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sábado, 21 de julho de 2012

Tratamento do ruído no DxO Optics Pro 7.5

Alguns poderão, malevolamente, pensar que, por aludir tantas vezes ao DxO Optics Pro 7, lhe faço publicidade. Honi soit qui mal y pense. Se escrevo tanto sobre este programa de edição de imagem, tal deve-se aos seguintes factores: a) é o programa que uso, e que escolhi depois de testes intensivos; b) é o melhor programa de edição de imagem que conheço; c) entendo que é injusto que um programa com esta qualidade seja quase inteiramente desconhecido em Portugal, país onde existe um verdadeiro monopólio do Adobe Lightroom (ou do Photoshop, em termos mais genéricos). Não tenho qualquer ligação aos laboratórios DxO nem nenhum interesse comercial nos seus produtos, nem estou aqui para alimentar uma guerra de programas de edição de imagem. Sei que os fanáticos da Canon têm uma embirração com os laboratórios DxO porque os sensores da Canon são avaliados com classificações inferiores aos da Nikon, mas esta é uma guerra estúpida na qual sou neutral. O que me interessa é os resultados do uso deste software, e reputo-os de excelentes. Não vou dizer que o DxO Pro 7 é melhor que o Lightroom; tudo o que posso dizer é que se ajusta melhor às minhas escolhas estéticas, à minha maneira de fotografar e ao equipamento que uso. Outros poderão ter uma opinião diversa, e ainda bem que assim é. Cada um deve poder escolher o software que melhor se adapte às suas necessidades.
O que me levou a escrever este texto não foi justificar a minha escolha nem elogiar o DxO Optics Pro 7. Faço-o porque, nos textos em que avaliei o programa (v. aqui, aqui, aqui e aqui), não resulta claro o seu desempenho na redução do ruído. A razão é simples - fotografo quase sempre com ISO 100, pelo que o ruído é tão escasso que mal se notam os efeitos da correcção. Contudo, é com valores de ISO altos que o Pro 7 mostra o que pode fazer na redução do ruído. Posso dizer que, de uma relativa indiferença pelos resultados obtidos, passei para uma aprovação sem reservas quanto ao desempenho do software neste aspecto fundamental da edição da imagem.
As imagens que se seguem são crops da fotografia do topo, feita no interior da Igreja Paroquial de S. Nicolau, onde tive de elevar a sensibilidade ISO para 800 de maneira a obter tempos de exposição que possibilitassem fazer fotografias nítidas sem usar tripé. O primeiro crop não tem qualquer tratamento, tendo sido convertido directamente de Raw para JPEG sem qualquer retoque; o outro foi extraído da imagem processada com o DxO Pro 7.
Clique para ampliar
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Mesmo descontando a diferença de luminosidade das imagens, resultante da aplicação (automática) da predefinição do Pro 7, as diferenças são eloquentes. Para obter este resultado, mantive o filtro de ruído desligado e desactivei a função de redução do ruído na câmara. Na edição, apliquei um pouco de unsharp mask - já referi que esta função, no DxO, é a menos agressiva e mais eficaz que conheço: posso puxar pela intensidade quanto quiser sem detrimento da qualidade da imagem -, para dar um pouco mais de nitidez aos objectos. Não há aqui as manchas verdes, nem a pixelização excessiva do Lightroom; há uma suavização nítida dos contornos, tal como no Lightroom, que é o resultado da perda de definição causada pelo ruído de luminância, mas o pormenor é excepcionalmente bem preservado e sem aberrações resultantes da aplicação da redução do ruído.
O problema do ruído é um dos que me causa maiores preocupações. A Olympus E-P1 não tem um sensor capaz de lidar com o ruído de forma satisfatória quando se usam valores de sensibilidade ISO elevados, pelo que é crucial ter um bom programa de edição de imagem, que produza resultados satisfatórios neste particular. Penso que o exemplo que fica expresso com estas imagens fala por si. Se estivesse interessado, poderia imprimir esta fotografia (a original, e não o crop que apresento) depois de processada com o Pro 7. E este é um benefício evidente para alguém que entende que o destino último de uma fotografia é a impressão.    

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O problema das altas luzes

No tempo da fotografia analógica, uma fotografia com altas luzes proeminentes era uma fotografia mal feita, em que o fotógrafo não teve habilidade para controlar a exposição; hoje, com a fotografia digital, a maior parte das câmaras tende a sobre-expor as altas luzes - umas mais que as outras, diga-se: a minha E-P1, por exemplo, é terrível neste particular, produzindo clipping sempre que fotografo em condições de céu limpo e sol intenso. (Clipping é um termo que se aplica em fotografia quando uma curva do histograma excede o limite superior.)
O excesso das altas luzes tem efeitos prejudiciais sobre as fotografias. Embora possa ser usado com intenção, quando se quer transmitir a percepção de uma luz intensa e ofuscante, este excesso de sobre-exposição da luz torna a imagem baça e plana, dessatura as cores, favorece o surgimento de clarões e oculta o pormenor. E, quando o clipping ultrapassa o limite (dizendo-se, neste caso, que as altas luzes estão estouradas), esse pormenor perde-se irreversivelmente, apenas ficando uma porção branca na imagem que faz desaparecer todos os objectos que estavam nessa área do enquadramento. Não há edição que valha a uma fotografia em que parte da imagem ficou estourada.
Exemplo de histograma com excesso (clipping) de altas luzes
Como este é um problema de sensibilidade do sensor, cuja resposta linear tende a produzir sobre-exposição, são poucos os recursos que permitem evitar por completo o excesso de altas luzes. Usar um para-sol é uma boa ideia, mas este só é eficaz quando a luz intensa incide obliquamente sobre a lente. Os principais cuidados a ter, quando se fotografa sob sol intenso, para evitar o estouro das altas luzes, são recorrer à compensação da exposição, atenuando esta última entre -0,3 e -0,7 EV. Quando se fotografa no modo manual, em que não é possível accionar a compensação da exposição, deve-se optar por aumentar a velocidade do obturador na mesma proporção, mantendo a imagem sub-exposta. (Deve-se jogar com a velocidade do disparo, e não com a abertura, uma vez que estreitar esta última pode causar difracção e aumenta a profundidade de campo.) É mais fácil corrigir uma imagem sub-exposta do que uma com excesso de altas luzes, e deste modo evita-se que partes da fotografia fiquem estouradas. Deve notar-se, contudo, que mesmo com esta precaução poderá haver uma tendência para estourar as altas luzes.
Outra possibilidade é jogar com o controlo da medição, medindo a exposição na área mais luminosa do enquadramento através da medição pontual ou usando a função AE-L, mas esta forma de proceder tem o inconveniente de favorecer as sombras. De qualquer modo, como é mais fácil recuperar sombras do que altas luzes, esta é uma técnica que evita eficazmente o clipping.
Os programas mais eficazes de edição de imagem também podem contribuir para resolver o excesso de altas luzes, mas não convém deixar de tomar as precauções referidas acima por se confiar que aqueles programas vão recuperar o pormenor escondido sob as altas luzes. Até porque, como já referi, se estas últimas estourarem, a informação ocultada perde-se irreversivelmente. Contudo, o Adobe Lightroom e o DxO Pro 7 são tremendamente eficazes no tratamento de casos em que as altas luzes não chegaram ao ponto de estourar. O Lightroom é mais intuitivo, bastando deslocar um botão (slider) na horizontal para obter resultados altamente satisfatórios; o Pro 7 implica seleccionar uma de três opções (prioridade às altas luzes ligeira, média e forte) no menu de compensação da exposição, embora nos casos mais graves seja necessário compensar ainda mais a exposição, o que se faz de forma manual num slider. Em ambos os programas as áreas afectadas pelas altas luzes são mostradas através de cores falsas, o que torna a correcção mais fácil do que se se tivesse de confiar apenas no histograma. Contudo, como disse atrás, o facto de estes programas serem tão bons no tratamento das altas luzes não dispensa que se tomem precauções antes de premir o botão de disparo, porque os efeitos da sobre-exposição podem ser irreversíveis.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

DxO Optics Pro, v7.5: o teste (4)

Deixei para o fim a redução do ruído, embora este não seja o último dos parâmetros de correcção na ordem dos menus do Pro 7. O tratamento do ruído por este software é o mais eficaz e judicioso que conheço.
A primeira fase da redução do ruído consiste na eliminação do excesso de sombras na imagem. Como é nas áreas de sombra da imagem que o ruído se forma - este não surge nas zonas correctamente iluminadas nem nas de total ausência de luz -, o ruído existente no ficheiro é desde logo drasticamente reduzido com a compensação das sombras, sem que seja necessária qualquer intervenção do utilizador.
Naturalmente, quando se acentuam as sombras (por ex. para dar mais contraste à imagem), o ruído regressa; simplesmente, a redução é tão eficaz que o ruído presente é meramente residual, nem sequer se notando em impressões de formato considerável como 40 X 30. Devo dizer que afirmo isto com absoluta segurança, porque cinco das minhas mais recentes impressões são de fotografias editadas com o Pro 7. Se, porém, o ruído ainda existente for intolerável, há a possibilidade de reduzi-lo manualmente. Pode aumentar-se o pormenor escondido sob o ruído de luminância, aumentar o contraste das áreas afectadas pelo ruído e ajustar (reduzir) o ruído de crominância. O Pro 7 elimina automaticamente os pixéis mortos e remove o moiré, bastando assinalar uma caixa para que esta última aberração desapareça. (Oxalá houvesse um programa assim para editar o país, em que bastasse assinalar uma caixa para remover automaticamente aberrações como o Relvas e o António Borges...!)
A redução do ruído do Pro 7 é, à primeira vista, menos eficiente que a do Lightroom 4, mas é quando ampliamos as imagens tratadas num e noutro que nos apercebemos que a superioridade do Lr é apenas aparente. A redução do ruído no Lightroom é extremamente invasiva: os pixéis indesejados parecem desaparecer, mas as ampliações mostram uma perda severa de pormenor que não pode ser corrigida pelos respectivos comandos. E, quando se usa uma redução acentuada, surgem aberrações de pixéis (orlas) e as áreas onde o ruído se manifestava adquirem uma coloração verde que resultam razoavelmente bem em pequenos formatos, mas se tornam demasiado conspícuos quando as imagens são ampliadas acima de 50%.
Ruído tratado com o Lightroom 4...
 
