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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Autenticidade

No Sábado passado, 4 de Agosto, voltei a um tipo de fotografia que é muito do meu agrado: paisagens marítimas de praias ao lusco-fusco, usando tempos de exposição longos para obter o arrastamento das águas do mar. Este é um género de fotografia que se está a tornar um pouco batido, mas há sempre maneira de obter imagens distintas e originais. Neste caso, como nunca vi nenhuma fotografia deste estilo feita junto do paredão da Praia do Molhe, aqui no Porto, penso que há alguma originalidade nas imagens que fiz - mas posso, evidentemente, estar enganado e haver milhares delas a circular na Internet.
Esta foi uma das únicas sessões fotográficas do género em que encontrei um céu interessante, com muitas nuvens e um tingimento de tons vermelhos em algumas destas. As fotografias, tal como foram tiradas, deixaram-me satisfeito, mas, enquanto as processava, perguntei-me se não podia ir um pouco mais longe e torná-las ainda mais dramáticas. No DxO Pro 7 diminui a exposição, nalguns casos em -2EV, para tornar as imagens mais nítidas e contrastadas; depois adicionei um pouco de presença, aumentei o raio às sombras em cerca de 50%, diminuí um pouco o contraste global e aumentei drasticamente o contraste local. Ainda manipulei a curva de tons, saturei os vermelhos (nalgumas imagens, como a de cima, aumentei a saturação geral), usei um pouco mais de contraste na caixa color modes, dei um pouco de unsharp mask - algumas das imagens, por terem sido feitas com aberturas muito estreitas, sofriam de difracção - e reduzi o ruído.
Os resultados foram excitantes - obtive imagens com uns céus extremamente dramáticos -, mas deixaram-me a pensar. Antes de mais, toda a gente que faz fotografias dentro deste estilo faz o mesmo trabalho de edição que eu fiz, pelo que o factor originalidade se reduz, eventualmente, à composição e ao enquadramento; mas o que me levantou mais dúvidas foi o uso de tanta edição da imagem, tendo o resultado final ficado tão diferente da fotografia inicial que dificilmente se diria que as duas foram feitas com o mesmo corpo, a mesma lente e os mesmos valores de exposição. Penso que as fotografias ficaram esteticamente conseguidas - pelo menos deixaram-se satisfeito, mas não é a mim que cabe avaliá-las -, mas não consigo deixar de pensar que ficaram inautênticas. O céu que vi não era tão contrastado, nem as nuvens tão carregadas; o paredão surge como uma silhueta, e não com a luz que o banhava nesse momento; e. evidentemente, não existem oceanos cremosos, com a textura de um iogurte líquido.
Será que isto é uma inversão total dos valores que sempre tentei preservar nas minhas fotografias?
Posso dizer que tenho a consciência tranquila no que diz respeito à ética fotográfica. O que está na fotografia é o que estava no local que fotografei. Não acrescentei nem subtraí nada. Não adicionei, retirei ou manipulei camadas, não menti quanto ao objecto da fotografia. O que está nas imagens é a mesmíssima paisagem que os meus olhos viram e que achei merecedora de ser fotografada. O que está é, digamos, realçada. (Ou retocada, se preferirmos.) O contraste local do Pro 7, equivalente digital do dodging and burning da fotografia analógica, deu intensidade aos reflexos e à textura das nuvens como se tivesse usado um filtro polarizador; a compensação da exposição e o raio das sombras contribuíram para dar mais contraste entre tons claros e escuros, e a saturação tornou mais evidente o tingimento do céu e a cor do limo que cobre as rochas do primeiro plano. Penso que tudo isto contribuiu para realçar as qualidades estéticas presentes na fotografia - mas esta é a mesma, sem tirar nem pôr, que o sensor registou. Deste modo, posso dizer que, embora um pouco inautêntica, é uma fotografia verdadeira. Autenticidade e verdade não são necessariamente sinónimos.
De resto, não vejo nenhum obstáculo de natureza ética a este género de tratamento. Se as nuvens tivessem sido adicionadas na pós-produção, poderia ter dúvidas neste aspecto, mas aquelas são as mesmas nuvens que se viam daquele lugar e àquela hora. Só a sua apresentação é diferente. E, como são extremamente raras as fotografias que resultam bem sem qualquer necessidade de edição, digamos que o pecado original - o de retocar a imagem - está cometido a partir do momento em que se aumenta o contraste, o brilho ou a nitidez, nem que seja em 1%. Por este motivo, não vejo por que não deva tirar todo o partido possível da edição para tornar a fotografia melhor. Penso que, a despeito de alguma inautenticidade, as fotografias que fiz estão ainda dentro do espírito da fotografia - a fixação de um momento único e irrepetível. Claro que o céu não estava exactamente como surge na imagem final, mas esteticamente esta última está mais agradável do que a paisagem vista a olho nu. A fotografia também é uma ilusão - o que não pode nunca é ser uma mentira. (Sim, esta frase é mais um slogan anti-Photoshop CS...)

sábado, 21 de julho de 2012

Tratamento do ruído no DxO Optics Pro 7.5

Alguns poderão, malevolamente, pensar que, por aludir tantas vezes ao DxO Optics Pro 7, lhe faço publicidade. Honi soit qui mal y pense. Se escrevo tanto sobre este programa de edição de imagem, tal deve-se aos seguintes factores: a) é o programa que uso, e que escolhi depois de testes intensivos; b) é o melhor programa de edição de imagem que conheço; c) entendo que é injusto que um programa com esta qualidade seja quase inteiramente desconhecido em Portugal, país onde existe um verdadeiro monopólio do Adobe Lightroom (ou do Photoshop, em termos mais genéricos). Não tenho qualquer ligação aos laboratórios DxO nem nenhum interesse comercial nos seus produtos, nem estou aqui para alimentar uma guerra de programas de edição de imagem. Sei que os fanáticos da Canon têm uma embirração com os laboratórios DxO porque os sensores da Canon são avaliados com classificações inferiores aos da Nikon, mas esta é uma guerra estúpida na qual sou neutral. O que me interessa é os resultados do uso deste software, e reputo-os de excelentes. Não vou dizer que o DxO Pro 7 é melhor que o Lightroom; tudo o que posso dizer é que se ajusta melhor às minhas escolhas estéticas, à minha maneira de fotografar e ao equipamento que uso. Outros poderão ter uma opinião diversa, e ainda bem que assim é. Cada um deve poder escolher o software que melhor se adapte às suas necessidades.
O que me levou a escrever este texto não foi justificar a minha escolha nem elogiar o DxO Optics Pro 7. Faço-o porque, nos textos em que avaliei o programa (v. aqui, aqui, aqui e aqui), não resulta claro o seu desempenho na redução do ruído. A razão é simples - fotografo quase sempre com ISO 100, pelo que o ruído é tão escasso que mal se notam os efeitos da correcção. Contudo, é com valores de ISO altos que o Pro 7 mostra o que pode fazer na redução do ruído. Posso dizer que, de uma relativa indiferença pelos resultados obtidos, passei para uma aprovação sem reservas quanto ao desempenho do software neste aspecto fundamental da edição da imagem.
As imagens que se seguem são crops da fotografia do topo, feita no interior da Igreja Paroquial de S. Nicolau, onde tive de elevar a sensibilidade ISO para 800 de maneira a obter tempos de exposição que possibilitassem fazer fotografias nítidas sem usar tripé. O primeiro crop não tem qualquer tratamento, tendo sido convertido directamente de Raw para JPEG sem qualquer retoque; o outro foi extraído da imagem processada com o DxO Pro 7.
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Mesmo descontando a diferença de luminosidade das imagens, resultante da aplicação (automática) da predefinição do Pro 7, as diferenças são eloquentes. Para obter este resultado, mantive o filtro de ruído desligado e desactivei a função de redução do ruído na câmara. Na edição, apliquei um pouco de unsharp mask - já referi que esta função, no DxO, é a menos agressiva e mais eficaz que conheço: posso puxar pela intensidade quanto quiser sem detrimento da qualidade da imagem -, para dar um pouco mais de nitidez aos objectos. Não há aqui as manchas verdes, nem a pixelização excessiva do Lightroom; há uma suavização nítida dos contornos, tal como no Lightroom, que é o resultado da perda de definição causada pelo ruído de luminância, mas o pormenor é excepcionalmente bem preservado e sem aberrações resultantes da aplicação da redução do ruído.
O problema do ruído é um dos que me causa maiores preocupações. A Olympus E-P1 não tem um sensor capaz de lidar com o ruído de forma satisfatória quando se usam valores de sensibilidade ISO elevados, pelo que é crucial ter um bom programa de edição de imagem, que produza resultados satisfatórios neste particular. Penso que o exemplo que fica expresso com estas imagens fala por si. Se estivesse interessado, poderia imprimir esta fotografia (a original, e não o crop que apresento) depois de processada com o Pro 7. E este é um benefício evidente para alguém que entende que o destino último de uma fotografia é a impressão.    

