletor que faz o mesmo, apenas com a forma de um disco montado sobre o painel superior, como as velhas SLR. O cilindrozinho que faz de comando secundário na E-P1 é também substituído por um disco rotativo, mas montado na parte dianteira do painel superior da câmara. É mais retro - os comandos desta câmara evocam as OM originais e a Fuji X100 - e, paradoxalmente, mais DSLR, porque é neste lugar que as reflex têm o seu comando rotativo: junto ao botão do obturador (botão que, no caso da E-M5, é mesmo sobre o comando secundário). O resultado é esta câmara assemelhar-se às câmaras vintage, embora os comandos selecionem funções mais contemporâneas (como a compensação da exposição ou a abertura do diafragma). Com estas modificações, o funcionamento em modo manual pode ser ainda mais divertido do que na E-P1. E teria outra vantagem: dois botões Fn, com os quais poderia personalizar funções de uma maneira que a E-P1 não permite. Por exemplo, gostava de ter comutação de focagem automática para manual e a calibração do equilíbrio dos brancos sem ter de escolher entre uma ou outra, porque a E-P1 só permite fazê-lo com o botão Fn. Ter dois botões para estas funções seria extremamente prático, já que não são poucas as ocasiões em que uso lentes de comando manual e de focagem automática na mesma sessão.
Outra vantagem seria poder usar um punho e uma bateria suplementar, algo a que a E-P1 não teve direito. Além da melhoria ergonómica - poderia fotografar na vertical de uma maneira muito mais cómoda -, teria uma autonomia muito maior, dispensando a compra de uma bateria suplementar. Poderia ter sessões de fotografia muito mais tranquilas, sem o risco de ter de acabá-las mais cedo por ter ficado sem bateria. 
Quanto ao resto, não me interessam o vídeo, o número de fotogramas por segundo nem o ISO 25600 (que deve produzir imagens ótimas para quem queira tirar fotos parecidas com os quadros de Seurat). A focagem automática pode ser muito rápida, mas esta velocidade apenas interessa se conseguir acompanhar objetos em movimento rápido, o que a deteção de contraste nem sempre consegue fazer. O facto de ser resistente à chuva é interessante, mas não o considero decisivo (e de pouco me adiantaria, porque não tenho nenhuma lente que também o seja).
É evidente que ficaria mais bem servido com a E-M5, mas eu não quero nem preciso de ter duas câmaras, nem tenho vontade de desfazer-me da E-P1. Podia encomendar hoje mesmo uma E-M5 na Amazon - embora ficasse completamente teso -, mas não vou fazê-lo. Seria um desperdício. A OM-D é certamente bonita, e não tenho dúvidas que é superior à minha câmara - mas tenho, como já referi por diversas vezes, um fraco pela E-P1. Talvez quando esta der o último suspiro adquira uma OM-D - que, nessa altura, já deverá ir na versão E-M8, com evoluções relativamente à câmara que hoje foi apresentada.
Apesar de tudo, acredito que esta câmara possa ser um sucesso. E, quem sabe, pode até estabelecer o micro 4/3 como o formato de referência entre as câmaras mirrorless e, pelo caminho, restabelecer a reputação da Olympus. Estou ansioso por ver os primeiros testes de imagem. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De novo a Olympus E-M5 (ou: de como o autor deste blogue estima as opiniões alheias)

Uma orgia micro 4/3
Já me referi aqui ao FotoDigital, um website português do qual sou um modestíssimo apoiante. Hoje José Antunes escreveu um texto sobre a nova Olympus, cujo conteúdo não posso deixar de subscrever por ser tão lúcido e imparcial - muito mais do que os meus, já que sou um Olympiano fervoroso, embora crítico quando requerido:


Tudo o que José Antunes escreve neste artigo é verdadeiro. Apenas interpolaria a insensatez, a que me referi num texto anterior, de pretender que esta câmara retoma a tradição OM sem outros hiatos para além do lapso de tempo que entretanto decorreu. São formatos e câmaras diferentes, e nada, para além da estética, as aproxima. Pelo contrário, há um fosso vasto e intransponível a separá-las.
Parecem-me inteiramente pertinentes as observações de J. A. quanto à perda daqueles que eram citados como alguns dos benefícios do sistema micro 4/3: as dimensões reduzidas e a eliminação da bossa inestética das SLR. Apesar de o resultado estético obtido com a E-M5 ser superior ao de uma E-P2 com o visor eletrónico VF-2 montado, os argumentos invocados a favor do micro 4/3 caíram por terra. Esta câmara, com o punho e a bateria montados, é quase tão grande como uma Olympus E-5.
Uma consideração omissa no texto de José Antunes, embora já presente em artigo anterior, é quanto à possível eliminação do sistema 4/3, que me parece plausível com a apresentação desta câmara. Este é um assunto que preocupa muitos utilizadores de corpos e lentes daquele sistema, que com toda a naturalidade vêem crescer as suas preocupações pelo possível desaparecimento das reflex da Olympus. Se for confirmada esta descontinuidade, este é um erro que pode afastar muitos clientes, que se voltarão para as Nikon e Canon.
José Antunes tem três décadas de experiência de fotografia; eu tenho um ano e meio, e apenas dez meses com uma câmara a sério. Não posso medir-me com ele de maneira nenhuma. Daí que, com a devida vénia, publique aqui o link para o seu artigo sobre a OM-D E-M5 (que bem podia chamar-se apenas OM-D5, como J. A. bem sugere, embora o «OM-D» seja como o «PEN» da minha E-P1: raramente ou nunca usado). Nestes tempos em que quem profere uma opinião diferente é livremente insultado em tudo o que é fórum ou blogue, faço questão de mostrar o maior respeito e estima por quem sabe muito mais do que eu.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Olympus E-M5