 ...E com o DxO Pro 7
O Pro 7 conserva algum ruído, mas esta é uma opção deliberada para preservar o pormenor da imagem. E, acima de tudo, a cor não é corrompida pela redução do ruído. Diria, à semelhança de quase todos os críticos que testaram o DxO Optics Pro, que este software possui a melhor redução do ruído de todos os programas de edição de imagem. Não é a mais potente, mas é a que melhores resultados dá na prática. (Por «na prática» deve entender-se «nas impressões», que são o destino natural de uma fotografia.)
Falta referir o processamento, última etapa da edição da imagem. Todas as correcções a que me referi são feitas no separador «Customize». Quando a edição estiver concluída, muda-se para o separador «Process». A imagem editada surgirá sob a forma de miniatura. Nesta fase poderá abrir-se outra imagem para editar e, no fim da edição, juntar à anterior. Isto pode ser feito para diversas imagens, que depois de editadas podem ser processadas em conjunto. Quando todas as tarefas de edição estiverem concluídas, clica-se num botão denominado «start processing» na barra de ferramentas. O processamento não é lá muito rápido, mas a velocidade depende dos ajustamentos efectuados pelo utilizador, podendo ser de apenas alguns segundos se a correcção automática tiver produzido resultados satisfatórios e não forem julgados necessários mais ajustamentos. A imagem é automaticamente guardada como JPEG, TIFF ou DNG na pasta de origem ou noutra a especificar na coluna do lado esquerdo - ou pode ser directamente exportada para o Flickr ou para o Lightroom. A exportação para o Flickr é extremamente demorada e os comandos não respondem convenientemente, pelo que o melhor é exportar a partir da pasta onde as fotografias estão guardadas.

Conclusão

O DxO Optics Pro não é perfeito, mas é um programa de uma qualidade excepcional, com a vantagem de ser de uso simples. A correcção automática que é feita mal se abre a imagem é de tal qualidade que será tudo quanto basta para melhorar muitas imagens, dispensando qualquer intervenção do utilizador. Os problemas que encontrei são a lentidão com que a imagem adquire nitidez quando ampliada na área de trabalho - a forma mais rápida de o fazer é usar a roda do rato, se este a tiver -, alguns defeitos de interface menores, como a conversão a preto-e-branco estar mal situada nos menus, o facto de não se poder transformar uma imagem horizontal em vertical preservando a relação de aspecto e alguma lentidão a processar e a carregar imagens para o Flickr. A correcção das altas luzes e das sombras, a eliminação de distorções e aberrações ópticas e a redução do ruído conferem ao Pro 7 uma ligeira vantagem sobre os outros programas de edição de imagem, à cabeça dos quais surge o Lightroom. Este tem, reconhecidamente, mais flexibilidade e oferece mais controlo ao utilizador (talvez seja preferível dizer que lhe confere mais autonomia, em oposição aos automatismos do Pro 7), mas convém ter em conta que o software da DxO é pensado como uma etapa prévia de correcção da imagem que, depois de processada, receberá mais algum trabalho de edição no Lightroom, tirando partido da maior flexibilidade deste último. Simplesmente, as ferramentas de edição do Pro 7, embora um pouco mais básicas, podem ser suficientes para obter resultados imensamente satisfatórios. E é um programa demasiado caro para funcionar como se fosse um mero plug-in do Lightroom.
O Pro 7 e o Lightroom não são mutuamente excludentes. Espero que as minhas apreciações não sejam lidas, como alguns tão frequentemente fazem, como uma tomada de partido numa guerra imaginária entre os dois programas, ou uma demonstração de «amor» pelo Pro 7 e de «ódio» pelo Lr. Ambos são incrivelmente poderosos, e o que fazem em benefício da qualidade da imagem é simplesmente inestimável. E não são incompatíveis: o ideal seria ter os dois, tirando partido da correcção óptica inigualável do Pro 7 e da flexibilidade do Lightroom. Aliás, existe um botão no Pro 7 que efectua a exportação automática das imagens para o Lr. (O manual refere que se deve começar sempre pelo Pro 7, e só depois empregar outros programas de edição, o que faz sentido, pois caso contrário incorrer-se-ia frequentemente num excesso de processamento que seria prejudicial para a qualidade da imagem.) O Pro 7 é, contudo, suficiente para as necessidades de edição de qualquer fotógrafo amador. Este software facilita a vida ao utilizador que não gosta de perder demasiado tempo a editar imagens, e as suas ferramentas são mais que suficientes para obter excelentes resultados. E com os benefícios suplementares de se poder obter uma imagem (pseudo-)HDR de forma instantânea, e de ter um software que sabe como as objectivas e a câmara se comportam quando usadas em conjunto. Este benefício é, porventura, a maior vantagem do DxO Optics Pro 7. Não tenho dúvidas em recomendar vivamente a aquisição deste software - quer se use isoladamente, quer em conjunção com outros programas de edição.
Pode descarregar uma versão de ensaio, utilizável durante 31 dias, aqui.

NOTA: estes textos são da minha exclusiva iniciativa; não tive qualquer apoio, publicitário ou de qualquer outra natureza, para os escrever. Não tenho qualquer relação comercial com os laboratórios DxO, e o software DxO Optics Pro 7.5 que emprego foi por mim adquirido pelo preço de venda ao público fixado pelo seu autor. Não devia ter de escrever esta nota, mas não estou a salvo de haver alguém que venha insinuar que fui pago para escrever estes textos. Já me aconteceu antes...)   

sexta-feira, 18 de maio de 2012

And the winner is... (2)

Tenho pena que o DxO Optics Pro não seja o adequado para a minha câmara. E ainda mais pena tenho de que seja capaz de aberrações tão grotescas e intoleráveis como os pontos luminosos que mencionei e ilustrei no texto anterior. O Pro 7 faz-me lembrar os meus tempos de audiófilo, em que lia ensaios sobre equipamento de alta fidelidade, e das críticas que eram feitas ao equipamento de proveniência francesa, especialmente às colunas de som da Focal (ex- JM Lab), Triangle, BC Acoustique e Cabasse: muito pormenor, som de uma nitidez inacreditável, manchado por agudos límpidos, mas insistentes ao ponto de furar os tímpanos. Aqui, em lugar dos agudos, temos umas altas luzes insistentes que raramente se conseguem corrigir de modo satisfatório. É certamente uma questão cultural: os franceses parecem gostar de tudo muito brilhante, muito cintilante.
Este tempo que perdi a comparar os dois programas fez-me ver a fotografia de maneira diferente. O RAW, que uso em exclusivo desde há quase um mês, tem a seu favor um potencial de resolução incrível, mas ao apresentar a imagem sem qualquer tratamento pelo processador, esta surge com todo o ruído de que o sensor é capaz. 
Isto levou-me a questionar se faz algum sentido fotografar em RAW com uma E-P1, ademais quando as câmaras da Olympus têm um processamento dos JPEGs que é unanimemente elogiado. Talvez a minha busca pela maior qualidade da imagem possível me tenha levado longe demais, para territórios muito afastados da simplicidade que pretendi que as minhas fotografias tivessem. Afinal de contas, quando fiz as fotografias que mandei imprimir - e que são um êxito em termos de qualidade da imagem -, apenas fotografava no formato JPEG. E obtinha imagens livres de ruído, de uma resolução que, embora não se traduzisse em megabytes, era contudo excelente - como, de resto, as referidas impressões comprovam. Hoje, depois da experiência RAW e do contacto com dois programas de edição de imagem altamente sofisticados, fotografo de maneira diferente: a minha fotografia é mais pensada, mais calculada; feita a pensar nos resultados da pós-produção. Sem querer, posso estar a cortar as asas à minha criatividade fotográfica, trocando-a por uma qualidade de imagem que pode ser ilusória.
De facto, quando abro a 100% as fotografias retocadas, descubro sempre que estas não podem ser impressas: há sempre anomalias. Halos à volta dos objectos, resultantes da aplicação do unsharp mask, incorrecções tonais que são impossíveis de corrigir satisfatoriamente, perdas de resolução em resultado da redução do ruído e artefactos digitais criados pela mesma redução. Entre outras. Sou daqueles que entendem que uma fotografia apenas atinge a sua glória quando é impressa; que sentido faz obter imagens que não posso imprimir, porque a impressão exporia deficiências que não são aparentes no formato JPEG?
Contudo, é inegável que o Lightroom e o Pro 7 são superiores ao Olympus Viewer 2 que descarreguei gratuitamente em Julho do ano passado. Especialmente ao tratar ficheiros RAW, mas também a corrigir JPEGs. O Pro 7, em particular, faz maravilhas com imagens que julgava quase perfeitas. Usar estes programas teve o benefício de me abrir os olhos para alguns erros que cometia quando fotografava; um deles era a minha tendência para a sub-exposição. Não há nada de errado numa fotografia com boa luminosidade, desde que esta não torne os objectos baços e as cores planas. Nem sempre as imagens melhoram por serem muito contrastadas.
Resolvi, deste modo, repensar a minha fotografia por completo, devolvendo-a aos meus conceitos originais antes que me torne em mais um pixelpeeper. Quero que o meu conceito de resolução consista na percepção do pormenor que vejo na fotografia, e não no número de megabytes; quero saber que a exposição está correcta porque é assim que a vejo, e não por causa das curvas do histograma. E, sobretudo, não quero gastar mais tempo a processar imagens do que a fotografar. Tenho uma belíssima câmara para fotografar JPEGs, que revela limitações quando fotografo RAW; para quê, então, usar este formato? O acréscimo de resolução não justifica a maçada: não há muita diferença entre os 3,5 MB que são a média da resolução dos JPEGs e os 4/4,5 MB que estimo serem a resolução média dos ficheiros obtidos a partir do RAW. E, sobretudo, não vejo por que devo insistir em produzir imagens que mostram deficiências quando ampliadas, tornando impensável a sua impressão. 
O vencedor é... a simplicidade. O JPEG com um tratamento básico, para o qual o Viewer 2 é mais que suficiente. Esta simplicidade manteve-me satisfeito durante os meses que precederam estas experiências; não me parece sensato mudar em nome de uma evolução que tem mais de ilusória do que de real. Ken Tanaka tinha, afinal, razão.