terça-feira, 17 de julho de 2012

A verdade sobre as compactas

Por vezes entretenho-me a ver as primeiras fotografias que fiz, ainda com a compacta que dava pelo nome (completo) de Canon PowerShot A3150is. Em relação a algumas delas, não sinto vontade de as apagar - o que é, pelos critérios macedónios, um sinal de aprovação.
Esta manhã fui mais longe e resolvi fazer algo que nunca fizera antes: analisar algumas dessas fotografias em tamanho real (1:1) e processá-las com o DxO Pro 7. O resultado? Chega a ser embaraçoso admitir que tive aquela câmara, e ainda mais pensar que publiquei aquelas fotografias na Internet. Sabem aquelas pessoas que dizem que uma compacta é tudo quanto basta para se tirarem grandes fotografias? Quando estiverem com uma delas, telefonem discretamente para o 112 e dêem indicações para que seja trazido um colete de forças. As compactas são uma bosta!
«Ah, mas ele exagera» - pensarão alguns, confortados com a ideia que uma imagem digital é uma quantidade de bits e pixéis, pelo que não há diferenças relacionadas com a câmara e as lentes. Falso. À fraca resolução de um sensor com os pixéis amontoados num espaço minúsculo, acrescem as deficiências de ópticas que, querendo fazer tudo, fazem quase tudo mal. Até agora tenho-me limitado a advertir contra o uso destas câmaras; hoje proponho-me ilustrar as suas deficiências.
A imagem acima foi uma que nunca rejeitei. Pelo contrário: depois de passada para preto-e-branco, e se abstrairmos do careca no canto inferior direito, há nela um ambiente muito Aniki-Bóbó (foi tirada na Ribeira, a verdadeira, a da margem norte do Rio Douro), e gostei de ter conseguido fotografar o momento em que o miúdo que mergulha toca com a ponta dos dedos na água. Mas, vista de perto, esta fotografia é horrível: os pormenores estão completamente esbatidos, demonstrando uma falta de resolução que parece ser tanto mais grave quanto maior é a distância focal usada. Mesmo depois de a tratar com o unsharp mask (que, no DxO Pro 7, é o menos agressivo e mais eficaz que já experimentei), existe uma enorme falta de definição, como se fossem duas fotografias idênticas sobrepostas com uma diferença de alguns milímetros.
No caso da imagem da gaivota pousada sobre a chaminé, com a clarabóia a equilibrar a imagem, o problema é o mesmo: uma falta de resolução inaceitável que, de novo, parece agravada pelo emprego do zoom - mesmo que este seja óptico, e não digital. O Pro 7 fez um excelente trabalho ao equilibrar as altas luzes e as sombras, mas esta fotografia não tem uma qualidade aceitável. Digamos que nunca a mandaria imprimir. A imagem que vêem foi também tratada com o unsharp mask, mas esta função, neste caso, limita-se a dar nitidez a pixéis fragmentários. Num tamanho pequeno mal se nota, mas vejam o que acontece com um crop (que nem sequer é de 100%) da imagem:
Esclarecedor, não é? Notem que esta é uma imagem já processada com recurso ao unsharp mask; não me peçam para descrever como estava antes do tratamento!
Depois há a questão do ruído. Interiorizei, desde muito cedo, a ideia que não devia dar rédea solta à câmara, para que esta não escolhesse automaticamente o valor ISO, e que este devia ser mantido no mínimo. Mesmo com o valor ISO no mínimo, o ruído manifesta-se com enorme agressividade mesmo em imagens feitas à luz do dia e com abundância de sol. Infelizmente, a redução do ruído nada pode fazer para melhorar estas imagens, porque o ruído destruiu a informação necessária à recuperação da nitidez e do contraste. A redução do ruído limitou-se a dar um aspecto ainda mais artificial à imagem, como se pode ver na fotografia seguinte:
Todas estas fotografias foram feitas com distâncias focais razoavelmente elevadas. As imagens com distância de grande-angular têm outro tipo de aberrações, como uma distorção geométrica fortíssima que curva as linhas direitas de uma forma grotesca.
Comprar uma compacta é uma perda de tempo e de dinheiro. No meu caso, comprei a Canon 3150 porque não sabia nada de técnica fotográfica: apenas sabia que sentia uma necessidade urgente de fotografar. Se soubesse o que sei hoje, teria amealhado mais dinheiro e esperado até ter o suficiente para comprar uma câmara decente.
Resta dizer que a Canon 3150, entretanto «descontinuada», estava longe de ser uma das piores compactas; tinha, até, algumas qualidades: cores agradáveis, um sistema de estabilização da imagem bastante eficaz e algumas possibilidades de controlo pelo fotógrafo, sendo possível evitar os modos automáticos e usá-la em modo P, tendo deste modo acesso ao controlo da medição, do ISO e do equilíbrio dos brancos. E tinha compensação de exposição,o que era utilíssimo. Há compactas muito, muito piores. Quanto a estas, mais vale fazer fotografias com um iPhone - ou, melhor ainda, com um Nokia 808. Ao menos só têm de transportar um aparelho electrónico. (Mas o ideal é mesmo comprar uma reflex ou uma boa mirrorless.)
Esta falta de qualidade das compactas é de tal maneira notória que os fabricantes estão a lançar compactas com sensores muito maiores que o habitual - mas mesmo assim fica por resolver a questão da qualidade das ópticas. Claro que esta tendência não é só motivada pela qualidade de imagem em si, mas também pela concorrência dos telemóveis. Esta nova geração de compactas não faz mais do que adiar o declínio das compactas perante os telemóveis (ou smartphones, que é como os génios do marketing chamam a estes telefones, provavelmente para os distinguir dos stupidphones). Mas esta é outra ilusão: um smartphone pode fotografar melhor que muitas compactas, mas nunca fará o mesmo que uma câmara de qualidade decente.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O problema das altas luzes

No tempo da fotografia analógica, uma fotografia com altas luzes proeminentes era uma fotografia mal feita, em que o fotógrafo não teve habilidade para controlar a exposição; hoje, com a fotografia digital, a maior parte das câmaras tende a sobre-expor as altas luzes - umas mais que as outras, diga-se: a minha E-P1, por exemplo, é terrível neste particular, produzindo clipping sempre que fotografo em condições de céu limpo e sol intenso. (Clipping é um termo que se aplica em fotografia quando uma curva do histograma excede o limite superior.)
O excesso das altas luzes tem efeitos prejudiciais sobre as fotografias. Embora possa ser usado com intenção, quando se quer transmitir a percepção de uma luz intensa e ofuscante, este excesso de sobre-exposição da luz torna a imagem baça e plana, dessatura as cores, favorece o surgimento de clarões e oculta o pormenor. E, quando o clipping ultrapassa o limite (dizendo-se, neste caso, que as altas luzes estão estouradas), esse pormenor perde-se irreversivelmente, apenas ficando uma porção branca na imagem que faz desaparecer todos os objectos que estavam nessa área do enquadramento. Não há edição que valha a uma fotografia em que parte da imagem ficou estourada.
Exemplo de histograma com excesso (clipping) de altas luzes
Como este é um problema de sensibilidade do sensor, cuja resposta linear tende a produzir sobre-exposição, são poucos os recursos que permitem evitar por completo o excesso de altas luzes. Usar um para-sol é uma boa ideia, mas este só é eficaz quando a luz intensa incide obliquamente sobre a lente. Os principais cuidados a ter, quando se fotografa sob sol intenso, para evitar o estouro das altas luzes, são recorrer à compensação da exposição, atenuando esta última entre -0,3 e -0,7 EV. Quando se fotografa no modo manual, em que não é possível accionar a compensação da exposição, deve-se optar por aumentar a velocidade do obturador na mesma proporção, mantendo a imagem sub-exposta. (Deve-se jogar com a velocidade do disparo, e não com a abertura, uma vez que estreitar esta última pode causar difracção e aumenta a profundidade de campo.) É mais fácil corrigir uma imagem sub-exposta do que uma com excesso de altas luzes, e deste modo evita-se que partes da fotografia fiquem estouradas. Deve notar-se, contudo, que mesmo com esta precaução poderá haver uma tendência para estourar as altas luzes.
Outra possibilidade é jogar com o controlo da medição, medindo a exposição na área mais luminosa do enquadramento através da medição pontual ou usando a função AE-L, mas esta forma de proceder tem o inconveniente de favorecer as sombras. De qualquer modo, como é mais fácil recuperar sombras do que altas luzes, esta é uma técnica que evita eficazmente o clipping.
Os programas mais eficazes de edição de imagem também podem contribuir para resolver o excesso de altas luzes, mas não convém deixar de tomar as precauções referidas acima por se confiar que aqueles programas vão recuperar o pormenor escondido sob as altas luzes. Até porque, como já referi, se estas últimas estourarem, a informação ocultada perde-se irreversivelmente. Contudo, o Adobe Lightroom e o DxO Pro 7 são tremendamente eficazes no tratamento de casos em que as altas luzes não chegaram ao ponto de estourar. O Lightroom é mais intuitivo, bastando deslocar um botão (slider) na horizontal para obter resultados altamente satisfatórios; o Pro 7 implica seleccionar uma de três opções (prioridade às altas luzes ligeira, média e forte) no menu de compensação da exposição, embora nos casos mais graves seja necessário compensar ainda mais a exposição, o que se faz de forma manual num slider. Em ambos os programas as áreas afectadas pelas altas luzes são mostradas através de cores falsas, o que torna a correcção mais fácil do que se se tivesse de confiar apenas no histograma. Contudo, como disse atrás, o facto de estes programas serem tão bons no tratamento das altas luzes não dispensa que se tomem precauções antes de premir o botão de disparo, porque os efeitos da sobre-exposição podem ser irreversíveis.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