Hoje, 4 de fevereiro, a cinco dias da sua apresentação, surgiram as primeiras imagens decentes da Olympus E-M5, de seu nome completo Olympus OM-D E-M5. No texto de sexta feira referi que a Olympus se propunha, com esta câmara, continuar a linha OM depois de uma interrupção de dez anos; ao ver as imagens com o punho e bateria, compreendi que a Olympus quer ir muito mais longe e estabelecer o formato micro 4/3 como o novo 35mm - a referência em matéria de dimensões do sensor.
Ainda não sei se esta é uma ideia brilhante ou uma loucura, mas não é de todo infundada: afinal de contas, a dimensão do filme também passou das chapas monstruosas usadas nos anos dos pioneiros da fotografia para o grande formato, depois para o médio formato e, finalmente, para o 35mm, que se estabeleceu como o padrão universal. Se é um caminho semelhante que a Olympus se propõe abrir com esta câmara, vai ter de se debater com alguns obstáculos, sendo o maior deles a aceitação generalizada da ideia (que não é inteiramente falsa) de que o sensor é tanto melhor quanto maior for. O facto de ter dado um ar tão profissional à câmara, com o punho e a bateria externa, significa que está preparada para a luta e confia no desempenho desta câmara. Não é impossível que a Olympus tenha êxito: tenho a certeza que a passagem para o formato 35mm também foi desdenhada pelos fabricantes de câmaras de médio e grande formato - com a diferença substancial, porém, de que o Dr. Oskar Barnack não teve de se defrontar com um marketing vasto e poderoso como é o dos nossos dias, e nesse tempo não havia milhões de ignorantes a opinar na Internet como hoje. (Aliás, nem sequer havia Internet...) Tenho para mim que o sensor 4/3 é semelhante, em qualidade de imagem, ao APS-C - que, não tendo conseguido a aceitação unânime dos fabricantes, é contudo o mais utilizado nas DSLR, e agora também em algumas mirrorless. O problema do 4/3 é o nível de ruído, que é algo superior, mas este apenas é verdadeiramente grave quando se usam sensibilidades ISO muito elevadas - digamos, acima dos 800. Os fotógrafos habituaram-se a usar valores de ISO astronómicos, e vai ser muito difícil persuadi-los que a qualidade da imagem sai beneficiada com o uso de sensibilidades baixas. Pelo que sei, o sensor da OM-D tem um desempenho melhor que o sensor de 12,3 megapixéis das Pen, o que pode levar muitos a confiar no que a Olympus está a fazer - incluindo a própria Olympus.
Esta versão é uma montagem feita com o Photoshop
Outra dificuldade é o facto de a Olympus estar praticamente sozinha na luta para impor o micro 4/3. Até ao momento, apenas a Panasonic e a própria Olympus usam este formato, sendo que a primeira, que fabrica os sensores 4/3, impôs condições leoninas à Olympus para que que esta pudesse usar os seus sensores. A Olympus está obrigada a usar sensores da geração anterior aos lançados pela Panasonic, o que é uma desvantagem. (A Olympus vinga-se fazendo lentes não estabilizadas, o que torna difícil o seu uso nos corpos não estabilizados da Panasonic.)
Outro obstáculo é a possível repercussão do escândalo financeiro da Olympus Corporation na divisão de imagem. Embora me pareça que as previsões mais negras não se vão cumprir, e que o escândalo caminha para um esquecimento conveniente, ainda é difícil de prever o que vai acontecer. Qualquer especulação é legítima, incluindo a aquisição da divisão de imagem por outra companhia.
Por fim há a concorrência. A Sony, a Samsung, A Fuji e a Pentax usam sensores APS-C nas suas mirrorless. Se a Olympus conseguir fazer melhor, em matéria de qualidade de imagem, que estas marcas, o micro 4/3 pode tornar-se no 35mm dos tempos digitais. Tenho algumas dúvidas que isto venha a acontecer, mas não é impossível que a E-M5 seja uma câmara com uma qualidade de imagem acima da média. A Olympus tem o melhor processamento de JPEG entre os grandes fabricantes, fotómetros excelentes, experiência no fabrico de lentes de alta qualidade e em óptica de alta precisão. De resto, esta câmara é um risco calculado: se suceder, transportará a Olympus para o topo da indústria fotográfica; se falhar, os danos são limitados: o pior que lhe pode acontecer é interferir no volume de vendas da E-P3.
Há algo de profundamente insensato em retomar a linha das OM: por muito evocativa que seja, esta câmara não é uma OM. Há um universo de diferenças para além do facto evidente de as OM serem câmaras analógicas: não há uma única característica técnica que seja transponível das OM para a era digital. É verdade que o estilo retro tem sucesso entre os fabricantes de câmaras - a Fuji consegue vender com sucesso uma câmara pior e mais cara que as da concorrência (a X100) apenas porque parece uma Leica pequenina -, como a própria Olympus sabe desde que lançou a E-P1. E agora, a Olympus não quer apenas repetir o sucesso de uma fórmula comprovada: quer fazer vingar um conceito. A continuação da linha OM não pode ser vista como uma mera opção estética: é a maneira como a Olympus pretende retomar o lugar que ocupava no tempo das OM, e transformar o mercado fotográfico como o fez com o lançamento da OM-1. Será que consegue?
P. S.: esta câmara até pode ser muito melhor, mas não é tão bonita como a minha E-P1.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Oh My goodness!