And the winner is... (1)

A decisão está tomada. Durante mais de duas semanas ensaiei o Adobe Lightroom 4 e o DxO Optics Pro 7. Retoquei dezenas de ficheiros RAW com ambos os programas, as mais das vezes com resultados inconclusivos - tal a qualidade de ambos. O que um fazia, o outro também podia fazer. E, por vezes, melhor. Os resultados foram inconclusivos nas primeiras duas semanas, e assim permaneceram até ontem.
O Lightroom não precisa de longas descrições: é a ferramenta que quase toda a gente usa, e os outros programas de edição de imagem imitam-no com um grau mais ou menos elevado de êxito. Com ele consegue-se o controlo completo da qualidade da imagem, e se esta piora depois de processada no Lr é porque o utilizador é inábil ou se excedeu no uso das ferramentas. Este não é um programa que transforme uma fotografia noutra coisa qualquer, como o CS ou o Elements, alterando por completo o espírito com que aquela foi feita; é um software que leva mais longe a qualidade da imagem, que pode ser corrigida de todas as formas, desde o equilíbrio dos brancos ao nível de ruído sem incorrer nos excessos da manipulação.
O Pro 7 é, na aparência, mais um clone do Lightroom, mas seria injusto reduzi-lo a uma mera imitação. Este programa introduz três benefícios importantes em relação ao Lr: a correcção automática das distorções da lente - desde que esta seja reconhecida pelo programa -, a correcção, também automática, das aberrações cromáticas (no Lr esta ferramenta está extremamente bem escondida...) e uma acentuação considerável da gama dinâmica, criando um efeito semelhante ao das imagens HDR. O seu grau de automatização garante, à partida, bons resultados, bastando clicar a imagem com a tecla esquerda do rato para comparar com a original e descobrir as diferenças: se a imagem original estiver sobre-exposta, o Pro 7 devolve-lhe a exposição correcta; o mesmo se a imagem estiver sub-exposta, ou se as cores tiverem luminância ou brilho a mais. Muitas vezes é possível processar a imagem tal como ela fica depois da correcção automática - tal a qualidade desta correcção automática; outras vezes, porém, os resultados são deveras frustrantes.
Um dos raros casos de êxito na correcção das altas luzes com o Pro 7
Ao ampliar a gama dinâmica, o DxO Pro 7 tem uma certa tendência para expor demasiado as altas luzes, sendo por vezes difícil corrigir este excesso sem obscurecer a imagem por todo. Apesar de ser possível controlar a intensidade global da imagem e, em particular, a da cor, o resultado é quase sempre fotografias com excesso de altas luzes. Apesar de ter contornado esta tendência nalgumas imagens, a regra é surgirem picos brancos extremamente altos no lado direito do histograma, as mais das vezes perigosamente próximos da banda direita deste último. É isto que se obtém quando toda a gama dinâmica está presente na imagem, o que pode ser bom, e muitas vezes o é - mas não quando se tem uma câmara que tende a ser excessivamente entusiástica com as altas luzes, como o é a E-P1.
Já que menciono a minha câmara, devo dizer que a correcção automática se baseia em algoritmos introduzidos de acordo com as análises que os DxO Labs fazem às lentes e sensores: as imagens são corrigidas em conformidade com os dados recolhidos naquelas análises, e o resultado é, as mais das vezes, muito satisfatório. Quando descarreguei a demo da versão 7.2.2 do DxO Optics Pro, esta ainda não continha algumas ferramentas para a E-P1, como a redução automática do ruído (e eu considero a redução do ruído a ferramenta mais importante de um programa de edição da imagem); ontem mesmo a DxO disponibilizou a versão 7.2.3, que já suporta integralmente a E-P1.
Original tratado com o Lightroom (acima) e com o Pro 7, e crops a 100% das áreas com mais ruído (clique para ampliar).
O resultado foi uma tremenda decepção: o nível de ruído é exactamente o mesmo que aquele que está presente nas imagens tratadas com a evolução anterior. Se há alguma correcção automática, esta é extremamente subtil e, em qualquer caso, não tem a flexibilidade do Lightroom. O que se nota é um nível de ruído menor, porque o Pro 7 faz um excelente trabalho ao restituir luz às zonas de sombra onde o ruído produz os seus efeitos mais nocivos, mas o ruído retorna quando se aumenta o nível dos pretos ou o raio das sombras. Talvez esta presença inelutável do ruído seja o resultado de uma diferença de concepção: não excluo que a DxO entenda ser preferível manter algum ruído em benefício do pormenor, em lugar de o reduzir como o faz o Lightroom quando se corre o botão da redução do ruído de luminância demasiado para a direita. O nível de pormenor das imagens automaticamente corrigidas pelo Pro 7 é de fazer cair o queixo - esta é, indubitavelmente, uma das maiores vantagens deste software -, e admito que a DxO entenda ser preferível manter este nível de resolução em lugar de o diminuir com um filtro de ruído demasiado invasivo, como o faz o Lightroom. É possível que, se tivesse uma câmara com um nível de ruído inferior ao da E-P1, os resultados da correcção fossem muito mais satisfatórios, mas aquela é a minha câmara e não posso basear a minha escolha em critérios hipotéticos. A impossibilidade prática de corrigir as altas luzes e a redução do ruído insatisfatória afastam-me de um programa que, uma vez ponderados todos os factores, é altamente recomendável.
Ao experimentar a evolução 7.2.3, dei-me conta de uma anomalia: ao tratar uma fotografia nocturna, dei-me conta do aparecimento de pontos luminosos nas zonas de sombra. Embora o software elimine automaticamente os pixéis mortos, estes pontos persistiram. Já me tinha dado conta do aparecimento ocasional de manchas de pixéis coloridos enquanto tratava imagens (o que também me aconteceu uma ou duas vezes com o Lightroom), mas estas manchas desapareciam com a conversão em JPEG; os pontos luminosos que me apareceram ontem, porém, também são visíveis nos JPEGs, pelo que poderemos ter aqui um bug qualquer. Em todo o caso, esta anomalia deu-me vontade de desinstalar imediatamente a demo. (Continua)   

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Decisão adiada

A minha primeira fotografia com raw (Maio de 2011): com o Lr4...
Ainda não é hoje que vou fazer o comparativo entre o Lightroom 4 e o DxO Pro 7. Em primeiro lugar, porque, seja qual for a imagem que retoco, com qualquer dos programas, consigo replicar o resultado com o oponente. O que diz bem do equilíbrio entre os dois.
Depois, porque, sinceramente, ainda não posso dizer que conheço bem qualquer destes programas. Pensava que o Lr4 não tinha correcção das aberrações cromáticas, mas afinal tem; está é muito bem escondida no menu «correção da lente», e pode ser activado escolhendo a opção «perfil» e seleccionando uma caixa chamada «desvio cromático» (em pórtugêisz du Brásíu...). O que elimina o que pensava ser uma desvantagem em relação ao DxO. Este, por seu turno, pode ter aquela que pensava ser uma das suas grandes desvantagens - o excesso de altas luzes - contornada através da curva de tons.
...E com o Pro 7
Finalmente, porque comparar ambos os programas usando as imagens obtidas com a E-P1 levaria a resultados desiguais: fui informado, pelo apoio técnico da DxO, que algumas ferramentas ainda não estão disponíveis para a E-P1. Uma delas é a função «de-noise», o que pode atenuar ou eliminar aquela que é, na configuração actual, a principal desvantagem do Pro 7 em relação ao Lightroom - o tratamento do ruído. E o próprio Lr está prestes a receber a versão 4.1.
Não quero tomar uma decisão precipitada. Há dias em que, comparando os resultados obtidos, escolho indubitavelmente o Pro 7 - apenas para descobrir que o Lr4 é capaz de igual ou melhor. E o mesmo pode ser dito em sentido oposto. São os dois tão bons que nem sequer sei qual vai ser o critério de escolha.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hoje