DxO Optics Pro, v7.5: o teste (4)

Deixei para o fim a redução do ruído, embora este não seja o último dos parâmetros de correcção na ordem dos menus do Pro 7. O tratamento do ruído por este software é o mais eficaz e judicioso que conheço.
A primeira fase da redução do ruído consiste na eliminação do excesso de sombras na imagem. Como é nas áreas de sombra da imagem que o ruído se forma - este não surge nas zonas correctamente iluminadas nem nas de total ausência de luz -, o ruído existente no ficheiro é desde logo drasticamente reduzido com a compensação das sombras, sem que seja necessária qualquer intervenção do utilizador.
Naturalmente, quando se acentuam as sombras (por ex. para dar mais contraste à imagem), o ruído regressa; simplesmente, a redução é tão eficaz que o ruído presente é meramente residual, nem sequer se notando em impressões de formato considerável como 40 X 30. Devo dizer que afirmo isto com absoluta segurança, porque cinco das minhas mais recentes impressões são de fotografias editadas com o Pro 7. Se, porém, o ruído ainda existente for intolerável, há a possibilidade de reduzi-lo manualmente. Pode aumentar-se o pormenor escondido sob o ruído de luminância, aumentar o contraste das áreas afectadas pelo ruído e ajustar (reduzir) o ruído de crominância. O Pro 7 elimina automaticamente os pixéis mortos e remove o moiré, bastando assinalar uma caixa para que esta última aberração desapareça. (Oxalá houvesse um programa assim para editar o país, em que bastasse assinalar uma caixa para remover automaticamente aberrações como o Relvas e o António Borges...!)
A redução do ruído do Pro 7 é, à primeira vista, menos eficiente que a do Lightroom 4, mas é quando ampliamos as imagens tratadas num e noutro que nos apercebemos que a superioridade do Lr é apenas aparente. A redução do ruído no Lightroom é extremamente invasiva: os pixéis indesejados parecem desaparecer, mas as ampliações mostram uma perda severa de pormenor que não pode ser corrigida pelos respectivos comandos. E, quando se usa uma redução acentuada, surgem aberrações de pixéis (orlas) e as áreas onde o ruído se manifestava adquirem uma coloração verde que resultam razoavelmente bem em pequenos formatos, mas se tornam demasiado conspícuos quando as imagens são ampliadas acima de 50%.
Ruído tratado com o Lightroom 4...
 
 ...E com o DxO Pro 7
O Pro 7 conserva algum ruído, mas esta é uma opção deliberada para preservar o pormenor da imagem. E, acima de tudo, a cor não é corrompida pela redução do ruído. Diria, à semelhança de quase todos os críticos que testaram o DxO Optics Pro, que este software possui a melhor redução do ruído de todos os programas de edição de imagem. Não é a mais potente, mas é a que melhores resultados dá na prática. (Por «na prática» deve entender-se «nas impressões», que são o destino natural de uma fotografia.)
Falta referir o processamento, última etapa da edição da imagem. Todas as correcções a que me referi são feitas no separador «Customize». Quando a edição estiver concluída, muda-se para o separador «Process». A imagem editada surgirá sob a forma de miniatura. Nesta fase poderá abrir-se outra imagem para editar e, no fim da edição, juntar à anterior. Isto pode ser feito para diversas imagens, que depois de editadas podem ser processadas em conjunto. Quando todas as tarefas de edição estiverem concluídas, clica-se num botão denominado «start processing» na barra de ferramentas. O processamento não é lá muito rápido, mas a velocidade depende dos ajustamentos efectuados pelo utilizador, podendo ser de apenas alguns segundos se a correcção automática tiver produzido resultados satisfatórios e não forem julgados necessários mais ajustamentos. A imagem é automaticamente guardada como JPEG, TIFF ou DNG na pasta de origem ou noutra a especificar na coluna do lado esquerdo - ou pode ser directamente exportada para o Flickr ou para o Lightroom. A exportação para o Flickr é extremamente demorada e os comandos não respondem convenientemente, pelo que o melhor é exportar a partir da pasta onde as fotografias estão guardadas.

Conclusão

O DxO Optics Pro não é perfeito, mas é um programa de uma qualidade excepcional, com a vantagem de ser de uso simples. A correcção automática que é feita mal se abre a imagem é de tal qualidade que será tudo quanto basta para melhorar muitas imagens, dispensando qualquer intervenção do utilizador. Os problemas que encontrei são a lentidão com que a imagem adquire nitidez quando ampliada na área de trabalho - a forma mais rápida de o fazer é usar a roda do rato, se este a tiver -, alguns defeitos de interface menores, como a conversão a preto-e-branco estar mal situada nos menus, o facto de não se poder transformar uma imagem horizontal em vertical preservando a relação de aspecto e alguma lentidão a processar e a carregar imagens para o Flickr. A correcção das altas luzes e das sombras, a eliminação de distorções e aberrações ópticas e a redução do ruído conferem ao Pro 7 uma ligeira vantagem sobre os outros programas de edição de imagem, à cabeça dos quais surge o Lightroom. Este tem, reconhecidamente, mais flexibilidade e oferece mais controlo ao utilizador (talvez seja preferível dizer que lhe confere mais autonomia, em oposição aos automatismos do Pro 7), mas convém ter em conta que o software da DxO é pensado como uma etapa prévia de correcção da imagem que, depois de processada, receberá mais algum trabalho de edição no Lightroom, tirando partido da maior flexibilidade deste último. Simplesmente, as ferramentas de edição do Pro 7, embora um pouco mais básicas, podem ser suficientes para obter resultados imensamente satisfatórios. E é um programa demasiado caro para funcionar como se fosse um mero plug-in do Lightroom.
O Pro 7 e o Lightroom não são mutuamente excludentes. Espero que as minhas apreciações não sejam lidas, como alguns tão frequentemente fazem, como uma tomada de partido numa guerra imaginária entre os dois programas, ou uma demonstração de «amor» pelo Pro 7 e de «ódio» pelo Lr. Ambos são incrivelmente poderosos, e o que fazem em benefício da qualidade da imagem é simplesmente inestimável. E não são incompatíveis: o ideal seria ter os dois, tirando partido da correcção óptica inigualável do Pro 7 e da flexibilidade do Lightroom. Aliás, existe um botão no Pro 7 que efectua a exportação automática das imagens para o Lr. (O manual refere que se deve começar sempre pelo Pro 7, e só depois empregar outros programas de edição, o que faz sentido, pois caso contrário incorrer-se-ia frequentemente num excesso de processamento que seria prejudicial para a qualidade da imagem.) O Pro 7 é, contudo, suficiente para as necessidades de edição de qualquer fotógrafo amador. Este software facilita a vida ao utilizador que não gosta de perder demasiado tempo a editar imagens, e as suas ferramentas são mais que suficientes para obter excelentes resultados. E com os benefícios suplementares de se poder obter uma imagem (pseudo-)HDR de forma instantânea, e de ter um software que sabe como as objectivas e a câmara se comportam quando usadas em conjunto. Este benefício é, porventura, a maior vantagem do DxO Optics Pro 7. Não tenho dúvidas em recomendar vivamente a aquisição deste software - quer se use isoladamente, quer em conjunção com outros programas de edição.
Pode descarregar uma versão de ensaio, utilizável durante 31 dias, aqui.

NOTA: estes textos são da minha exclusiva iniciativa; não tive qualquer apoio, publicitário ou de qualquer outra natureza, para os escrever. Não tenho qualquer relação comercial com os laboratórios DxO, e o software DxO Optics Pro 7.5 que emprego foi por mim adquirido pelo preço de venda ao público fixado pelo seu autor. Não devia ter de escrever esta nota, mas não estou a salvo de haver alguém que venha insinuar que fui pago para escrever estes textos. Já me aconteceu antes...)   

quinta-feira, 7 de junho de 2012

DxO Optics Pro, v7.5: o teste (3)