Há muito que andam pela Internet rumores sobre uma câmara micro 4/3 da Olympus de uma categoria superior às Pen; chamavam-lhe a «Pen Pro». Afinal, os rumores confirmam-se. O que poucos esperavam era que a Olympus fosse inspirar-se no design das OM-1. A OM-1 é a minha câmara analógica favorita (não que alguma vez tenha experimentado uma, mas em termos de estética é a minha preferida), e quem me acompanha sabe que nutro uma predileção pelas lentes da série OM. Daí que seja com enorme expetativa que estou a acompanhar tudo o que é rumores e teasers acerca desta nova câmara, da qual saiu hoje mesmo, no 4/3 Rumors, a primeira fuga de imagem:
Se esta imagem não for o resultado da imaginação de algum artista do Photoshop, temos que a linha das OM analógicas quase foi copiada, como o demonstra o formato hexagonal dos planos superior e inferior da câmara. 
Já agora, alguma informação que circula pelos websites de fotografia dá como certo que a OM digital será uma câmara selada (resistente a poeiras e salpicos), com um sensor novo de 16 MP e visor electrónico integrado. A confirmar-se tudo isto, esta Olympus pode ser uma rival da Sony NEX-7 e da Fujifilm X-Pro1. Só tem de convencer os compradores que uma diferença de dois ou três milímetros na área do sensor não compromete a qualidade da imagem, o que implicará lutar contra um marketing agressivo e as ideias feitas de muitos fotógrafos amadores.
Já agora, parece que a câmara se vai chamar OM-D5. O que significa, a ser verdade, que vai continuar onde a primitiva OM parou: a última - descontando as versões cuja denominação incluía dois dígitos, como a OM-10, que eram inferiores em qualidade - foi a OM-4. Isto é muito interessante. Agora só falta ver que solução os designers encontraram para integrar o visor. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Novidades da Olympus

Hoje, 14 de Dezembro, era o dia que a Tokyo Stock Exchange fixara para que a Olympus Corporation apresentasse o balanço rectificado relativo ao primeiro semestre deste ano. Os resultados demonstrados deveriam reflectir as perdas que haviam sido encobertas através das aquisições e honorários suspeitos, e a Olympus cumpriu. Se não o tivesse feito até hoje, teria sido excluída da cotação, o que teria sido catastrófico. Evitou assim, por agora, a exclusão da bolsa de Tóquio, mas isto não significa que não possa vir a ser excluída se forem detectadas irregularidades graves - mas, pelo menos para já, essa possibilidade está afastada. Resta agora saber o que vai acontecer com o actual conselho de administração, cuja exoneração é necessária para restabelecer a confiança na companhia, e se Michael C. Woodford, o CEO que foi despedido por ter denunciado o escândalo, vai voltar a exercer as funções.
As perdas resultantes do exercício do primeiro semestre de 2011 foram de USD $414.000.000 (já reflectindo as perdas encobertas ao longo dos exercícios anteriores), o que não é uma quantia modesta, mas as acções têm vindo a subir progressivamente: depois de terem perdido 80% do valor nas duas semanas após o despedimento de Michael Woodford, valem agora metade do que valiam antes de o escândalo se tornar conhecido, o que significa que recuperaram cerca de 30%.
Talvez seja por este optimismo moderado que a Olympus lançou uma nova lente para o formato Micro Quatro Terços: a M.Zuiko Digital 12-50 f3.5-6.3. É uma lente que ninguém queria, e que apenas pode fazer sentido se substituir a execrável 14-42. Por um lado, é demasiado lenta na distância focal maior: com uma abertura de 6.3 e um volume tão avantajado - esta lente não é retráctil como a 14-42 -, vai obrigar a usar velocidades de disparo lentas e um tripé sempre que se quiser fotografar a 50mm. Mesmo na distância focal mínima de 12mm, a abertura de 3.5 não é nada de especial. Esperava que esta lente fosse uma versão para Micro Quatro Terços da lente 12-60 f2.8-4.0 que a Olympus fabrica para as DSLR, pelo que fiquei um pouco decepcionado. O facto de ter zoom motorizado não me impressiona, tal como a presença de um modo macro: fazer macro a 20 cm de distância não me parece assim tão interessante. As únicas vantagens são o facto de ser relativamente barata - €400,00 -, ter uma distância focal mínima de ultra grande-angular e ser à prova de água. Esta última característica também não me impressiona por aí além: significa apenas que tem um anel de borracha na baioneta, protegendo o interior da câmara de poeiras e humidade - mas pode prenunciar o lançamento de uma nova câmara da família PEN resistente à água, o que pode ser uma boa notícia: será a «PEN Pro» de que tanto se fala? Não faz sentido lançar uma lente resistente à água para um sistema de câmaras que não o é, pelo que parece que a Olympus está a lançar pistas sobre mais qualquer coisa ao apresentar esta lente. Vamos esperar... 