Com o Lightroom
Hoje fui fotografar porque sim. Porque tinha tempo e foi a melhor maneira que encontrei para preenchê-lo, mas não levava nenhum objectivo definido. Depois de fotografar um pouco no jardim botânico, onde fiz uma fotografia relativamente interessante, deambulei um pouco pelas ruas das imediações. Como se me meteu na cabeça que tenho por força de fotografar um Citroën DS, a deambulação prolongou-se por uma hora. Claro que não encontrei nenhum boca-de-sapo; não é bem um carro recente, pelo que a sua raridade vai tornar quase impossível a minha demanda.
Um conselho - nunca saiam de casa para fotografar sem levar um objectivo bem definido. O resultado - pelo menos comigo - é sempre o mesmo: fotos desinspiradas. Decidam previamente o que querem fotografar antes de sair de casa e escolham as lentes e o resto do equipamento em conformidade. E não procurem objectos impossíveis...
Com o Pro 7
Quando voltei a casa, editei as fotografias com o DxO Pro 7. Fiquei insatisfeito: as altas luzes, em certas fotografias, são praticamente impossíveis de atenuar. E a redução do ruído não me deixa inteiramente contente. Descobri que há, pelo menos, duas ferramentas que ainda não estão disponíveis para a E-P1: o de-noise automático e a recuperação das altas luzes. Ambas estavam programadas para Abril deste ano (o que é estranho numa câmara que foi lançada há quase três anos). É possível que ambas melhorem ainda mais a qualidade da imagem.
JPEG convertido a partir do raw sem edição
Retoquei as mesmas fotografias com o Lr4. A superioridade deste programa está, pensava eu, no controlo das altas luzes e na redução do ruído, mas as definições automáticas da imagem, que podem ser escolhidas no menu básico, tornam as imagens quase idênticas à correcção automática do DxO (*). É possível atenuar as altas luzes no Pro 7, mas à custa da sub-exposição da imagem no seu todo. O Lr4 reduz as altas luzes mantendo o equilíbrio das tonalidades. Quanto ao ruído, se é verdade que o Lr4 parece fazer um melhor trabalho, também o é que ficam sempre manchas verdes nas zonas de sombra. O Pro 7 deixa ficar um pouco de ruído, mas não há manchas verdes. Estas descobertas apenas vieram aumentar as minhas dúvidas e a minha indecisão. 
Tenho passado demasiado tempo a fazer estes comparativos. Ainda vou acabar por escolher o programa que me faça estar menos tempo à frente do computador!
___________________
(*) Isto tornou-me ainda mais consciente de uma realidade que já intuíra antes: as lentes não captam as cores da mesma forma que as percebemos. Nem os ficheiros raw, nem os programas de edição. (Isto dá para um texto inteiro, talvez o de amanhã...)

terça-feira, 8 de maio de 2012

No meio da ponte

Ainda não é a conclusão definitiva, mas neste momento, apesar das muitas dúvidas que ainda subsistem, sinto-me mais inclinado para o DxO Optics Pro 7 que para o Lightroom 4.
Com o Lr4
Com o Pro 7
E porque estaria eu pronto para virar as costas àquele que é considerado o mais completo, flexível e poderoso programa de edição de imagem? Porque, com o DxO, obtenho resultados muito mais próximos das minhas ideias sobre fotografia do que com o Lr4. Tenho feito inúmeros testes comparando ambos os programas: edito a mesma fotografia, em formato raw, em ambos, e os resultados são consistentemente superiores com o Pro 7. E não - não faço batota, abstendo-me de empregar todos os recursos do Lr4 e usando o Pro 7 com mais diligência: explorei, em ambos, todas as curvas de tons, contrastes, exposição, equilíbrio dos brancos, controlo de altas luzes e sombras, etc. até obter imagens satisfatórias.
Sei que vai haver quem fique com os nervos em franja depois de ter lido isto. Ao ler este texto, alguns verão em mim um obstinado que se recusa a ver aquilo que se mete pelos olhos adentro de todas as outras pessoas, mas a verdade é que nunca fui do género de seguir tudo o que os outros dizem e fazem, e é muito frequente ignorar o senso comum. Fernando Aroso disse-me: «Compre uma Nikon!» Comprei uma Olympus. Se tivesse comprado a Nikon, hoje teria uma câmara que não seria apenas obsoleta (como a minha câmara admitidamente o é): seria também uma câmara ultrapassada. A E-P1 não está ultrapassada, porque é uma pioneira, uma câmara distinta e tem um desempenho idêntico ao da mais recente E-P3; a D3000, que é a Nikon que teria comprado, seria apenas mais uma entre milhões de câmaras idênticas, uma máquina anódina de que ninguém se lembrará dentro de dois anos. Também me disseram que devia ter comprado um VW Polo ou um Opel Corsa em lugar do meu Peugeot 206: os primeiros são carros alemães - logo, como é evidente e toda agente sabe, mais robustos e fiáveis. Não lhes dei ouvidos e, em consequência, hoje tenho um carro que ainda é bonito, de linhas bastante actuais, e que nunca me deu problemas, excepto os decorrentes da idade e da quilometragem. Um automóvel que é confortável, seguro e tem uma tenue de route exemplar.
Em ambos os casos, sabia exactamente o que estava a fazer. Não comprei a Olympus sem antes me ter certificado que era uma câmara com boa qualidade de imagem (e de construção, já agora), e optei por um Peugeot porque, tendo tido um Citroën que partilhava a mesma mecânica, e conhecendo proprietários de Peugeots, sabia, com um grau elevado de certeza, o que podia esperar. Nunca fui rico, pelo que as minhas aquisições são cuidadosamente ponderadas.
Com o Lr4: isto foi o melhor que pude fazer. Reparem no cartaz
logo à frente da rapariga e comparem com a imagem abaixo
Com o Pro 7: todas as tonalidades foram preservadas
na passagem para o preto-e-branco
Tergiverso. Nos testes que fiz, dos quais mostro aqui alguns resultados, dei frequentemente por mim a tentar reproduzir o que tinha obtido com o Pro 7 enquanto editava a mesma imagem com o Lr4. Fi-lo inúmeras vezes: de vez em quando, abria a imagem editada com o DxO para compará-la com o que estava a obter no Lr4; de seguida, tentava reproduzir os resultados da edição com o Pro 7 no Lightroom. Concluí que conseguia - mas com muito mais trabalho. Para obter uma imagem com o mesmo aspecto, demorava cinco minutos no Pro 7 e mais de um quarto de hora no Lr4.
Dei por mim a usar, inconscientemente, os resultados do Pro 7 como referência. Isto significa, não necessariamente que o Pro 7 é superior, mas que os resultados obtidos são mais satisfatórios. Ou, pelo menos, que me dão mais satisfação - porque estas coisas têm sempre uma elevada dose de subjectividade. O Pro 7 tem uma característica extremamente interessante, de que não me apercebi de imediato porque estava escondida num sub-menu: usa uma metodologia de edição que simula o efeito do HDR, indo buscar todas as sombras e todas as altas luzes presentes no ficheiro raw. Foi por este motivo que me queixei daquilo que pensava ser uma tendência para a sobre-exposição, mas estava errado: o que tinha era uma gama dinâmica mais extensa. E os resultados deste processamento são de tal maneira satisfatórios que não me surpreende que estivesse sempre a compará-los com a imagem processada com o Lr4 e a tentar imitá-los.
O Pro 7, contudo, não foi pensado para ser um programa, digamos, autónomo, de edição de imagem; é um programa concebido para ser, não diria um plug-in, mas uma espécie de preparação prévia da imagem a processar posteriormente no Lightroom. Este último será sempre o editor de imagem por excelência - mas a verdade é que o Pro 7, a despeito de algumas funcionalidades serem menos desenvolvidas e de ser, no geral, menos flexível, também oferece inúmeras possibilidades de edição, com resultados bastante satisfatórios. Afinal de contas, o que me preocupa não é tanto ter uma vasta gama de ferramentas e de botões para manipular, mas em que medida os existentes me podem ajudar a obter fotografias melhores.
Ainda tenho muito tempo para decidir o que fazer, mas vai custar-me muito abrir mão do Pro 7 se optar pelo Lr4. E vice-versa... nem o pobre tolo de Teixeira de Pascoaes, indeciso a meio da Ponte de S. Gonçalo de Amarante, se sentia tão confuso e dividido como eu neste momento.  