Parte 1
Parte 2

A caixa «Geometry», na qual os laboratórios DxO aplicam mais alguns dos ensinamentos resultantes do seu estudo e conhecimento de cada corpo e de cada objectiva, é aquela na qual são corrigidas as distorções ópticas da lente - embora, se o programa reconhecer esta última, o recurso a este comando seja desnecessário - e a imagem é nivelada e cortada.
Quanto à correcção das distorções ópticas da lente, convém ter em mente que este é um daqueles programas de desenvolvimento de ficheiros RAW que mostram a imagem sem a correcção que porventura seja feita pelo processador da câmara. No meu caso, usando a E-P1 com a pancake de 17mm, as distorções ópticas passam despercebidas quando fotografo em JPEG, porque a correcção é feita pela câmara, mas comparar o original com a imagem automaticamente processada mostra um nível de distorção a caminho daquele que é produzido pelas fish-eye. O que significa que a Olympus e a Panasonic têm produzido lentes de fraca qualidade óptica, apoiando-se na qualidade da correcção da câmara para disfarçar os defeitos das objectivas. A palavra batota vem-me à mente. Em qualquer caso, a correcção automática do Pro 7 resolve o problema de forma instantânea e satisfatória.
Muitas vezes a correcção da distorção de barril típica das grande-angulares leva a que as figuras presentes nas extremidades esquerda e direita da imagem fiquem distorcidas, com resultados absolutamente grotescos como cabeças de pessoas grosseiramente alongadas no sentido horizontal, ou bolas de futebol com forma de bolas de râguebi... O Pro 7 corrige esta distorção através de um comando que corrige a anamorfose de volume, recuperando formas esféricas e cilíndricas situadas nos extremos da imagem. Recomendo que se use esta correcção sempre que se usem distâncias focais de grande-angular, de maneira a repor o volume que se perde com a correcção da distorção: esta ferramenta é extremamente poderosa e inteligentemente concebida.
O nivelamento e o corte são muito semelhantes, nas suas funcionalidades, ao que o Lightroom oferece. Simplesmente, o Pro 7 tem uma abordagem mais inteligente ao corte de imagens que foram niveladas, já que, por defeito, mantém a relação de aspecto da imagem. E o corte é feito em função da informação obtida com o nivelamento da imagem. Isto significa que acabaram as imagens com cantos negros. E o mesmo acontece na correcção da distorção, em que a relação de aspecto também é preservada. Uma imagem com a distorção de barril corrigida no Lightroom pode aparecer com volumes elípticos a negro nos quatro lados da imagem - já me aconteceu! -, mas no Pro 7 é impossível que isto suceda. Em todos os demais comandos, o Pro 7 é mais ou menos idêntico aos outros programas de edição da imagem: esta pode ser corrigida na vertical ou na horizontal e podem forçar-se linhas paralelas.
Um lamento é que não seja possível transformar uma imagem horizontal em vertical mantendo a relação de aspecto. É muito frequente fotografar um objecto na horizontal e, quando abro a imagem, descobrir que aquele ficaria muito melhor se a fotografia fosse vertical. No humilde Olympus Viewer 2, basta-me especificar a relação de aspecto (por ex. 3:2) e carregar no centro da área de corte para ficar com uma fotografia 3:2 vertical. Depois é só arrastar a área de corte para a zona da imagem que quero transformar numa fotografia vertical. Claro que posso cortar a imagem no Pro 7 transformando-a numa vertical, mas perco a informação de relação de aspecto, tendo de confiar no olhómetro para manter as proporções correctas.  
Outra originalidade deste programa (que, como já referi pelo menos por duas vezes, se apoia nos dados coligidos com os testes DxOMark) é a possibilidade de definir a distância focal, nos casos em que esta não é assumida automaticamente, e também a distância de focagem, de algumas dezenas de centímetros até ao infinito. Isto torna-se necessário sempre que se usam lentes que não constam da base de dados DxOMark ou quando a distância focal empregue é equívoca (por ex. 17,5mm).
A última caixa das funções de correcção chama-se «Detail»; compreende, logo no início, um comando denominado «DxO lens softness». Com isto é recuperada a nitidez que a lente não é capaz de resolver por razões da sua própria concepção. Já mencionei que os laboratórios DxO conhecem as deficiências de cada objectiva analisada, e os parâmetros de correcção baseiam-se nesse conhecimento, pelo que este ajuste não é genérico, universal, mas adaptado a cada lente. Este comando corrige a perda de nitidez, mas não recupera fotografias desfocadas nem dá nitidez ao desfoque resultante da escolha de uma profundidade de campo reduzida (i. e. o bokeh). Há três ajustes: o global, o pormenor e o bokeh. Acresce que o controlo do bokeh - ao contrário do que me sucedia com frequência no Lightroom quando afinava a nitidez da imagem - não introduz aberrações nas áreas desfocadas.
Este comando é mais uma manifestação do enorme savoir-faire da DxO e da forma como a quantidade maciça de informação recolhida sobre cada objectiva e cada corpo é empregue para elaborar os parâmetros de correcção. Os resultados da aplicação desta correcção são de tal maneira satisfatórios que me levaram a repensar os meus conceitos acerca da edição de imagem. Nenhum dos programas que experimentei faz o que o Pro 7 consegue fazer - mas também é verdade que nenhum outro produtor de software de edição de imagem tem uma base de dados comparável à dos laboratórios DxO, nem a sua metodologia de testes. A genialidade do Pro 7 está, como mencionei, em tratar a imagem de acordo com o uso conjunto de uma dada objectiva com um certo corpo. Os módulos DxO compreendem praticamente todas as conjugações possíveis: Canon-Tamron, Nikon-Tokina, Canon-Sigma, Olympus-Panasonic, Panasonic-Voigtländer, etc. E a lista de módulos engrossa a cada actualização do programa.
Outros comandos deste menu são o unsharp mask, o ruído e as aberrações cromáticas. O primeiro é, de longe, o menos agressivo, e o que menos prejudica a qualidade da imagem, que já experimentei. Contudo, deve ser usado com cuidado, uma vez que o uso do contraste local ou do DxO lens sharpness em conjunto com o unsharp mask pode levar a exageros e, se não se tiver cuidado, ao surgimento de halos inestéticos à volta dos objectos, num oversharpening que pode ser visível em impressões de grande formato.
A correcção das aberrações cromáticas do Pro 7 é simplesmente brilhante. O mais interessante, neste comando, é que não é necessário usá-lo se o módulo que compreende a câmara e a lente estiver instalado, uma vez que as aberrações são corrigidas automaticamente mal se abre a imagem na área de trabalho. O resultado pode ser visto quase imediatamente, bastando clicar com o botão esquerdo do rato sobre a imagem para comparar a imagem original com a corrigida: as aberrações cromáticas desaparecem por completo. Já referi muitas vezes que a Pancake 17mm tem, entre os seus defeitos, o de produzir um volume apreciável de aberração cromática, mas ao ver uma imagem processada com o Pro 7 dificilmente se acredita que esta objectiva tenha esse problema de concepção. Claro que também é possível a correcção manual para as lentes não identificadas pelo software, assim como são corrigidos (também manualmente) outros tipos de aberrações, incluindo o purple fringing. (Continua)

Parte 4

quarta-feira, 6 de junho de 2012

DxO Optics Pro, v7.5: o teste (2)