domingo, 27 de novembro de 2011

A Olympus, outra vez

Michael C. Woodford (foto Getty Images)
Parece que a Olympus está salva - e refiro-me, também (e sobretudo), ao departamento de imagem. As acções começam a recuperar, os sinistros Kikukawa-san e Mori-san renunciaram aos lugares (não executivos) que ocupavam no conselho de administração e, mais interessante, os accionistas fazem exigências para que Michael C. Woodford, o presidente executivo que foi despedido por ter denunciado as práticas fraudulentas, volte a assumir o cargo. 
Segundo alguma informação fidedigna, Michael C. Woodford é filho de um fotógrafo (o que, em princípio, significa que não é insensível aos destinos do departamento de imagem) e, numa entrevista, referiu que o sector de imagem está em crescimento, em parte graças à família PEN, chegando a elogiar a linha actual de produtos Olympus - nomeadamente a E-P3 - e lançando algumas indicações quanto ao caminho que a divisão de imagem seguirá. Aparentemente, o futuro da Olympus Imaging Corporation não está em risco, o que é uma boa notícia. Detestava dar por mim com um saco cheio de equipamento tornado obsoleto pela extinção do fabricante. Aparentemente, deixou de haver motivo para preocupações. 
Agora só falta limpar o nome da Olympus. Para tanto, é imprescindível levar as investigações até ao fim e responsabilizar quem instigou ou executou as trafulhices. Eu, que sou um fervoroso anti-capitalista, fico imensamente satisfeito por ver que um caso de desonestidade nos negócios não ficou sem consequências. Pudesse acontecer o mesmo com todas as vigarices...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ainda a Olympus

Quem visitar o website da Olympus (www.olympus-global.com) deparar-se-á, durante os próximos dias, com o seguinte comunicado:
Clique para ampliar
Não sei que dizer. Antes de mais, gostava de compreender o motivo por que a Olympus tem, mais do que qualquer outro fabricante de equipamento fotográfico, a capacidade de provocar reacções de consternação e apreensão junto dos seus consumidores, que não deixarão de ser sensíveis a este comunicado e a todos os acontecimentos que o precederam. Acontecesse este escândalo com a Canon ou a Nikon, e decerto as reacções da comunidade fotográfica seriam bem diferentes. Poderia acontecer a revolta pelo comportamento das sucessivas administrações, ou a preocupação pelo provimento de produtos no futuro, mas nunca o medo de se perder uma marca. Se isto acontecesse à Canon, o eventual comprador optaria por uma Nikon, e vice-versa. E o mesmo sucederia com a Panasonic ou a Sony: a reacção perante o desaparecimento das câmaras destas marcas seria a indiferença. Com a Olympus, porém, a angústia é de tal ordem que já se criou um site de apoio à marca!
Isto acontece porque a Olympus é única. Para além dela, só a Leica tem este tipo de estima junto dos consumidores. A Olympus é uma marca que conquista e fideliza os adquirentes dos seus produtos de uma maneira que, à excepção da companhia criada por Ernst Leitz, não tem comparação com qualquer outro fabricante de material fotográfico. Se a marca Olympus desaparecesse, a sua extinção iria provocar consternação e dilemas difíceis de resolver junto de muitos fotógrafos.
Dito isto - e quem elaborou o comunicado acima sabe bem que os consumidores de produtos para fotografia não deixarão de ser sensíveis ao pedido de apoio -, o lançamento deste comunicado é um gesto desesperado perante a situação em que a Olympus Corporation caiu. É um esforço - que pode ser tardio - para preservar a imagem da corporação, procurando tranquilizar investidores, clientes e consumidores, e uma tentativa de demonstrar transparência de métodos e honestidade. A verdade, porém, é que este esforço pode não convencer ninguém. Tsuyoshi Kikukawa e Hisashi Mori continuam no conselho de administração, embora em funções não executivas, e aqui o conselho de administração está perante um dilema: se os expulsar e mover procedimentos judiciais contra eles, a consequência será a saída da bolsa de Tóquio, cujas regras impõem o delisting das sociedades cujos administradores tenham cometido crimes relacionados com as suas funções durante o seu exercício; se os mantiver, perde a credibilidade, de nada adiantando comunicados como este (ou mais lancinantes ainda...).
É, evidentemente, louvável que a nova administração executiva queira descobrir toda a verdade quanto ao escândalo Olympus, e que revele publicamente, como se propõe, todos os factos que vierem a ser determinados em inquéritos e auditorias, mas não há qualquer espécie de contrição nesta atitude: é a única via que pode levar à sobrevivência da corporação. Só demonstrando esta vontade de descobrir a verdade é que a sociedade pode reaver a confiança, e hoje sabemos que as relações que se estabelecem no meio financeiro se baseiam no princípio da confiança. Foi a quebra desta que levou à crise que o mundo neste momento atravessa, com as consequências que todos conhecemos. O conselho executivo da Olympus não faz mais que a sua obrigação quando colabora com a descoberta da verdade.
Por outro lado, este comunicado pretende ser um dique que obste à debandada dos clientes e consumidores. E, de facto, este é um mau momento para que isso aconteça. É como pisar as mãos de quem se agarra à beira de um precipício. Há motivos de sobra para que os consumidores, clientes e investidores virem as costas à Olympus, mas, ao mesmo tempo, há razões ponderosas para que se mantenham.
Eu, por mim, não tenho pena nenhuma de milionários que se dedicaram à prática de fraudes - mas tenho receio de que se perca a única das marcas japonesas de equipamento fotográfico que consegue verdadeiramente conquistar os seus clientes. Seria lamentável que a marca Olympus desaparecesse. Se as coisas correrem mal, ao menos que seja adquirida por um fabricante independente que lhe dê continuidade. Se for parar às mãos da Panasonic, como se especula nos meios fotográficos, vai ter a mesma sorte que a National e a Technics.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

E agora, Olympus?