sábado, 5 de maio de 2012

O meu dilema

Ao fim de muitas horas de uso do Adobe Photoshop Lightroom 4 e do DxO Optics Pro 7, creio já poder apontar as qualidades e insuficiências de cada um, embora reserve uma avaliação final para mais tarde, quando estiver em condições de me decidir.
É necessário começar por dizer que ambos os programas são verdadeiramente prodigiosos, e que, seja qual for a escolha, qualquer um satisfaz todas as necessidades de quem quer editar imagens sem chegar aos exageros de manipulação consentidos por programas como o Photoshop CS ou o Corel Graphics. Ambos fazem sensivelmente as mesmas coisas, com uma gama interminável de ferramentas de retoque da imagem, pelo que, neste texto, vou referir-me apenas às diferenças principais entre ambos.
O Pro 7 tem, antes de mais, uma enorme vantagem sobre o Lr4: corrige automaticamente a distorção óptica, a vinhetagem e as aberrações cromáticas, e fá-lo preservando a relação de aspecto - o que implica, no caso da distorção óptica, a perda de alguns milímetros nas bordas da imagem, mas a correcção do Lr4 também o implica, com o ónus de ter de ser o utilizador a fazer o recorte para eliminar as porções da imagem em branco. Estas correcções do Pro 7 são, como disse, automáticas, mas este automatismo apenas funciona com lentes reconhecidas pelo programa. Não funciona, por exemplo, com fotografias feitas com as lentes OM, caso em que as correcções terão de ser feitas manualmente. A DxO aproveita o conhecimento dos problemas ópticos de cada lente montada numa dada câmara, conhecimento adquirido nos testes exaustivos que lhes permitiu construir uma base de dados gigantesca, para estabelecer os algoritmos de correcção. E os resultados são absolutamente fantásticos.
O Lr4 também permite todas estas correcções, mas sem a magia do DxO. Tem, contudo, duas vantagens de peso sobre o Pro 7. A primeira é o controlo das altas luzes, que é claramente superior ao do Pro 7. Este último não suprime satisfatoriamente as altas luzes, sendo necessário jogar com a compensação de exposição e com os contrastes, as sombras e os pretos, o que resulta numa imagem homogeneamente escurecida. Acresce a isto uma tendência para corrigir as imagens deixando-as com excesso de luminosidade, pelo que aquilo a que chama white point, que é na verdade o controlo das altas luzes (os laboratórios DxO usam uma terminologia muito específica), surge sempre no máximo, ou perto. O excesso de altas luzes pode ser ainda corrigido no menu da compensação de exposição, em que a correcção pode ser feita através dos quatro parâmetros daquilo a que a DxO chama highlight priority: leve, médio, forte e ponderado ao centro. Contudo, mesmo com o máximo de redução das altas luzes, os resultados são sempre inferiores aos do Lr4, que, para além dos controlos básicos, por barras horizontais, permite também modificar as curvas de tons separadamente para as altas luzes, sombras, brancos e pretos.
O outro aspecto em que o Lr4 produz melhores resultados é na redução do ruído. Neste programa o utilizador tem o controlo total sobre o ruído da imagem, enquanto no DxO a redução do ruído de luminância é feito automaticamente - mas com resultados abaixo dos que se podem obter com o Lr4. Nos diversos websites e blogues que consultei, a redução do ruído do Pro 7 é unanimemente gabada, mas eu considero os resultados pouco superiores aos obtidos com o Olympus Viewer 2.
O Pro 7 volta a ganhar na correcção da distorção da imagem, sendo bastante mais simples e intuitivo que o Lr4 na correcção vertical e horizontal. (Curiosamente, nenhum deles permite transformar imagens horizontais em verticais mantendo automaticamente a relação de aspecto, algo que até o Olympus Viewer 2 faz com um simples clique do rato.)
Vou ter de ponderar muito bem a minha escolha, embora neste momento me sinta mais inclinado para o Lr4. O facto de o DxO Pro 7 ser tão bom apela ao meu sentido de originalidade (o mesmo que me levou a comprar a E-P1), já que me permitiria afastar-me do unanimismo à volta dos produtos da Adobe e optar por ter um produto europeu, ademais vindo de um laboratório que, apesar de os seus testes serem controversos na comunidade fotográfica, tem um rigor metodológico e um know-how apreciáveis. Mas há alguns problemas que obstam a esta escolha: a tendência para a sobre-exposição das imagens apresentadas e a ausência prática de um controlo eficiente das altas luzes, a que já me referi, mas também algumas características irritantes: por exemplo, em certas imagens surgem manchas de pontos luminosos durante a edição (o que quase me levou a desinstalar o programa logo no primeiro dia), mas estes não aparecem na imagem final. O Lr4 não tem a correcção automática das distorções ópticas, mas tem um controlo das altas luzes e sombras e uma redução do ruído de que o Pro 7 não consegue aproximar-se. Os dois equivalem-se no equilíbrio dos brancos e nos controlos de tonalidade, intensidade, nitidez e saturação, mas o Lr4 tem mais flexibilidade no tratamento de imagens no formato JPEG.
Depois há o caso particular das aberrações cromáticas. O DxO Pro 7 faz autênticos milagres quanto a este problema, e esta correcção é absolutamente fundamental para mim, que uso uma Olympus 17mm/f2.8 que parece optimizada para dar o máximo de aberração cromática possível. Esta ferramenta está tão bem escondida no Lr4 que me levou duas semanas a encontrá-la. Diz-se que a versão 4.1 terá uma correcção das aberrações cromáticas ainda mais potente, mas falta saber se o preço se manterá tão baixo como o da versão .0 e quando será posta à venda.
O ideal seria ter os dois: usar o Pro 7 para corrigir automaticamente a distorção e as aberrações da imagem e exportar os ficheiros como DNG para o Lr4, corrigindo neste as altas luzes e o ruído, mas este é um luxo que não me posso, infelizmente, permitir. Qualquer que seja a escolha que farei, vou sempre ficar a perder qualquer coisa. Para ter mais flexibilidade no controlo das altas luzes - um problema bastante sério da E-P1 -, vou perder a magia da correcção automática das distorções e aberrações da lente; para ter imagens com menor ruído, terei de abrir mão de um interface mais simples e inteligente, menos «Microsoft» que o da Adobe. (Senhoras e senhores da Adobe e DxO, estão a ler isto? Hello-o, acordem...!)   

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Compreendendo melhor a fotografia através da edição

Experimentar programas de edição de imagem tão evoluídos como o Lightroom 4 e o DxO Pro 7 tem sido divertido - embora não tanto como fotografar. E o uso de ficheiros raw, cujas possibilidades de edição são claramente maiores, tem contribuído, em conjunto com o uso daqueles programas, para me fazer compreender algumas realidades acerca da fotografia digital.
A primeira destas realidades é o efeito nocivo do ruído na qualidade de imagem. Um ficheiro raw revela todo o ruído de que uma câmara como a minha é capaz, por menor que seja o valor ISO utilizado. Os níveis de ruído, que se manifestam essencialmente - mas não em exclusivo - nas zonas de sombra, chegam a ser surpreendentes pela sua magnitude. Mesmo, repito, quando se usam os valores de sensibilidade mais baixos. Programas como o Lr4 e o Pro 7 expõem as deficiências da câmara (ou, se quisermos, do sensor) sob uma luz particularmente nua e cruel.
Não é apenas no ruído que os problemas da câmara se manifestam: é também na exposição. A Olympus E-P1, que é a única câmara sobre a qual me posso pronunciar por ser a única que tenho (ainda não perdi a esperança de um dia este blogue ser lido por distribuidores de material fotográfico que me cedam material para fazer recensões...), tem uma tendência irritante para estourar as altas luzes. É certo que posso contornar este problema usando a medição pontual para obter a exposição correcta nas altas luzes, usando posteriormente o controlo das sombras, clareando-as, na edição da imagem, mas preferia que a câmara não tivesse esta tendência. A nova E-M5 tem um botão para controlo da gama dinâmica, cuja utilidade me escapava - até descobrir estes programas de edição de imagem. Bem gostaria que a Olympus tivesse pensado nisto quando lançou a E-P1, mas, como alguém me referiu, esta câmara é uma espécie de versão Alpha para as que se lhe seguiram.
Também as deficiências das tonalidades são mostradas impiedosamente pelo Lr4 e pelo Pro 7. O azul - o famoso azul da Olympus! - tem um predomínio do ciano que torna os céus claros esverdeados e os escuros pouco naturais - algo que não é perceptível nos ficheiros JPEG, que são processados (e muito bem, diga-se) pela câmara.
Raw processado com o Viewer 2
Com o DxO Pro 7
Por outro lado, imagens que eu imaginava belíssimas e perfeitas são tudo menos isso quando as abro nos programas da Adobe e da DxO. Há algumas semanas andava pelas ruas do Porto, num domingo à tarde - em frente à minha casa há um café cujos exploradores organizam um «karaoke dançante» nas tardes de domingo, cuja música, pelo volume e pelo mau gosto execrável, me faz fugir de casa -, e, nessas deambulações, deparei-me com uma cena kitsch que atraiu a minha curiosidade: dois bonecos, aprimoradamente vestidos, expostos numa janela. Eu nunca poria aqueles bonequinhos na janela da minha casa, mas fotograficamente pareceram-me interessantes e fotografei-os. Quando cheguei a casa, a fotografia resultante entusiasmou-me pela nitidez dos pormenores, pela precisão e beleza das cores e abundância do pormenor. Ontem abri o ficheiro raw com o DxO Pro 7: o JPEG que fiz com o Viewer 2 a partir do ficheiro raw era, afinal, sub-exposto, com um nível de pormenor reduzido e cores excessivamente saturadas. Neste aspecto, posso dizer que estes programas me abriram os olhos: as fotografias que tenho feito são, em geral, demasiado sub-expostas, perdendo por esta via uma quantidade impressionante de pormenores e reduzindo a resolução. Quando abro ficheiros raw nos programas de edição - especialmente no Pro 7, mas também no Lr4 -, fico maravilhado com a claridade e a exuberância da resolução. A sub-exposição resulta bem na fotografia a preto-e-branco, mas nem por isso na fotografia a cores.
Tudo isto quanto ao desempenho do sensor. Mas os programas de edição também mostram os problemas das lentes, levando-me a concluir que a única das minhas objectivas que tem padrões de qualidade verdadeiramente elevados é a OM de 50mm. A Pancake de 17mm produz aberrações cromáticas de um nível que parece aceitável nos JPEGs, mas os raws, quando abertos com o Lr4 ou o Pro 7, mostram que estas aberrações são simplesmente horríveis. O mesmo quanto à distorção da imagem: esta lente, que me dá prazer usar pela sua versatilidade, rapidez e simplicidade, é péssima neste aspecto (tal como a OM de 28mm, diga-se). Nem a correcção da câmara evita que esta aberração surja patente nas fotografias. E a falta de resolução nos cantos da imagem, defeito que todos apontam à 17mm mas que me passou largamente despercebido durante todo este tempo, é afinal bem real. Nada, diga-se, que me vá impedir de continuar a utilizá-la, mas esta é, em definitivo, uma lente barata que não merece ostentar o nome prestigioso «Zuiko».
Os programas de edição que estou a experimentar suprem facilmente, e com resultados muito satisfatórios, estas deficiências. Não há nenhum parâmetro da exposição, tonalidade ou resolução que não possa ser melhorado na pós-produção. Ambos os programas são utilíssimos: eles ajudam-me a olhar as minhas fotografias com olhos mais imparciais e atentos, levando-me a perceber melhor os erros em que tenho incorrido nas minhas escolhas quanto à qualidade estética das fotografias. Por exemplo, agora compreendo que o contraste, de que normalmente abusava, imaginando que assim obtinha imagens mais interessantes, prejudica a nitidez e esconde a resolução da imagem. E finalmente compreendi a utilidade - inestimável, diga-se - do histograma. Os programas de edição podem, neste sentido, ajudar-me, não apenas a produzir melhores fotografias, mas também a fotografar melhor. Tal é o poder do Lr4 e do Pro 7. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lr4 vs Viewer 2: let the fight begin!