Parte 1

Vimos, no texto anterior, o poder do DxO Pro 7 na recuperação dos pormenores escondidos debaixo das altas luzes. Segue-se, na ordem dos menus de edição do Pro 7 e ainda dentro da caixa «Light», o sub-menu «DxO Lighting - HDR». Se no menu «compensação de exposição» se corrigem as altas luzes, aqui controlam-se as sombras, através de diversos comandos. O primeiro destes é a correcção automática, que pode ser slight, medium ou strong. Este comando é praticamente desnecessário depois de se ter usado a compensação da exposição. Aliás, mesmo sem ter usado a compensação da exposição se pode aferir dos benefícios do Pro 7: a correcção que é feita mal se abre a imagem elimina todo o excesso de sombras, mostrando, com uma claridade equivalente ao uso de um flash de preenchimento (fill-in), todos os pormenores que haviam ficado ocultos sob as sombras. Este resultado, embora impressionante, pode não ser do gosto do utilizador ou não corresponder sua à intenção quando fez a fotografia, pelo que há uma enorme possibilidade de editar as sombras.
Neste menu podem ser ajustados: - a intensidade, que dá um maior realce aos médios tons, equivalendo ao comando da presença do Lightroom; aquilo a que os laboratórios DxO chamam ponto branco e ponto preto, que acentua ou reduz as altas luzes e as sombras; o brilho e o contraste. Este último tem uma utilização reminiscente do dodging dos tempos do filme analógico, subdividindo-se em contraste global e local. Ambos têm por efeito realçar os médios tons, mas o contraste global age apenas sobre algumas áreas da imagem. O efeito do contraste global é o mesmo que pode ser encontrado nas fotografias feitas com a técnica HDR, com um realce dos contornos dos objectos do qual, contudo, convém não abusar sob pena de se perder a verosimilhança da imagem. Aliás, se se usar o contraste local cumulativamente com o unsharp mask ou com o comando DxO lens softness (v. adiante), é forte a probabilidade de surgirem orlas à volta dos objectos. Quanto ao brilho, este compreende três comandos: gama, raio das sombras e preservação das sombras.
Deve dizer-se que os laboratórios DxO desaconselham o recurso a este menu de correcção, uma vez que os seus controlos são aplicados por defeito quando a imagem é automaticamente corrigida, pelo que os valores que se encontram ao abrir o menu não estão a zero, ou num ponto neutro, mas já modificados de acordo com a pré-definição. Por exemplo, o ponto branco e o ponto preto surgem já definidos de acordo com a informação transmitida quando se usou a compensação da exposição. Contudo, podemos sempre querer um pouco mais de contraste - sombras mais carregadas ou uma imagem com menos claridade. Especialmente quando usamos o preto-e-branco, caso em que a claridade quase clínica obtida com o preset automático, que de resto resulta muito bem na fotografia a cores, poderá ser inadequada. Nestes casos deve jogar-se com o brilho, recuando o comando para a esquerda, e com o raio das sombras, e não com o ponto preto nem com o contraste.
Aproveito a menção ao preto-e-branco para formular as primeiras críticas ao programa: seria porventura preferível que a transformação da imagem de cor para preto-e-branco estivesse no início dos menus, tal como acontece com o Lightroom. O mesmo se diga das opções de correcção da distorção e do corte da imagem, que no Lightroom surgem numa caixa anterior às demais ferramentas de edição da imagem. Se é para seguir a ordem - de cima para baixo - dos menus, é mais racional tratar uma imagem desde o início como uma fotografia a preto-e-branco do que convertê-la apenas depois de terem sido aplicadas ferramentas que modificam a exposição, e eu preferiria corrigir uma imagem já com a relação de aspecto definida a cortá-la perto do fim do processo de edição. É mais um problema de ergonomia do que uma deficiência substancial, e decerto os laboratórios DxO terão uma justificação válida para estabelecerem esta ordem.
Depois destes sub-menus, e ainda dentro da caixa «Light», surgem mais dois comandos: «vignetting» e as curvas de tons. O primeiro corrige a vinhetagem, uma aberração da imagem resultante de uma deficiência de iluminação dos cantos da imagem que ocorre sobretudo quando se usam lentes com distâncias focais curtas. A correcção é sempre manual; não há aqui um modo automático porque a correcção da vinhetagem já foi aplicada no momento em que se abriu a imagem a editar. Contudo, não deixa de ser bom que haja a possibilidade de corrigir este problema manualmente, em especial se forem usadas lentes que o programa não identifica.
Importa referir que as correcções automáticas funcionam com base naquilo a que os laboratórios DxO chamam «módulos». O programa interpreta a informação transmitida no ficheiro de imagem (EXIF) e adequa os parâmetros de correcção para uma determinada objectiva montada num dado corpo. Por exemplo, no meu caso, o programa descarregou um módulo para a Olympus E-P1 com a Pancake de 17mm e outro com a mesma câmara e o zoom 40-150mm. Quer isto dizer que o Pro 7 não analisa um corpo e uma lente em separado, mas os resultados do seu uso conjunto, interpretando o modo como uma lente se comporta montada num dado corpo e como este interage com a objectiva nele montada. Se for usada uma lente estranha à base de dados DxOMark, as correcções não deixam de ser possíveis, mas muitos parâmetros que de outra forma teriam sido aplicados automaticamente terão de ser introduzidos pelo utilizador. Diga-se, contudo, que mesmo com uma lente desconhecida, o programa identifica o corpo utilizado.
A curva de tons é, de acordo com o altamente doutrinário manual de instruções, só para fotógrafos experientes. Em princípio, se tudo tiver corrido bem nos passos anteriores - especialmente se a aplicação automática da pré-definição tiver dado resultados satisfatórios -, não haverá necessidade de ajustar a curva de tons, mas este ajuste pode ser útil nos casos em que se pretende ainda mais contraste, e podem também modificar-se os extremos da gama dinâmica - as sombras e as altas luzes - movendo as extremidades da linha ao longo das paredes verticais do diagrama. O ideal para obter uma imagem mais viva e dinâmica será obter uma linha em forma de S, curvando para baixo o segmento inferior da diagonal e para cima o superior.
Convém referir que, na sua maioria, os comandos são accionados à la Lightroom, através de botões que deslizam horizontalmente da esquerda para a direita. Em muitas ferramentas surge, do lado direito do comando, um botão quadrado com uma varinha mágica: carregando neste botão - o Pro 7 tinha de ter qualquer coisa pirosa e absurda para fazer concorrência aos floreados rococós dos menus do Lightroom - obtêm-se as pré-definições automáticas do Pro 7. Não se trata de um reset, mas de recuperar a pré-definição e o resultado obtido com o ajustamento das altas luzes.
O Pro 7 permite também o ajustamento da cor, o que se faz com os sub-menus incluídos na caixa «Color». Existem cinco opções, a começar pelo equilíbrio dos brancos. Este, que é de fundamental importância quando se processam ficheiros RAW, pode ser ajustado de acordo com as pré-definições da câmara, com as habituais definições automáticas de luz do dia, sombra, tungsténio, etc., ou manualmente, usando uma ferramenta (o color picker) que equivale a usar um cartão branco ou cinzento para definir o equilíbrio dos brancos na câmara; esta ferramenta não é tão sofisticada como a do Lightroom, que apresenta uma grelha quadriculada para facilitar a escolha da área cinzenta, mas a grelha torna-se redundante quando se pode ampliar a imagem até 400%. Existem ainda dois comandos accionados por botões para afinar a temperatura da cor e a tonalidade. Estes, tal como as pré-definições da câmara, não podem ser usados quando se processam JPEGs; neste caso, apenas estão disponíveis o color picker e uma barra que comanda a tonalidade, de «cooler» a «warmer».
As outras afinações de cor são a vibração e o HSL (*) - que nada têm de assinalável, faltando o ajustamento separado dos tons laranja e púrpura nesta última - e, sobretudo, os comandos color rendering e color mode. O primeiro permite afinar as definições de cor de acordo com as definições da câmara, e ainda dando à imagem o aspecto que teria se a fotografia tivesse sido feita com filme. Pode também escolher-se uma câmara e lente diferentes da usada - posso dar a uma das minhas fotografias as características cromáticas de uma Canon 1D com a lente de 50mm/f1.2! -, ou optar-se por um de diversos filmes a cor da Fujifilm e da Kodak. O número de opções aumenta para níveis astronómicos se estiver instalado o DxO Film Pack, que aproxima a imagem da obtida se tivesse sido utilizado um de entre muitas dezenas de filmes compreendidos na base de dados. Sem o plug-in, apenas estão acessíveis o Fujifilm Astia, Provia e Velvia (todos a ISO 100) e os Kodak Ektachrome 64 e 100. Aqui também se regula a intensidade das cores e existe um comando, denominado protect saturated colors, que permite variar os valores de saturação, preservando-os ou diminuindo-os em função da intensidade. O color mode, por seu turno, transforma a cor da imagem de acordo com cinco pré-definições: tal como fotografado, retrato, paisagem, preto-e-branco e sépia. Neste menu modificam-se também os valores de saturação e contraste para cada um dos modos escolhidos. É aqui que se deve aumentar o contraste na fotografia a preto-e-branco. (Continua)

Parte 3
Parte 4
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(*) HSL = Hue, Saturation and Lightness     

terça-feira, 5 de junho de 2012

DxO Optics Pro, v7.5: o teste (1)