O escândalo Olympus começa finalmente a ser esclarecido, e as últimas revelações são particularmente chocantes: descobriu-se que o pagamento de mais de seiscentos milhões de dólares a empresas de consultoria antes da aquisição da Gyrus por 1,9 mil milhões, bem como as aquisições de três empresas japonesas por um custo cerca de 70% superior ao seu valor real, serviram para encobrir perdas que a Olympus Corporation vinha acumulando desde os anos 90. Uma auditoria interna, chefiada por um juiz desembargador aposentado, divulgou hoje estes números, o que teve como consequência imediata a demissão de antigos auditores e de um tal Hishasi Mori, que era, com Tsuyoshi Kikukawa, um dos membros do conselho de administração cuja exoneração foi sugerida por Michael C. Woodford, o CEO da Olympus Corp. que foi despedido em 14 de Outubro. Com a divulgação destas notícias, as acções da Olympus caíram para perto do limiar que uma sociedade anónima tem de atingir para ser cotada na bolsa de Tóquio, o que significa que, se esta tendência continuar, a Olympus Corp. pode ser excluída do Nikkei.
A exclusão das transacções em bolsa pode vir a ter uma consequência óbvia - a insolvência da Olympus. Esta é uma hipótese cada vez mais provável. Mas as repercussões deste escândalo são ainda imprevisíveis: o Japão, cuja economia fora já severamente prejudicada pelas catástrofes do início deste ano - e também pelas cheias na Tailândia, uma vez que muitas empresas japonesas deslocaram a produção para este país -, está a ser seriamente afectada por este escândalo, minando a confiança dos investidores por um efeito de contágio cuja extensão ainda mal se começou a sentir. 
Quem diria que um fabricante de câmaras e lentes (e logo aquele que eu preferi...) ia estar na origem de uma crise que pode ter repercussões mundiais?
Na verdade, a Olympus não é apenas um fabricante de material fotográfico. A Olympus é um gigante da imagiologia médica que domina 75% do mercado mundial, e a divisão de fotografia representa apenas 16% do volume de negócios da Olympus Corporation. E tem ainda um negócio importante de áudio, e outro de instrumentos industriais de medição. Perante isto, ver a Olympus como um mero fabricante de câmaras e lentes não passa de um disparate. Este volume relativo da Olympus Imaging Corporation significa, por outro lado, que a marca Olympus pode desaparecer. O mais natural, com esta perda de confiança dos investidores - que se estão absolutamente nas tintas para a herança espiritual de Yoshihisa Maitani, para as lentes OM e para as PEN -, é que a Olympus Corporation venha a ser liquidada e as suas divisões lucrativas adquiridas por outras corporações. E a Olympus Imaging Corporation não é exactamente o sector mais lucrativo - pelo contrário, tem acumulado prejuízos ano após ano -, pelo que a sua aquisição poderá não suscitar o interesse dos investidores. Pelo que, a confirmar-se este raciocínio, a Olympus - o fabricante de material fotográfico - pode desaparecer. Há alguns motivos para ter confiança: as exonerações de Kikukawa e Mori podem ser um sinal de renovação e de vontade de pôr fim a práticas fraudulentas, que seria reforçado se Michael C. Woodford viesse a ser novamente designado presidente executivo, restabelecendo assim a confiança dos investidores. Pode acontecer que a companhia regresse à actividade normal, e que a divisão de fotografia não esteja em risco, mas isto parece muito pouco provável. O mercado costuma ser implacável com casos de fraude, especialmente quando atingem dimensões como este. 
Devo, pois, preparar-me para o eventual desaparecimento da marca Olympus; o mais provável é que ninguém tenha interesse em deter uma marca tão fortemente associada a um escândalo com estas proporções, e que os engenheiros altamente especializados venham a ser contratados pelas rivais. E, como sempre acontece nestes casos, avolumarem-se os números do desemprego. E nem sequer menciono as consequências que a insolvência da Olympus Corporation terá para a economia japonesa, nem as suas possíveis repercussões na economia mundial. Afinal de contas, o crash de 2008 começou com a insolvência de duas pequenas imobiliárias americanas, a Freddie Mac e a Fanny Mae, que não se comparavam, em dimensão, ao gigante que é a Olympus Corporation...  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Uma lente superlativa