É extremamente curioso comparar o Adobe Photoshop Lightroom 4 com o programa de edição de imagem que tenho usado, o Olympus Viewer 2. Há, desde logo, uma diferença substancial que importa ter em conta: o Viewer é gratuito, enquanto o Lr4 custa uma centena de euros. Deste modo, seria de esperar que o Lr4 tivesse um desempenho muito superior. Será assim?
Começando, seguindo a ordem dos menus da função «revelação» do Lr4, pelas ferramentas de corte, pode dizer-se que não há grandes diferenças. O Lr4 tem, contudo, a vantagem de cortar automaticamente a imagem quando esta tem de ser nivelada, ao passo que o Viewer exige a intervenção manual do utilizador para adequar o tamanho da imagem às margens resultantes do nivelamento. Ambos os programas dão a possibilidade de personalizar o formato da imagem ou escolher um padrão pré-existente: 4:3, 3:2, 1:1, etc.
Assumindo que se está a usar o formato raw, vamos ver como se comportam os dois programas na edição da imagem. O menu básico do Lr4 demonstra, logo no início, a razão por que é mais poderoso que o Viewer 2: a compensação separada das altas luzes e das sombras. Isto é absolutamente inestimável: a minha câmara tende a ser um bocado entusiástica nas altas luzes, sendo incompreensível que o software da própria Olympus não tenha levado esta característica em conta. O controlo separado das altas luzes e das sombras permite escurecer as partes da imagem que ficaram sobre-expostas e clarear as que aparecem sub-expostas sem destruir o equilíbrio (que pode ser regulado noutro menu) e permitindo agir sobre as respectivas curvas. O Viewer apenas permite clarear ou escurecer a imagem por todo, não tratando separadamente as altas luzes e as sombras.
O equilíbrio dos brancos é outro campo em que o Lr4 é superior. É possível escolher uma das pré-configurações típicas (luz do dia, sombra, incandescente, etc.) ou modificá-lo manualmente, não apenas na temperatura da cor como na saturação das cores. O Viewer oferece uma «compensação BB», cujo efeito é bastante mais subtil. Quer o Lr4, quer o Viewer, têm a possibilidade de especificar o ponto cinza, o que equivale (mais ou menos) a definir o equilíbrio dos brancos na câmara apontando-a a um cartão branco. Eu diria que, embora o Lr4 dê mais flexibilidade e seja superior - especialmente no tratamento de fotografias a preto-e-branco -, o Viewer faz um excelente trabalho.
Quanto aos demais parâmetros da exposição, o Lr4 leva uma vantagem aparente: o Viewer limita-se a reproduzir os menus da câmara quanto à saturação, nitidez, contraste, etc., ao passo que o Lr4 ganha por ser mais flexível, permitindo o controlo total das altas luzes e das sombras, bem como dos pretos e dos brancos. Note-se, porém, que o Viewer, para além do processamento em raw, também possibilita o uso das ferramentas normalmente usadas para editar JPEGs, dando acesso ao controlo das curvas de tons, brilho e contraste, nitidez e saturação, entre outros parâmetros. Quanto ao resultado final, diria que, tendo em conta a natureza gratuita do Viewer e o preço do Lr4, o Viewer ganha em termos de valor, já que o resultado final é quase tão bom como o obtido com o Lr4. Mas é neste «quase» que está a grande vantagem do Lr4 - a flexibilidade e a possibilidade de controlo que o Lr4 tem a mais. O Viewer é pensado para obter bons resultados de forma automática, o que largamente consegue; mas o Lr4 dá mais autonomia ao utilizador para definir precisamente o que quer fazer com a imagem.
No controlo dos tons, ambos produzem excelentes resultados; simplesmente, o Lr4 tem, de novo, a vantagem de ser mais flexível, ao permitir o controlo da intensidade, saturação e luminosidade de cada um dos vários tons (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul-piscina, azul, púrpura e magenta), enquanto o Viewer obtém sensivelmente os mesmos resultados, embora de maneira diferente e apenas com as cores básicas. Não há diferenças substanciais na imagem final, mas o Lr4 deixa-nos retocar as cores de maneira a ficarem ao nosso gosto, não dependendo tanto dos algoritmos como o Viewer.
O Viewer recebeu recentemente um upgrade que lhe trouxe a função unsharp mask, mas esta é praticamente impossível de usar: antes de mais, por ser extremamente lento a processar a imagem, ao ponto de levar à exasperação; depois, por a porção da imagem ampliada ser demasiado grande, quando comparada com o Lr4; e, finalmente, por os resultados serem insatisfatórios, sendo demasiado grosseiros quando comparados com os do Lr4. Este último também exige muita ponderação no uso do unsharp mask, especialmente quanto ao raio, uma vez que o abuso pode levar ao surgimento de halos - mas esta é uma característica desta função, e não um defeito do Lr4. Mais valia à Olympus não ter acrescentado esta função, uma vez que é de uso impossível pela sua lentidão e pela brusquidão dos resultados (alterar o raio, nem que seja um ponto, pixeliza grotescamente a imagem). Aqui o Lr4 esmaga o Viewer.
A redução do ruído é incomparavelmente melhor no Lr4. Além de fazer um muito melhor trabalho na supressão do ruído, permite ajustar separadamente o ruído de luminância e o de crominância, para além de se poder ajustar o pormenor (só no ruído de luminância) e o contraste. O Viewer limita-se a suavizar o ruído, e fá-lo de uma forma bastante tosca, sem que o ruído deixe de influir na qualidade da imagem.
Outras funções, como a correcção das distorções, são mais ou menos equivalentes. Ambos os programas corrigem as distorções de barril e pincushion, bem como o ângulo, mas o Lr4 corrige a distorção horizontal, o que é uma vantagem.
O Viewer tem, à data que escrevo, uma enorme vantagem sobre o Lr4: a correcção das aberrações cromáticas. As minhas lentes são muito dadas a este tipo de aberração - as digitais, especialmente a 17mm, por serem de construção barata, as OM por não comunicarem electronicamente com a câmara -, pelo que esta é uma ferramenta utilíssima. Contudo, sei que a Adobe está neste momento a submeter à avaliação dos utilizadores a versão 4.1 do Lightroom, que inclui a correcção das aberrações cromáticas, pelo que esta vantagem do Viewer será (espero que muito em breve) suprimida. E, se a correcção do Lr4 for tão boa como o são outros parâmetros, vai ser decerto mais eficaz que o Viewer.
Acresce a tudo isto que o interface do Lr4 é mais prático - embora inicialmente requeira alguma habituação -, e que o Viewer demora uma eternidade a processar a imagem em raw - de tal maneira que, a menos que se usem as janelas que permitem comparar a imagem antes e depois, acaba por se esquecer como estava a imagem antes do processamento. Mesmo alterações no tom e no contraste, que são razoavelmente rápidas se processadas no início da edição, tornam-se desesperantemente lentas se forem feitas depois de usada a ferramenta da redução do ruído. E isto acontece mesmo quando se processam JPEGs. Não diria que o Viewer é lento - mas dá para ir tomar um café enquanto a imagem é processada! O Lr4, em termos de velocidade, também tem falhas, mas não nos momentos cruciais: demora muito a abrir e a exportar as imagens, o que é bem mais suportável do que as demoras no processamento.
É um pouco injusto comparar estes programas. O Viewer é fornecido com as câmaras mais recentes, substituindo o muito primário Master 2, e pode ser descarregado gratuitamente, ao passo que o Lr4 é pago - mas por um preço que é considerado uma pechincha por quem usa os programas da família Photoshop. A diferença no resultado final, após a edição e gravação em JPEG, é subtil, mas existe. Muitas das ferramentas do Lr4 podem parecer redundantes, mas é melhor tê-las do que confiar a qualidade da imagem final a algoritmos (por muito bem calculados que estes sejam). O Viewer é eficaz; é um programa honesto, e capaz de bons resultados, mas o Lr4 permite-me deixar a imagem tal e qual a imaginei quando a fotografei - tal o grau de controlo oferecido. Mesmo sendo pago, o Lr4 é de tal maneira poderoso e evoluído que vale a pena.

sábado, 28 de abril de 2012

O Photoshop e eu (2)