Conforme prometido, aqui fica uma análise crítica, em quatro capítulos, do DxO Optics Pro 7, versão .5, software de edição de imagem que adquiri no Sábado depois de inúmeras - e quase insolúveis - dúvidas e hesitações. A DxO é um laboratório francês, com sede nos arredores de Paris, em Boulogne-Billancourt (onde, curiosamente, fica também a sede da Renault). Produz software óptico para diversas empresas e possui um sistema exaustivo de testes - os famosos DxOMark - que incidem exclusivamente sobre sensores e lentes, o que lhes assegurou notoriedade e reconhecimento na comunidade fotográfica. Embora os resultados dos testes sejam por vezes controversos, como os mastodônticos 95% do sensor da Nikon D800E, estes testes têm de ser inseridos num contexto: os DxOMark analisam o desempenho puro do sensor da câmara analisada, deixando de fora aspectos como o desempenho do fotómetro, o processamento dos JPEGs, a velocidade da focagem automática, etc., pelo que os testes não podem ser interpretados como se fossem os ensaios de câmaras que se encontram no DPReview ou no DCResource. Os laboratórios DxO baseiam-se na experiência adquirida através destes testes para conceber e desenvolver os produtos para o público em geral, como este Pro 7 e o DxO Film Pack, um plug-in do primeiro que visa simular a aparência das fotografias da era do filme.
Optei pelo Pro 7 em detrimento do Adobe Lightroom 4 por uma única razão - as imagens, quando processadas através do DxO, ficavam consistentemente mais satisfatórias, e com muito menos trabalho. Claro que esta é uma preferência pessoal: os resultados são mais satisfatórios de acordo com os meus padrões, que não são necessariamente os mesmos de outros fotógrafos.
Chegou a altura de partilhar com os leitores do ISO 100 as minhas impressões acerca deste software praticamente desconhecido em Portugal, impressões essas que foram forjadas no tratamento quase diário de centenas de imagens, quer no formato RAW, quer em JPEG, ao longo de um mês.
Quando se abre o Pro 7, recebe-se uma mensagem de boas vindas através de uma janela pop-up, logo seguida de uma outra que supostamente nos ajudará nos primeiros passos. Usem a opção do not show this again para ambas, porque ao fim de algum tempo o «tutorial» acaba por se tornar irritante. O interface do Pro 7 é extremamente simples, pelo menos quando comparado com o Lightroom: o que nos aparece, quando abrimos o programa, é uma página com três separadores na barra de status, com os nomes, respectivamente, «Organize», «Customize» e «Process». Para seleccionar a imagem a processar, usa-se o separador «Organize», que exibe, do lado esquerdo, as diversas localizações do disco rígido numa hierarquia de programas, pastas e subpastas semelhante à do explorador do Windows (*). Selecciona-se a pasta onde está guardada a imagem a processar e, num rodapé semelhante ao de qualquer outro programa de edição de imagem, surgem as fotografias guardadas na pasta seleccionada. Até aqui nada de esotérico: é até bastante simples localizar uma imagem. As coisas começam a complicar-se quando se decide aceitar a sugestão de organizar o workflow sob a forma de «projectos» (o que não é o meu caso, mas decerto é interessante para profissionais).
A imagem é escolhida clicando-a ou arrastando-a do rodapé para a área de trabalho, sendo então automaticamente aplicados os presets da própria DxO. Os resultados podem ser comparados com a imagem original com um simples clique no botão esquerdo do rato ou usando a opção de visualizar duas janelas. O resultado típico desta aplicação será uma imagem mais nítida, na qual foram corrigidos os excessos de sombras, o ruído e, desde que a câmara e a objectiva façam parte da base de dados da DxO, as distorções ópticas e as aberrações cromáticas. O resultado da aplicação deste preset pode ser tão bom que o utilizador considere dispensável qualquer outro retoque; se for esse o caso, pode avançar-se de imediato para o processamento seleccionando o marcador «Process» (que, por conveniência de sistematização, será referido mais adiante); se o resultado ainda não for satisfatório, deve abrir-se o separador «Customize». Aqui surgem duas colunas, uma de cada lado da área e trabalho, e uma barra de ferramentas na parte superior. Do lado esquerdo surge o histograma, uma miniatura que vai servir para navegar a imagem quando for ampliada, a informação EXIF da imagem e uma barra de ferramentas. No meu caso desactivei uma outra função: os presets pessoais. Não os uso porque cada fotografia implica um conjunto particular de problemas que dificilmente se repetirão, mas são úteis para quem faz muitas fotografias do mesmo objecto e com o mesmo enquadramento. A coluna do lado direito é where the wild things are: nela aparecem as ferramentas de edição da imagem, agrupadas em quatro caixas: luz, cor, geometria e pormenor. Mas isto apenas aparece quando se comuta um botão, na barra de ferramentas, de um menu intitulado «DxO - First steps» para «DxO - Advanced user». Sem esta comutação, apenas algumas ferramentas básicas serão activadas.
Vamos ver, de maneira sistemática, o que cada uma destas caixas para o utilizador avançado contém - não sem antes recordar que a DxO reputa a aplicação das suas pré-definições suficiente, e quem ler o fastidioso manual de instruções (pode ser obtido aqui) sentirá, possivelmente, um vago complexo de culpa por se sentir tentado a usar as ferramentas de edição. É que a DxO tem uma filosofia que poderia ser descrito da seguinte forma: Tu ne sais rien sur photographie, nous savons tout sur photographie; tais-toi et fais ce que nous disons. Se o utilizador, qual Gama dobrando o Cabo das Tormentas e enfrentando a fúria do Adamastor, se aventurar a editar a imagem para além da correcção automática, esta epopeia começa com a compensação da exposição, que é o primeiro dos menus incluídos na caixa «Light» (luz) do lado direito. Pode-se optar por compensar manualmente a exposição, por via de um botão que percorre uma barra da esquerda até à direita e vai de -4EV a +4EV. Ou então pode-se escolher uma das quatro opções automáticas do programa: prioridade às altas luzes ligeira, média e forte, ou ponderada ao centro.
Por aqui já se percebe que aquilo a que a DxO chama compensação de exposição - erradamente, porque a imagem não é globalmente afectada como quando se usa a compensação da exposição da câmara - não é mais que o controlo das altas luzes, embora apresentado de uma forma mais conceitual que o controlo inteiramente manual do Lightroom. Seja como for, o controlo das altas luzes do Pro 7 é absolutamente genial: mesmo os casos mais severos de imagens com altas luzes estouradas - desde que a imagem não esteja arruinada pelo excesso de luz - são brilhantemente recuperados pelo software. Mas é preciso ter em conta que estes resultados (que são mais interessantes que aqueles que podem ser obtidos com o Lightroom) só podem ser obtidos se forem usados ficheiros RAW. O manual explica que os ficheiros JPEG, já tendo sido corrigidos pelo processador da câmara, perderam informação essencial à recuperação dos pormenores escondidos sob as altas luzes, pelo que a gama de correcções de ficheiros JPEG é consideravelmente menor, apenas permitindo a compensação manual da exposição.
As altas luzes (tal como as sombras) podem ser visualizadas na imagem carregando num botão situado debaixo do histograma, que mostra, através de cores falsas, as porções da imagem afectadas pela sobre-exposição, permitindo também ver a intensidade e efeitos da correcção aplicada, quer manualmente, quer usando as pré-definições.
Claro que há muita ciência por trás desta aparente simplicidade de escolher uma pré-definição e obter instantaneamente resultados incríveis. A DxO tem uma base de dados vastíssima de parâmetros de lentes e sensores, o que lhe permite criar correcções adequadas a cada conjunto câmara-lente. Todos conhecem os testes DxOMark, e é com base nas análises efectuadas com esta metodologia que os presets são elaborados - e é também esta a razão pela qual os resultados são tão satisfatórios. Quando se abre o programa, surge uma caixa que diz Push the limits of your camera. Embora possa parecer de uma presunção trés française, reveladora de uma jactância que gostaria de poder ridicularizar, não o posso fazer. Porquê? Porque esta frase é totalmente verdadeira. O Pro 7 baseia-se nas deficiências encontradas em cada câmara e lente para efectuar as correcções que aplica; deste modo, o processamento da imagem é sempre feito de maneira a adequar os parâmetros da correcção às características da câmara e da lente. É uma concepção extremamente inteligente e, sobretudo, tremendamente eficaz. No final do processamento a imagem mantém as características distintivas de cada fabricante, pelo que não é falso que este software faz recuar os limites da câmara. (Continua)

Parte 2
Parte 3
Parte 4
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(*) Parto do pressuposto que o leitor usa o Windows, que é o sistema operativo que uso; o Pro 7 tem, como seria porventura de esperar, uma versão para Mac, sobre a qual não me posso obviamente pronunciar. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Duas compras (e um pedido de desculpas aos leitores)

No sábado passado (2012.06.02) comprei e instalei o DxO Optics Pro 7. Fi-lo depois de ter publicado neste blogue dois textos (aqui e aqui) em que dava conta das minhas conclusões e da decisão de não adquirir este programa nem o Lightroom 4, que também experimentara.
Entretanto, ocorreram alguns factores que me levaram a rever a minha decisão. A versão que experimentara quando escrevi aqueles textos ainda não suportava integralmente a minha câmara, pelo que não tirava partido nem da recuperação das altas luzes, nem da redução do ruído. A falta de compensação das altas luzes levava a que as imagens tratadas ficassem geralmente sobre-expostas, nunca recuperando convenientemente o pormenor escondido pelo excesso de exposição. E a E-P1, como todas as câmaras do formato micro 4/3, tem uma tendência preocupante para estourar as altas luzes. O mesmo quanto à redução do ruído: os resultados obtidos foram quase sempre insatisfatórios.
Por outro lado, os procedimentos de edição da imagem do Pro 7 são bastante distintos dos do Lightroom, o que levou a alguns erros de apreciação que não podiam deixar de se repercutir na opinião que formulei. O Pro 7 é um programa que, em certas circunstâncias, não necessita de qualquer intervenção do utilizador, bastando, muitas vezes, abrir a imagem e carregar no botão processar sem necessidade de ajustes pelo fotógrafo. Este grau de automatização produz quase sempre bons resultados, mas só se a câmara e a respectiva lente estiverem previstos e se se fotografar RAW. A minha tendência foi para alterar parâmetros da imagem como o fazia no Lr (e, antes deste, no Olympus Viewer), o que era um erro porque diversas ferramentas do Pro 7 são incompatíveis entre si, e o uso cumulativo de certas ferramentas degrada a imagem em lugar de a melhorar (por ex. alterar a curva de tons interfere nos resultados obtidos automaticamente com a correcção das sombras e das altas luzes, levando a perdas na qualidade da imagem, e não se deve usar o unsharp mask se se tiver usado o contraste local).
Entretanto surgiu a versão 7.5 do Optics Pro, já com suporte integral para a E-P1. Os problemas da versão que experimentei foram eliminados, e o programa é agora mais rápido a carregar e a processar as imagens. Os resultados, ao experimentar esta nova versão, deixaram-me de tal maneira entusiasmado que, depois de muita reflexão - e motivado por um desconto de 33%, o que não deixou de ser relevante -, decidi comprá-lo. Muitos leitores poderão entender que fui incoerente, ou pelo menos leviano na apreciação anterior, pelo que apresento as minhas desculpas a todos. Para compensar, vou publicar uma recensão completa do DxO Pro 7 em dois capítulos.
No dia seguinte fui a Serralves ver como estava a festa non-stop. É evidente que levei a câmara: às 10 da manhã era improvável existirem outros motivos que me levassem a Serralves só para me divertir. E não me enganei: era só eventos para crianças. Não gosto do Serralves em Festa: é frequentado por pessoas que não querem saber nada do que é a Fundação de Serralves - muitas nem sequer entram no Museu - e só vão lá para fruir gratuitamente de um espaço cuja frequência é normalmente paga. Claro que a direcção da Fundação de Serralves sabe disto e usa o evento para promover o Parque de Serralves e o Museu, e devem colher bons resultados deste marketing em termos de reconhecimento e notoriedade. Seja como for, isto leva a que, sempre que Serralves abre ao público, seja enxameado por gente que só vai lá à espera de receber uma T-shirt ou um chapéuzinho de borla, ou ao menos um balão para o catraio. Depois andam o tempo todo irritados pelos jardins, com uma carranca enorme, lamentando-se da falta de diversões e de não lhes terem oferecido aquela T-shirt que, apesar de ser do tamanho XXL, vermelha e com dizeres sem qualquer nexo com os seus gostos, havia de dar imenso jeito e sempre era de borla... Seja como for, eventos como este são sempre um maná de motivos fotográficos: podem ver as fotografias que fiz aqui, com uma selecção das que considero as melhores no meu flickr (hiperligações nas respectivas fotografias do álbum do facebook).
Como as multidões me enfastiam rapidamente, dei por mim numa feira do livro ad hoc a vasculhar livros. Entre eles estava um álbum de uma exposição do grande Gérard Castello Lopes, uma edição luxuosa que me estimulou instantaneamente as glândulas salivares. Afinal de contas, GCL é uma das referências da fotografia portuguesa - embora a importância da sua obra fotográfica tenha transbordado das fronteiras deste país - e considero-o o melhor fotógrafo português de sempre (sem desprimor para fotógrafos como Nélson Garrido, João Silva e tantos outros, porque Portugal é terra de bons fotógrafos). Depois de muitas errâncias e hesitações, acabei por comprar o livro. A propósito, este chama-se Aparições/Apparitions, foi coligido por Jorge Calado e editado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Folhear este álbum é um genuíno encantamento: a fotografia de Gérard Castello Lopes tem uma qualidade estética e artística que a situa no mesmo patamar que a de Henri Cartier-Bresson (que foi uma referência para GCL, o que se nota bem na sua fotografia de rua). Nós, portugueses, que temos tanta dificuldade em reconhecer os méritos dos nossos e do país, devíamos ter sempre presente este exemplo de um português que, apesar de pouco reconhecido intra muros, é um dos grandes fotógrafos do Século XX.   