As minhas primeiras impressões acerca da G.Zuiko OM 50mm/f1.4 foram hoje confirmadas com as primeiras fotografias sérias que fiz com ela, das quais vos mostro três exemplares. Esta é uma lente de qualidade absolutamente soberba, e já não me suscitam quaisquer reservas as opiniões segundo as quais as lentes OM estão entre as melhores do mundo. É uma lente desprovida de aberrações, de uma construção imaculada e capaz de imagens belíssimas.
Pensando um pouco, é também uma proeza tecnológica: uma teleobjectiva com uma abertura incrível e extremamente compacta não é fácil, nem barata de produzir. Que a Olympus tenha conseguido fabricar lentes desta qualidade num formato tão pequeno (embora seja uma lente substancial e pesada) é um testemunho da mestria em ópticas da marca. Que tenha adquirido esta lente nos dias de hoje, com uma qualidade intacta, também o é. E não - não vou revelar quanto paguei por ela. Só vos posso dizer que foi menos de metade do que teria pago se comprasse a lente digital 45mm/f1.8, que é um pouco menos luminosa, substancialmente maior e feita de plástico. Um bom negócio, mesmo sem focagem automática e com o custo adicional do adaptador (que foi amortizado com a compra desta que é a minha segunda OM).
A lente é composta por sete elementos em seis grupos, com um diafragma de oito lâminas (e não de seis, como é a norma), focagem manual e regulação da abertura na própria lente, num aro que a circunda, em oito stops: f1.4, f2.0, f2.8, f4, f5.6, f8, f11 e f16. Como toda a boa lente dos anos 80 que se preze, tem um calculador de profundidade de campo na sua base. A lente foca desde 45 cm até ao infinito, o que é, desde logo, uma vantagem substancial em relação à minha teleobjectiva 40-150, que obriga a uma distância mínima de 70 cm.
Montada na E-P1 com o adaptador, esta lente confere à câmara um ar sério de máquina profissional, embora seja ainda suficientemente compacta para não se tornar desproporcionada. Tal como a irmã 28mm/f3.5, esta é uma lente que dá prazer manejar: os comandos são precisos, nunca deixando qualquer sensação de folga ou construção deficiente.
Mas chega de técnica. A qualidade de imagem é simplesmente soberba. Contudo, eu não usaria a abertura máxima com muita frequência - a menos que tivesse de fotografar quase sem luz. Esta é uma lente que, pela sua luminosidade, torna o flash redundante, mas o uso da abertura f1.4 torna as cores desbotadas e a imagem plana. Aumentar a velocidade do disparo não melhora a imagem, apenas a torna mais escura por todo. A partir de f2.0, porém, as coisas começam a tornar-se interessantes: a lente tem uma profundidade de campo extremamente reduzida, o que a torna numa objectiva extremamente capaz para obter fundos desfocados e para focagens selectivas. É espantoso o que se consegue fazer com esta lente: o bokeh é simplesmente excelente, como ainda não tinha conseguido obter com qualquer das outras lentes: as formas desvanecem, deixando apenas cores suaves e diluídas. Sem dúvida que a abertura octogonal contribui para esta qualidade. A focagem do motivo desejado é incrivelmente simples e precisa, não deixando dúvidas quanto à nitidez. A reprodução das cores é belíssima, apenas sendo de ressalvar que a abertura máxima pode prejudicá-las ao produzir sobreexposição, roubando-lhes vivacidade e relevo. Fora esta advertência, as cores que esta lente capta são tipicamente Olympus: saturadas, mas não em demasia, e muito naturais e fiéis à realidade. E, sobretudo, é uma lente rápida, como já havia referido no texto anterior. Dei por mim a fotografar a mais de 1/500 num fim de tarde nublado! 
Esta é, pois, uma lente superlativa, ideal para grandes planos - embora não seja uma macro - e, sem dúvida, para retratos (uma modalidade a que ainda não me dediquei). O único lamento quanto a esta lente é não ter uma câmara que tire ainda melhor partido do seu potencial em termos de qualidade de imagem. Por muito boa que seja a E-P1, fico sempre com a sensação de que a câmara é o limite à qualidade das imagens a que esta lente pode aceder.  

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Entretanto...

Hoje perdi a cabeça e comprei uma lente. Mais uma Olympus da série OM, de focagem e regulação da abertura manuais. Desta vez comprei a 50mm/f1.4, uma lente de distância focal fixa (prime). Já a experimentei, mas não tive tempo de sair e fotografar fora de casa, pelo que ainda não tenho fotografias apresentáveis para mostrar. Já posso, contudo, tirar algumas conclusões. Antes de mais, é uma lente de enorme qualidade de construção: tirando o vidro dos elementos da lente e a borracha que envolve o anel de focagem, é toda feita de metal. Os comandos respondem de forma irrepreensível, transmitindo uma sensação de precisão notável numa lente que pode ter cerca de trinta anos. 
Como se poderia esperar de uma abertura tão ampla, é uma lente extremamente rápida: a sua luminosidade permite utilizar velocidades de disparo muito altas, o que a torna ideal para fotografar com pouca luz ambiente. É também uma lente com uma profundidade de campo extremamente reduzida, o que significa que me vou divertir com a focagem selectiva: esta é uma daquelas lentes com as quais se consegue obter planos de fundo completamente esbatidos. Já sei que vou passar muito tempo no Jardim Botânico a fotografar flores!
Com 50mm de distância focal (que na minha câmara equivale a 100mm), esta lente é já uma teleobjectiva. Serve para comprimir perspectivas e fotografar a uma certa distância, o que, conjuntamente com a baixa profundidade de campo, a torna ideal para retratos e fotografias de grandes planos. Depois eu dou-vos notícias; quando tiver tempo para a experimentar a sério, relato-vos as minhas impressões, já devidamente documentadas com fotografias.