As opiniões que exprimi neste blogue acerca daquilo a que, de uma maneira geral, se denomina por «Photoshop», podem ter levado muitos leitores a pensar que eu sou preconceituoso, teimoso, ou que, de alguma maneira, me recuso a encarar a realidade dos nossos dias. Deixem-me, pois, explicar-me um pouco melhor - mesmo se já o fiz num texto anterior.
Antes do mais, devo reconhecer que fui vítima de alguma confusão, a qual transmiti aos leitores deste blogue. Confesso-o com a naturalidade de quem está apenas no começo de uma aprendizagem. Sempre que mencionei o Photoshop nos textos mais antigos, aquilo a que me queria realmente referir era o Adobe Photoshop Creative Suite, ou «Cs». Este é um programa de que um fotógrafo não tem verdadeira necessidade - mas, se sente a compulsão de o usar, tudo bem, desde que não torne a fotografia inverosímil. Há intenção artística na criação de uma imagem abstracta, e o Cs pode originar imagens extremamente válidas - como esta, do fotógrafo australiano (e meu amigo no flickr) Eric Imbs. (Eric usa uma Olympus E-P2 e lentes antigas de focagem manual, como algumas Leitz-Wetzlar e Pentax/Takumar.)
Os meus problemas com o Cs começam apenas quando se tenta disfarçar a falta de expressão artística e (ou) de domínio da técnica fotográfica através da manipulação que este programa permite. O caminho fotográfico é algo que cada qual encontra por si (e dificilmente haverá duas opiniões idênticas nesta matéria), mas começa no olhar - na maneira de vermos as coisas -, prossegue com a captura da imagem e termina com a edição. Esta é a ordem que me parece lógica, mas muitos utilizadores do Cs invertem-na, tomando a fotografia por um mero objecto de um trabalho de manipulação. Há fotografias (e eu já dei dois exemplos num texto anterior) que são completamente inverosímeis, chegando a transpor o limite do absurdo: uma coisa é uma imagem abstracta, em que a criatividade é o único limite; outra coisa é uma fotografia de algo real que contém incongruências ou inverosimilhanças. Se queremos fotografias de objectos reais, devemos procurar boas perspectivas, boas exposições, bons enquadramentos; adicionar camadas, como muitos fazem, é algo que falseia a realidade; é também algo que está para lá da fotografia, pertencendo ao domínio das artes gráficas. Uma fotografia mal feita ou banal é sempre uma fotografia mal feita ou banal, de nada adiantando colocar camadas de nuvens carregadas ou de estrelas. Não se pode polir uma bosta! 
Não tenho qualquer dúvida, porém sobre a utilidade do Cs para trabalhos gráficos. Digo-o com a autoridade de quem tem uma desktop publisher na família, que o usa como ferramenta de trabalho. Não há nenhuma fotografia publicitária de automóveis que não seja feita sobrepondo a camada com a imagem do carro sobre um fundo, mas mesmo na fotografia publicitária já há uma corrente que começa a questionar o recurso ao Photoshop - ou melhor: ao Cs. Este movimento nasce, sem dúvida, da consciência de que se caiu no excesso e no abuso em detrimento da fotografia - i. e. daquilo que acontece antes da edição de imagem.
Sempre houve manipulação da imagem. Seria absurdo pretender manter uma pureza de princípios num campo onde estes nunca existiram. Mesmo no tempo da fotografia analógica havia técnicas e instrumentos para estourar altas luzes e manter ou criar sombras na fotografia durante a revelação. A manipulação não é, em si, um pecado cardeal: o que é vicioso é pensar-se que se consegue ser um grande fotógrafo sem ter uma ideia fotográfica ou sem saber exprimi-la pela técnica, e imaginar que o Cs vai compensar estas falhas. 
Permito-me, por tudo isto, questionar a utilidade do Cs para quem faz fotografia, mas o Lr é diferente. Nunca ninguém leu aqui que as minhas fotografias são tal qual como saíram da câmara para o computador - embora deva dizer que algumas, poucas, até o são, o que abona muito em favor da E-P1 -, porque, se o fizesse, teria mentido. Eu retoco as imagens, e por vezes muito intensamente. Já o fazia quando tinha a compacta - embora o software de edição fosse tremendamente rudimentar -, fi-lo com o Olympus Master 2 e com o muito mais sofisticado Viewer 2. São raríssimas as fotografias que me agradam tal como estão, quando as abro no computador (embora sejam as de que mais me orgulho), pelo que há sempre algo a melhorar: o contraste, a nitidez, a saturação, etc. E, com o uso de ficheiros raw, é impossível converter uma fotografia em JPEG sem um mínimo de retoque. O que o Lr - que é um membro da família Photoshop, como o Cs e o Elements - me dá é muito maior versatilidade que o Olympus Viewer 2. Esta versatilidade permite-me algo que o Viewer não era capaz: tornar a imagem naquilo que havia imaginado quando vi o objecto fotografado e idealizei a composição e o enquadramento fotográficos. Não é manipulação, não está para lá da fotografia: pelo contrário, é um retorno ao conceito original, à ideia que esteve na origem da fotografia. É, como referi antes, um instrumento que estende o controlo do iter fotográfico ao processamento da imagem, e este controlo é o que me ajuda a fazer da fotografia exactamente aquilo que tinha na minha mente quando vi o objecto antes de o fotografar. Auxilia, deste modo, a conferir expressão à fotografia e a devolvê-la à intenção original - e fá-lo de uma maneira que o Viewer 2, por muito mérito que tenha enquanto software de distribuição gratuita, não é capaz. Com o Lr4 tenho o controlo absoluto sobre a qualidade da imagem, e uso-o para melhorar as minhas fotografias (e não para as transformar).
Dixit. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mais cedo do que o previsto

Pensava deixar passar algum tempo e fazer muitas revelações digitais antes de escrever de novo sobre o Lightroom 4, mas penso que, apesar de o ter instalado há apenas três dias (ainda não completos à hora a que estou a escrever), já posso formular alguns juízos mais ou menos definitivos sobre ele.
Antes de mais, o Lr4 oferece-me algo que é o mesmo que procuro quando uso a câmara: controlo. Tal como quero ter controlo total sobre a exposição no momento em que fotografo, definindo manualmente o modo de exposição, a abertura e a velocidade, o ISO, o equilíbrio dos brancos e a medição, também no retoque da imagem é de exigir uma ferramenta que me dê o máximo de controlo sobre o resultado final. E o Lr4 dá-me esse controlo, e de uma forma que vai muito mais além do que o humilde Olympus Viewer 2 é capaz. Desde logo, posso controlar as sombras e as altas luzes separadamente, e com ferramentas que são bem mais úteis do que me pareceram nas primeiras impressões. E posso fazê-lo apenas numa zona da imagem, se o quiser, ou em toda a imagem. Num programa básico apenas posso clarear ou escurecer a imagem por todo, o que leva frequentemente a resultados indesejáveis.
A outra característica atraente do Lr4 é o facto de ser intuitivo de usar. Como o Viewer se baseia nos comandos do Lr, foi fácil aceder aos parâmetros que mais frequentemente utilizo. É um programa complexo, e decerto vou demorar muito tempo a explorá-lo, mas o essencial da edição de imagem é de fácil acesso e não provoca dores de cabeça. O uso das curvas de tons, por exemplo, é muito mais simples e eficaz do que colocar o cursor sobre a curva e alterar a sua posição manualmente, que é o único procedimento permitido pelo Viewer 2 (eu sei, eu sei: estou a comparar alhos com bugalhos, mas o Viewer é a única referência que tenho em software de edição de imagem).
Acima de tudo, o Lr4 permite-me configurar a fotografia de maneira a torná-la exactamente na que imaginei antes de carregar no botão do obturador. As suas ferramentas oferecem uma possibilidade de ajuste de tal ordem que posso obter, no final da edição, a imagem tal como a quis, i. e. em completa correspondência com a intenção que tive quando a fiz. E isto é absolutamente precioso: com o Lr4 obtenho as fotografias que quis, e não as que o fotómetro e um programa de edição limitado me impuseram. É a isto que chamo controlo, mesmo correndo o risco de parecer um control freak ao escrever desta maneira. Neste aspecto, o Lr4 é o elemento que me faltava para obter fotografias inteiramente satisfatórias.
O Lr4 oferece tantas possibilidades que é fácil cair no exagero e obter fotografias inverosímeis, e este foi o facto que me suscitou tantas reservas quanto ao Photoshop. José Antunes alertou-me há dias para um facto curioso: muitos fotojornalistas que concorreram ao prémio Estação Imagem/Mora foram desclassificados por excesso de Photoshop. Foi este tipo de exagero que me manteve afastado do Photoshop, mas devia ter tido em conta que, quando se fala de «Photoshop», está-se realmente a falar de várias coisas: o CS, o Elements e o Lightroom (além de plug-ins como o Blur Gallery), que podem ser usados separadamente ou em conjunto. Não se deve meter tudo na mesma gaveta. Há quem use o CS com efeitos que se tornam ridículos: uma vez vi, na página da Olympus America do facebook, uma fotografia de uma mulher num pontão, com uma praia por fundo, que foi obtida sobrepondo duas camadas: a da mulher, a cores, e a do pontão, a preto-e-branco. O resultado foi que a mulher ficou enorme, em completa desproporção com o pontão (ou então foi o pontão que ficou minúsculo...). Uma composição hilariante! Outro caso foi o de uma fotografia impossível da Ribeira do Porto, que combinava uma zona de casario iluminada com luz típica do meio da tarde com reflexos no rio que só são visíveis ao fim da tarde - tudo isto cumulado com uma camada de nuvens carregadas que impediriam que a luz incidisse sobre o casario e tornariam impossíveis os reflexos que surgiam na imagem. (Para além da incongruência de surgirem reflexos de luz artificial na água quando a iluminação pública estava desligada!)
São estes exageros e este nível de manipulação que me levantam objecções ao uso daquilo que, em termos genéricos, se designa «Photoshop». Mas isto refere-se essencialmente ao CS, e não ao Lightroom. O CS, do meu ponto de vista, tem o seu domínio de eleição nos trabalhos gráficos - é um instrumento imprescindível para um gráfico -, e não no retoque (ou, preferivelmente, revelação digital) de fotografia; o Lr4 é um programa de edição de imagem que, se for usado ajuizadamente, tem a virtude de fazer, como disse acima, com que a fotografia corresponda exactamente à intenção do fotógrafo. Já a sobreposição de camadas e outras manipulações da imagem me parecem estar fora do domínio da fotografia - embora a tenha por objecto - caindo no domínio das artes gráficas.
A acrescentar a estas objecções há ainda o facto de muitos usarem o Photoshop para tentar melhorar imagens medíocres. E eu nunca alinharei neste jogo. Antes da edição de imagem há que dominar a técnica fotográfica, e antes desta há que puxar pela imaginação e pela criatividade; uma má fotografia será sempre uma má fotografia, por muitas camadas e filtros que se apliquem com o CS6. Os britânicos mais subtis dizem: you can't make a silk purse of a sow's ear; os mais desbocados preferem o equivalente, igualmente certeiro, you can't polish a turd.
Hoje publiquei no meu flickr as primeiras imagens editadas com a demo do Lr4 que estou a usar (v. aqui e aqui). Não vou discutir se são boas ou más do ponto de vista do conteúdo - embora possa dizer que a do pequeno guarda-redes me deixou satisfeito -, porque essa apreciação deve ser feita por quem vê, mas uma coisa é certa: desenvolvi os ficheiros raw de maneira a obter a imagem que correspondia aos meus critérios estéticos e àquilo que queria quando colhi as imagens. As imagens a preto-e-branco da minha câmara tendem a carregar as sombras e exagerar as altas luzes, especialmente quando fotografo no modo A, para além de darem uma tonalidade acastanhada às imagens, características que nunca consegui corrigir satisfatoriamente no Viewer 2; o Lr4 permitiu-me deixá-las tal como as quis. Não sei que mais posso exigir de um programa de edição de imagem. Neste momento, sinto-me tentado a comprá-lo imediatamente - mas quero experimentar mais. Ainda não trabalhei nenhum ficheiro JPEG, e falta-me dominar a redução do ruído de maneira a evitar o surgimento de aberrações como as que relatei no texto anterior. Também não aprendi ainda a exportá-las com a máxima resolução: uma imagem convertida a partir de raw no Viewer 2 fica com cerca de 4 MB; a mesma imagem, depois de desenvolvida no Lr4, fica com pouco mais de 1 MB. Com um pouco de sorte aprenderei a contornar isto. Afinal de contas, ainda estou a descobrir o programa.  