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mais impressões: sequência

Desta vez apenas demoraram dois dias a chegar. Foi com alguma ansiedade que hoje, sexta-feira, 25 de Maio de 2012, fui buscar as impressões que encomendei na quarta-feira.
Não devia ter-me entusiasmado. Se me tivesse mantido mais frio, ter-me-ia poupado uma desilusão. As impressões estão muito boas, mas porções substanciais das imagens foram cortadas, não sei porquê. Todas as fotografias, excepto uma, ficaram amputadas da sua composição original. Paguei-as e trouxe-as, mas não sem deixar bem claro que não pode haver erros destes nas próximas impressões. Mesmo sendo certo que as impressões não foram caras, nada justifica este mutilar das imagens.
De resto, estas novas impressões confirmam tudo o que disse no texto de quarta-feira: a qualidade da imagem das Olympus é pensada em função das impressões, e não da visualização no monitor. Níveis de pormenor que não aparecem no computador são mostrados de uma maneira surpreendente nas impressões - mesmo nos planos distantes de fotografias feitas com grande-angular. Já devo ter escrito isto, mesmo que através de palavras diferentes, mas estas impressões são uma bofetada na cara de todos os que tentam amesquinhar a qualidade da imagem do formato micro 4/3. Pelo menos a das Olympus.
E fica também confirmada a enorme resolução de uma objectiva que é o patinho feio da família Zuiko: a 17mm/f2.8 Pancake. Esta lente humilde é capaz de resolver pormenores que, atentas as limitações da visualização no monitor, pareciam não ter sido bem captados. Por exemplo, uma das fotografias cuja impressão encomendei é a de uma criança que andava de skate nas imediações da Casa da Música: a textura porosa da pedra usada no pavimento surge, nesta fotografia a preto-e-branco, com uma nitidez espantosa. 
Cinco das seis fotografias impressas foram feitas com a Pancake; a outra foi feita com a OM de 50mm/f1.4. E que prodígio que esta lente é! À resolução e nitidez (desde que bem focada, evidentemente) junta cores saturadas e vivas, mas correctas e fiéis àquilo que vemos, e uma profundidade de campo de que só uma lente verdadeiramente rápida é capaz: o bokeh é simplesmente maravilhoso!
Devo também referir o seguinte, mesmo que, aparentemente, patenteie uma incoerência muito pouco macedónica: todas as fotografias agora impressas, à excepção de uma, foram processadas com o DxO Optics Pro 7. Escolhi as versões tratadas com este programa depois de as comparar com os JPEGs obtidos com o Olympus Viewer e com o Lightroom. As vantagens de usar este software, que me pareciam escassas ao ver fotografias no computador, tornaram-se evidentes com a impressão. O que me pareceu um exagero nas altas luzes é, afinal, nem mais nem menos do que aquilo que a câmara captou. E não é impossível atenuá-las, apenas não é tão simples como com o Lightroom 4. Com o Pro 7, obtive imagens praticamente isentas de ruído - a redução do ruído é menos invasiva que a do Lr4 - e com uma gama dinâmica extensa - mesmo com JPEGs. Vou mais longe: o Pro 7 faz milagres com os JPEGs. Talvez venha a adquirir este software, agora que as impressões mostraram o que ele pode fazer pelas fotografias - mesmo que isto esteja em completa contradição com o que escrevi sobre este programa em textos anteriores. O Pro 7 é verdadeiramente excelente.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

HDR

Toda a gente lhe chama HDR, mas o seu nome verdadeiro é HDRI (High Dynamic Range Image). Como quer que lhe chamemos, esta é uma técnica extremamente interessante, embora admita que muitos fotógrafos sintam alguma antipatia por ela à custa dos abusos que se podem ver na Internet; quando bem aplicada, com conta e medida, esta técnica produz resultados fantásticos.
Uma imagem HDR é feita de uma maneira equivalente ao dodging and burning da fotografia analógica, usada para trazer as altas luzes e as sombras para a imagem. O HDR segue o mesmo princípio, com a vantagem de não se ter de mergulhar as mãos em soluções, inalar químicos ou usar cartões perfurados para induzir altas luzes e máscaras para preservar as sombras. Na era digital é tudo feito no computador. Fazem-se três fotografias do mesmo objecto, todas em formato RAW e sem alterar a distância e o plano focal, para que a imagem seja a mesma; a primeira é feita subtraindo 2 EV à exposição, a segunda com a exposição correcta e a última com 2 EV a mais. No programa de edição justapõem-se as três imagens. O resultado, com um pouco de sorte, será uma imagem final com todas as sombras e altas luzes. Deste modo é possível obter imagens extremamente bonitas - desde que, como o disse, não se abuse deste efeito -, em que se ampliam os extremos da gama dinâmica. Esta técnica produz imagens de tal maneira ricas e cheias de pormenor que podem levar, em muitos casos, a questionar a necessidade de usar filtros, nomeadamente os polarizadores.
Imagem processada com o Olympus Viewer 2
A mesma imagem com o DxO Optics Pro 7, usando o HDR automático e o local contrast
O DxO Optics Pro 7, que ainda poderei usar gratuitamente por mais alguns dias, tem uma função que permite obter uma imagem muito semelhante às HDRI apenas com uma fotografia, convertendo automaticamente o ficheiro RAW numa HDRI. Não é uma imagem HDR verdadeira, mas fica muito próxima - e ainda mais se for utilizada uma ferramenta extremamente interessante na edição da imagem, ferramenta essa denominada local contrast (contraste local). Os resultados do uso do local contrast são fascinantes, e ajudam a conferir à imagem as características de pormenor e contraste das imagens HDR.
Esta função do Pro 7 leva-me a lamentar mais uma vez as falhas e omissões deste programa, porque este pseudo-HDR realça a imagem de uma forma absolutamente soberba: pormenores que estavam escondidos pelas sombras, e de cuja existência nem se suspeitava, são mostrados com uma claridade fascinante. Os contrastes ganham uma nitidez em tudo semelhante a uma boa fotografia HDR, e os pormenores ocultados pelas altas luzes surgem perfeitamente evidenciados na imagem. Os resultados aproximam-se assustadoramente da magia!
Contudo, este não é um verdadeiro HDR. Será, quando muito, um HDR no qual não foi usada a imagem subexposta, porque a imagem automaticamente obtida não é lá muito rica em sombras. Fica até, as mais das vezes, com demasiada claridade nas altas luzes, mas é possível obter um efeito muito semelhante ao HDR usando as ferramentas de raio das sombras, ajuste dos pretos e, sobretudo, o local contrast. Compete ao utilizador decidir até que ponto quer usar as sombras, já que a sua redução ou aumento tem implicações na quantidade de ruído presente na imagem. Já o local contrast é quase mágico na maneira como realça os contrastes mais subtis. Reparem na diferença da poça de água nas imagens acima, tratada com o Viewer 2 e com o Pro 7: normalmente o tipo de contraste aparente nesta última, em que se vê o fundo da poça e os reflexos na água com uma  nitidez incrível, só se obtém com um filtro polarizador. E que dizer da quantidade de pormenor que se tornou visível com o efeito HDR?
Impressionante, não é? Devo dizer, contudo, que os resultados obtidos com o HDR são ainda melhores - mas o Pro 7 é um HDR para preguiçosos. Ou para quem não tem o Photoshop CS.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

And the winner is... (2)