sábado, 10 de setembro de 2011

Eu, a Olympus e as outras marcas

O texto anterior não significa que eu nutra alguma idolatria pela marca que tão longamente versei. Estamos perante uma companhia que fabrica os seus produtos em países onde o respeito pelos direitos da pessoa humana não existe, o que refreia consideravelmente o meu entusiasmo (*). Muito menos significa que seja pago para publicitá-la. E ainda menos que sinta alguma espécie de espírito de facção que me impeça de ver mérito noutras marcas. Pelo contrário: a minha primeira câmara foi uma Canon compacta. Se não fosse ter feito já um investimento substancial em lentes do formato Micro 4/3, e se sentisse a necessidade de ter uma câmara melhor, a única opção seria uma DSLR - e esta não seria uma Olympus.
A aquisição de uma DSLR mereceu-me sempre algumas reservas, à cabeça das quais está a estética. Não tenho dúvidas que, ao enunciar este aspecto em primeiro lugar, incorro na qualificação de frívolo, mas a verdade é que o aspecto estético sempre comandou, desde muito novo, a minha apreciação de uma câmara. Nos tempos idos da minha juventude, as câmaras eram bonitas; eram, na sua maioria, rangefinders, e o seu aspecto físico tornou-se a minha referência: câmaras relativamente pequenas, com uma parte do corpo de metal e a outra revestida de imitação de couro; nada de punhos inestéticos, linhas moles ou alojamentos protuberantes para o prisma, visor e flash. As únicas câmaras feias eram as de dimensões grotescas, como algumas Praktica e as câmaras russas. Ainda hoje as minhas referências são as Leica da série M, que são a expressão mais pura das rangefinders.
A outra reserva é a das dimensões das DSLR. A complexidade do seu manuseamento não me assusta, mas ter de trazer ao peito um conjunto de mais de um quilograma é uma ideia aterradora - quanto mais carregar um saco cheio de lentes fálicas e mastodônticas. Não estou interessado em ser um fotógrafo profissional, embora possa ver-me forçado a comprar uma DSLR se a minha evolução como fotógrafo assim o determinar.
Depois há o gosto pela originalidade, que eu cultivo dogmaticamente. Convenhamos que ter uma Canon ou uma Nikon não é nada original, pelo menos se compararmos com a minha E-P1. A proporção entre as reflex da Canon e Nikon e as E-P1 deve ser, pelo menos aqui em Portugal, de 1000 para 1. Mais uma vez corro o risco de ser tomado por frívolo, ou pelo menos por um esteta de gostos estranhos, mas entendo que a originalidade é importante. Vivemos numa civilização demasiado massificada e homogénea, e esta é a minha reacção à banalidade. Tal como ouvir música alternativa, clássica e jazz, comprar discos de vinil ou preferir processadores AMD.
Por fim - mas não o menos importante - há o factor económico e a relação entre custo e qualidade. As DSLR de acesso, como a Canon 1100D ou a Nikon D3100, não têm uma qualidade de imagem superior à da minha Pen E-P1. Podem ser melhores em determinados aspectos, mas a qualidade dos JPEGs saídos da câmara não é melhor que a das imagens da E-P1 - especialmente se usar uma lente como a G.Zuiko de 28mm, que captura as cores mais extraordinárias. Para ter uma DSLR que me desse mais do que aquilo que tenho neste momento, teria precisado de gastar muito dinheiro - e este, como sabemos, não cresce nas árvores. Ademais, li há meses um artigo que me deixou preocupado, no qual o autor afirmava que os corpos actuais são concebidos para durar não mais que quatro ou cinco anos. Neste aspecto a E-P1, com o seu corpo totalmente construído com metal, parece-me uma escolha superior a uma DSLR de plástico que terei de deitar fora dentro de alguns anos. (E eu nunca revelei publicamente a pechincha que a minha E-P1 foi...)
Como referi, se tivesse um interesse ainda mais sério pela fotografia (que não estou livre de vir a desenvolver), encararia a aquisição de uma DSLR como a única possibilidade; e não seria uma Olympus, uma vez que as suas reflex têm limitações consideráveis por virtude da opção pelos sensores 4/3, que diminuem a relação sinal/ruído, causando níveis de ruído na imagem que as colocam fora dos padrões de qualidade obtidos pelas câmaras de outras marcas. E o ruído é uma das minhas bêtes noires em fotografia, logo atrás da distorção de barril e à frente das aberrações cromáticas. Se eu fosse profissional, ou pelo menos fizesse trabalhos ocasionais de fotografia, a minha escolha não seria uma Olympus: seria uma Canon. Se tivesse de contar os cêntimos, seria uma 600D; se pudesse ir um pouco mais longe, a minha opção seria a 60D. É enorme, feia, e tem aquele LCD no topo cuja complexidade intimida mesmo quando a câmara está desligada - mas, a avaliar pelos testes da Digital Photography Review, é uma câmara que torna difícil de justificar a opção por outra de gama e preços superiores. Claro que toda a gente tem uma Canon (e quem não tem uma Canon tem uma Nikon...), mas a qualidade das cores, a nitidez, a neutralidade tonal, os níveis de resolução e a qualidade das imagens com sensibilidades ISO elevadas fazem com que esta seja a câmara que eu compraria, se tivesse o dinheiro necessário e a necessidade real de ter uma reflex. Poderia considerar outras opções: tenho a certeza que o modelo equivalente da Nikon, a D7000, é uma belíssima câmara, mas a qualidade de imagem da Canon está mais próxima dos meus padrões; a Pentax tem câmaras belíssimas (a K-x esteve na minha lista de possíveis aquisições) e, pelo que sei, as suas lentes são de enorme qualidade - incluindo as da era da focagem manual -, mas o futuro da Pentax, agora que foi adquirida pela Ricoh, é demasiado incerto, não sendo improvável que esta marca tenha por futuro descansar no céu das máquinas fotográficas, fazendo companhia à Minolta. Em todo o caso, preferia uma K-5 a uma Olympus E-5.
As reflex têm, desde logo, uma vantagem tremenda sobre as compactas de lentes amoviveis: o visor óptico. Não é apenas pela clareza da imagem, nem pela enorme vantagem de ver exactamente o mesmo enquadramento que a lente capta: é também por permitir segurar a câmara de uma forma muito mais estável. Depois há a ergonomia, que também ajuda a focagem e a resolução das imagens, ao garantir uma posição de disparo muito mais firme. E há, evidentemente, os aspectos relacionados com a qualidade intrínseca da imagem, desde logo os níveis diminutos de ruído. E a velocidade: se me dedicasse, ainda que ocasionalmente, à fotografia de desportos ou de animais no seu habitat natural (o meu gato, o Sousa, não conta...), as compactas de lentes amovíveis estariam excluídas. Porém, no meu patamar de conhecimentos fotográficos, e atendendo às minhas necessidades, a E-P1 serve perfeitamente - por agora.
E é uma Olympus...
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(*) Este texto foi escrito antes do Olympusgate...   