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lightroom 4: impressões iniciais

A maior das abominações fotográficas é o ruído. Não suporto ver uma fotografia com ruído, por mais subtil que este seja. No meu caso, tenho ultimamente fotografado a preto-e-branco e, mesmo com o ISO nos 100, surgem áreas verdes nas zonas de sombra. A fotografia perde de imediato a credibilidade.
O programa de processamento de imagem que uso, o Olympus Viewer 2, ajuda a reduzir o ruído, mas fá-lo à custa do esbatimento dos pormenores, matando a resolução da imagem. E nem por isso as áreas verdes desaparecem. Julgando que esta era uma limitação do programa, resolvi descarregar uma cópia de avaliação do Adobe Lightroom 4. O meu julgamento sobre a manipulação da imagem, a que muitos recorrem para suprir a sua evidente falta de capacidade técnica para usar uma câmara, não me impediu de fazer a experiência com um produto que faz parte da suite Photoshop. Não sou preconceituoso.
Mal instalei a cópia, que é válida por 30 dias, comecei de imediato a processar imagens. Em concreto duas fotografias feitas no formato raw. Embora o programa reconheça os ficheiros .orf da Olympus e a E-P1, não reconhece aquela que é a segunda lente mais usada com esta câmara - a Pancake 17mm. Logo aqui surge um óbice, uma vez que me ficou vedada uma função importante do Lr, que é a correcção da lente.
Trabalhar com o Lr é razoavelmente intuitivo, e a quantidade de ferramentas e opções de edição de imagem impressiona; mas o que me interessa, pessoalmente, é os resultados - o que um programa de edição pode fazer para melhorar a imagem. O resto é trabalhos gráficos, o que é de respeitar mas não é a área em que estou interessado. Depois de apenas duas fotografias tratadas, ainda sem tempo para estudar a fundo as possibilidades do programa, é porventura demasiado cedo para obter conclusões, mas posso dizer que os resultados me impressionaram favoravelmente. Com tantas opções, não podemos deixar de ficar maravilhados com as possibilidades que a fotografia digital oferece. Por exemplo, poder modificar a matiz e as sombras é interessante, mas, a menos que não tenha percebido nada, as alterações da imagem parecem-me demasiado subtis, apenas visíveis em tamanhos em que a pixelização da imagem começa a ser um problema. Em todo o caso, as possibilidades de edição são inimagináveis para quem até agora apenas tiver usado os programas do fabricante da câmara (como é o meu caso). As funções e ferramentas são interessantes, mas levantam uma dúvida - serão verdadeiramente úteis?
É aqui que surgem as minhas dúvidas. Os efeitos práticos de todas estas funcionalidades são, como referi, demasiado subtis, e não fazem nada que eu não consiga fazer com o Viewer 2: o que são é mais versáteis no seu uso. É necessário referir que trabalho com a última evolução deste programa, que acrescentou algumas funções, como o unsharp mask, que eram típicas do Photoshop e não existiam no básico Master 2, nem no Viewer 1, nem no programa que precedeu este último, o Studio 2. A imagem final depois de tratada com o Viewer e com o Lr apresenta algumas diferenças, sendo a primeira impressão favorável ao Lr, mas basta ampliar a imagem para se perceber que as diferenças não são aquilo que parecem. A imagem tratada com o Lr parece mais nítida, mas, quando se aumenta, notam-se alguns artefactos estranhos: quando se usam as ferramentas de aumento da nitidez, a imagem surge com alguns espectros que não são aparentes quando se usa o Viewer, lembrando o «fantasma» da televisão analógica que nos obrigava a levantar e rodar a antena. A redução do ruído produz estes artefactos, mas de forma ainda mais grave: o resultado é totalmente artificial, notando-se bem a natureza digital da imagem. O Viewer não consegue ir tão longe como o Lr na nitidez e na redução do ruído, mas este desempenho é, aparentemente, propositado, evitando as aberrações dos pixéis que surgem no Lr.
Ficheiro raw processado com Olympus Viewer 2
O mesmo ficheiro, «revelado» com o Lightroom 4
O resultado final da imagem tratada com o Lr é agradável, e em muitos aspectos superior ao que o modesto Viewer 2 obtém - mas só se não se for demasiado exigente com grandes tamanhos, caso em que estes fenómenos digitais se tornam demasiado conspícuos. Eu não mandaria imprimir as imagens que tratei com o Lr. Contudo, devo dizer que ainda não tenho experiência com o Lr - não ia decerto aprender um programa tão complexo num só dia -, e que é possível que tenha cometido alguns erros para obter os resultados a que me referi. Posso ter exagerado na redução do ruído e na acentuação da nitidez para além dos níveis que manteriam a imagem aceitável. Vou continuar a fazer experiências e a aprender a usá-lo, mas há desde já uma confirmação das minhas ideias quanto à manipulação da imagem: esta deve ajudar a tornar a imagem melhor, sendo acessória em relação à fotografia. Quando esta última é tomada por um mero objecto a submeter ao tratamento da imagem, algo está muito errado: já não estamos no domínio da fotografia. O meu prazer é obter boas imagens com a câmara, e não processar a imagem. Devo dizer, também, que o Lr me deixa um pouco enfastiado: não vejo qual é a necessidade de tantas ferramentas, a não ser que se seja um profissional. O Viewer é manifestamente mais limitado - digamos que não seria a minha primeira opção se eu tivesse uma gráfica -, mas tem uma enorme virtude: a simplicidade. Um professor que deixou uma marca profunda na minha maneira de raciocinar repetia-me: «as pessoas inteligentes são as que resolvem os problemas mais difíceis pelos processos mais simples». E o Lr é muito complicado - pelo menos para as minhas necessidades. 
Acresce que, como escrevi no início, o que eu queria era um software que me ajudasse a tornar o ruído visualmente aceitável. O Lr não passou no teste da redução do ruído: o resultado não é melhor, apenas diferente: enquanto o Viewer suaviza os contornos das zonas afectadas sem disfarçar o ruído, o Lr é demasiado agressivo e induz artefactos digitais. E a tonalidade verde não desaparece, o que significa, não que o Lr é mau (ou o Viewer 2, já agora), mas que o problema do ruído é insolúvel.
Repito que estas são apenas as impressões iniciais. A Adobe dá-me um mês para experimentar e formular as minhas conclusões. É possível que consiga superar as dificuldades com que me deparei e que o Lr seja o que muitos o dizem - uma forma de revelação digital das fotografias. Quando tiver mais experiência com o programa, voltarei a este tema.