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eu e a Olympus

Não vou mentir: a Olympus não é uma marca com que tenha grande familiaridade. Ao contrário da Minolta, por exemplo, já  que um dos meus tios foi vendedor da representante da Minolta para Portugal, que importava também material da FujiFilm. O meu pai tinha uma Minolta 7S, que estou a pensar restaurar, pelo que as minhas recordações de fotografia não passam pela Olympus. O meu primeiro contacto com esta marca aconteceu em 1978 ou 1979, quando a Olympus patrocinou a Lotus na Fórmula 1 (o que me levou a uma impressão favorável, já que era, nessa altura, um taradinho pela F1...). A marca que está mais perto do meu coração é a Minolta, que já não existe: foi adquirida pela Sony, cujas câmaras nada me dizem. Como, aliás, qualquer dos seus produtos.
Não posso, deste modo, sentir nostalgia por tempos que passaram sem que me desse conta, nem inventar um passado que não vivi. A Minolta já não existe, e o meu conhecimento dos produtos da Olympus, antigos ou novos, vem do ano passado, altura em que me procurei informar sobre a câmara que ia comprar. Foi um mundo novo e inexplorado que encontrei. Não posso dizer que tenha ficado maravilhado com as descobertas, mas a verdade é que sinto orgulho em ter uma Olympus - o que não sucederia se tivesse uma Reflex da Canon ou da Nikon. Com efeito, a Olympus tem câmaras e lentes absolutamente notáveis. Das primeiras, a que mais me impressiona - a câmara que compraria se me dedicasse à fotografia analógica - é a Olympus OM-1. Em termos estéticos, porém, não tenho dúvidas: após a OM-1, a câmara da Olympus com a melhor estética é a Pen E-P1. A minha câmara. Sim, eu tenho uma das câmaras mais bonitas da história da fotografia. Fiz questão de trabalhar e poupar arduamente para adquiri-la. Nestes tempos de compactas, DSLRs e compactas com forma de DSLRs, a E-P1 sobressai. Bastou-me saber que era uma boa câmara, com funções tão avançadas quanto as DSLRs, para a querer de imediato.
O que me agrada, na Olympus, é o seu carácter, digamos, afectivo: é uma marca que cria vínculos fortes com quem teve as suas lentes e câmaras. Conheço algumas pessoas que se referem às suas velhas Olympus com genuína veneração; falam-me das suas OM e das Trip 35 com um sorriso enorme e olhos refulgentes de orgulho, o que não acontece com outras marcas. Neste aspecto lembra-me a Citroën dos anos 60 e 70, a propósito da qual os franceses diziam: On n'achéte pas une Citroën, on l'épouse. Quanto às lentes Zuiko, elas são referenciadas, pelos entendidos, entre as melhores do mundo - em especial as da série OM, das quais sou o vaidoso proprietário de um exemplar.
Hoje a Olympus está a pagar o preço de tentar seguir o seu próprio caminho. Cometeu, pelo menos, dois erros crassos: tardou demasiado a aderir à focagem automática (talvez por não querer abandonar a produção das lentes OM), o que a fez ser superada por praticamente todas as concorrentes, e, mais recentemente, construiu duas gamas de câmaras com base numa tecnologia cujas vantagens não chegam para superar os problemas técnicos que, neste tempo em que as aquisições são determinadas pelo marketing, a deixaram a marcar passo. Lançaram o formato 4/3, apesar de o sensor em torno do qual as câmaras e as lentes deste sistema são produzidas ter um handicap evidente quanto à sensibilidade ISO, o que prejudica a qualidade da imagem em fotografia nocturna e de motivos em movimento rápido. Basta, a qualquer das outras marcas, invocar a existência de um sensor enorme no interior das suas câmaras para que os consumidores virem as costas às E-5, E-30 ou E-620. Por outro lado, a incerteza quanto à continuidade da sua linha de câmaras DSLR está a deixar nervosos todos aqueles que construíram um sistema fotográfico em torno das lentes para 4/3, e são muitos os que põem de lado a lealdade para seguir o caminho Canon/Nikon. Até a Sony e a Samsung se estão a aproveitar da miopia dos administradores da Olympus.
Com o Micro 4/3 a história não difere muito. Apesar de compreender o que a Olympus está a fazer - câmaras pequenas com uma qualidade de imagem superior são uma dádiva para quem quer fazer fotografias de qualidade sem o volume e o peso de uma DSLR -, o mercado entende as câmaras deste formato como simples compactas com o gadget das lentes intermutáveis, o que a Panasonic parece estar a aproveitar melhor do que a Olympus. Este ano foram lançadas três câmaras idênticas em especificações e com pouca variação no tamanho: a E-P3, a Pen Lite e a Pen Mini. As duas últimas são produtos que concorrem entre si, sem que se veja muito bem por que alguém há-de comprar um modelo em detrimento de outro. Mais um erro. E a aventura Micro 4/3 pode tornar-se desastrosa para a Olympus, que aceitou ficar com as sobras dos sensores da Panasonic para as suas câmaras em troca da cedência do seu imenso know-how.
Tudo isto leva os analistas a questionar o futuro da Olympus. Há rumores - embora não muito consistentes - de que a Panasonic pode adquirir a Olympus. Se isto acontecer, é possível que a Panasonic faça o que a Sony fez à Minolta. O que seria um fim lamentável: uma companhia especialista em óptica com quase cem anos comprada por uma marca de aspiradores!