Tenho pena que o DxO Optics Pro não seja o adequado para a minha câmara. E ainda mais pena tenho de que seja capaz de aberrações tão grotescas e intoleráveis como os pontos luminosos que mencionei e ilustrei no texto anterior. O Pro 7 faz-me lembrar os meus tempos de audiófilo, em que lia ensaios sobre equipamento de alta fidelidade, e das críticas que eram feitas ao equipamento de proveniência francesa, especialmente às colunas de som da Focal (ex- JM Lab), Triangle, BC Acoustique e Cabasse: muito pormenor, som de uma nitidez inacreditável, manchado por agudos límpidos, mas insistentes ao ponto de furar os tímpanos. Aqui, em lugar dos agudos, temos umas altas luzes insistentes que raramente se conseguem corrigir de modo satisfatório. É certamente uma questão cultural: os franceses parecem gostar de tudo muito brilhante, muito cintilante.
Este tempo que perdi a comparar os dois programas fez-me ver a fotografia de maneira diferente. O RAW, que uso em exclusivo desde há quase um mês, tem a seu favor um potencial de resolução incrível, mas ao apresentar a imagem sem qualquer tratamento pelo processador, esta surge com todo o ruído de que o sensor é capaz. 
Isto levou-me a questionar se faz algum sentido fotografar em RAW com uma E-P1, ademais quando as câmaras da Olympus têm um processamento dos JPEGs que é unanimemente elogiado. Talvez a minha busca pela maior qualidade da imagem possível me tenha levado longe demais, para territórios muito afastados da simplicidade que pretendi que as minhas fotografias tivessem. Afinal de contas, quando fiz as fotografias que mandei imprimir - e que são um êxito em termos de qualidade da imagem -, apenas fotografava no formato JPEG. E obtinha imagens livres de ruído, de uma resolução que, embora não se traduzisse em megabytes, era contudo excelente - como, de resto, as referidas impressões comprovam. Hoje, depois da experiência RAW e do contacto com dois programas de edição de imagem altamente sofisticados, fotografo de maneira diferente: a minha fotografia é mais pensada, mais calculada; feita a pensar nos resultados da pós-produção. Sem querer, posso estar a cortar as asas à minha criatividade fotográfica, trocando-a por uma qualidade de imagem que pode ser ilusória.
De facto, quando abro a 100% as fotografias retocadas, descubro sempre que estas não podem ser impressas: há sempre anomalias. Halos à volta dos objectos, resultantes da aplicação do unsharp mask, incorrecções tonais que são impossíveis de corrigir satisfatoriamente, perdas de resolução em resultado da redução do ruído e artefactos digitais criados pela mesma redução. Entre outras. Sou daqueles que entendem que uma fotografia apenas atinge a sua glória quando é impressa; que sentido faz obter imagens que não posso imprimir, porque a impressão exporia deficiências que não são aparentes no formato JPEG?
Contudo, é inegável que o Lightroom e o Pro 7 são superiores ao Olympus Viewer 2 que descarreguei gratuitamente em Julho do ano passado. Especialmente ao tratar ficheiros RAW, mas também a corrigir JPEGs. O Pro 7, em particular, faz maravilhas com imagens que julgava quase perfeitas. Usar estes programas teve o benefício de me abrir os olhos para alguns erros que cometia quando fotografava; um deles era a minha tendência para a sub-exposição. Não há nada de errado numa fotografia com boa luminosidade, desde que esta não torne os objectos baços e as cores planas. Nem sempre as imagens melhoram por serem muito contrastadas.
Resolvi, deste modo, repensar a minha fotografia por completo, devolvendo-a aos meus conceitos originais antes que me torne em mais um pixelpeeper. Quero que o meu conceito de resolução consista na percepção do pormenor que vejo na fotografia, e não no número de megabytes; quero saber que a exposição está correcta porque é assim que a vejo, e não por causa das curvas do histograma. E, sobretudo, não quero gastar mais tempo a processar imagens do que a fotografar. Tenho uma belíssima câmara para fotografar JPEGs, que revela limitações quando fotografo RAW; para quê, então, usar este formato? O acréscimo de resolução não justifica a maçada: não há muita diferença entre os 3,5 MB que são a média da resolução dos JPEGs e os 4/4,5 MB que estimo serem a resolução média dos ficheiros obtidos a partir do RAW. E, sobretudo, não vejo por que devo insistir em produzir imagens que mostram deficiências quando ampliadas, tornando impensável a sua impressão. 
O vencedor é... a simplicidade. O JPEG com um tratamento básico, para o qual o Viewer 2 é mais que suficiente. Esta simplicidade manteve-me satisfeito durante os meses que precederam estas experiências; não me parece sensato mudar em nome de uma evolução que tem mais de ilusória do que de real. Ken Tanaka tinha, afinal, razão.

And the winner is... (1)

A decisão está tomada. Durante mais de duas semanas ensaiei o Adobe Lightroom 4 e o DxO Optics Pro 7. Retoquei dezenas de ficheiros RAW com ambos os programas, as mais das vezes com resultados inconclusivos - tal a qualidade de ambos. O que um fazia, o outro também podia fazer. E, por vezes, melhor. Os resultados foram inconclusivos nas primeiras duas semanas, e assim permaneceram até ontem.
O Lightroom não precisa de longas descrições: é a ferramenta que quase toda a gente usa, e os outros programas de edição de imagem imitam-no com um grau mais ou menos elevado de êxito. Com ele consegue-se o controlo completo da qualidade da imagem, e se esta piora depois de processada no Lr é porque o utilizador é inábil ou se excedeu no uso das ferramentas. Este não é um programa que transforme uma fotografia noutra coisa qualquer, como o CS ou o Elements, alterando por completo o espírito com que aquela foi feita; é um software que leva mais longe a qualidade da imagem, que pode ser corrigida de todas as formas, desde o equilíbrio dos brancos ao nível de ruído sem incorrer nos excessos da manipulação.
O Pro 7 é, na aparência, mais um clone do Lightroom, mas seria injusto reduzi-lo a uma mera imitação. Este programa introduz três benefícios importantes em relação ao Lr: a correcção automática das distorções da lente - desde que esta seja reconhecida pelo programa -, a correcção, também automática, das aberrações cromáticas (no Lr esta ferramenta está extremamente bem escondida...) e uma acentuação considerável da gama dinâmica, criando um efeito semelhante ao das imagens HDR. O seu grau de automatização garante, à partida, bons resultados, bastando clicar a imagem com a tecla esquerda do rato para comparar com a original e descobrir as diferenças: se a imagem original estiver sobre-exposta, o Pro 7 devolve-lhe a exposição correcta; o mesmo se a imagem estiver sub-exposta, ou se as cores tiverem luminância ou brilho a mais. Muitas vezes é possível processar a imagem tal como ela fica depois da correcção automática - tal a qualidade desta correcção automática; outras vezes, porém, os resultados são deveras frustrantes.
Um dos raros casos de êxito na correcção das altas luzes com o Pro 7
Ao ampliar a gama dinâmica, o DxO Pro 7 tem uma certa tendência para expor demasiado as altas luzes, sendo por vezes difícil corrigir este excesso sem obscurecer a imagem por todo. Apesar de ser possível controlar a intensidade global da imagem e, em particular, a da cor, o resultado é quase sempre fotografias com excesso de altas luzes. Apesar de ter contornado esta tendência nalgumas imagens, a regra é surgirem picos brancos extremamente altos no lado direito do histograma, as mais das vezes perigosamente próximos da banda direita deste último. É isto que se obtém quando toda a gama dinâmica está presente na imagem, o que pode ser bom, e muitas vezes o é - mas não quando se tem uma câmara que tende a ser excessivamente entusiástica com as altas luzes, como o é a E-P1.
Já que menciono a minha câmara, devo dizer que a correcção automática se baseia em algoritmos introduzidos de acordo com as análises que os DxO Labs fazem às lentes e sensores: as imagens são corrigidas em conformidade com os dados recolhidos naquelas análises, e o resultado é, as mais das vezes, muito satisfatório. Quando descarreguei a demo da versão 7.2.2 do DxO Optics Pro, esta ainda não continha algumas ferramentas para a E-P1, como a redução automática do ruído (e eu considero a redução do ruído a ferramenta mais importante de um programa de edição da imagem); ontem mesmo a DxO disponibilizou a versão 7.2.3, que já suporta integralmente a E-P1.
Original tratado com o Lightroom (acima) e com o Pro 7, e crops a 100% das áreas com mais ruído (clique para ampliar).
O resultado foi uma tremenda decepção: o nível de ruído é exactamente o mesmo que aquele que está presente nas imagens tratadas com a evolução anterior. Se há alguma correcção automática, esta é extremamente subtil e, em qualquer caso, não tem a flexibilidade do Lightroom. O que se nota é um nível de ruído menor, porque o Pro 7 faz um excelente trabalho ao restituir luz às zonas de sombra onde o ruído produz os seus efeitos mais nocivos, mas o ruído retorna quando se aumenta o nível dos pretos ou o raio das sombras. Talvez esta presença inelutável do ruído seja o resultado de uma diferença de concepção: não excluo que a DxO entenda ser preferível manter algum ruído em benefício do pormenor, em lugar de o reduzir como o faz o Lightroom quando se corre o botão da redução do ruído de luminância demasiado para a direita. O nível de pormenor das imagens automaticamente corrigidas pelo Pro 7 é de fazer cair o queixo - esta é, indubitavelmente, uma das maiores vantagens deste software -, e admito que a DxO entenda ser preferível manter este nível de resolução em lugar de o diminuir com um filtro de ruído demasiado invasivo, como o faz o Lightroom. É possível que, se tivesse uma câmara com um nível de ruído inferior ao da E-P1, os resultados da correcção fossem muito mais satisfatórios, mas aquela é a minha câmara e não posso basear a minha escolha em critérios hipotéticos. A impossibilidade prática de corrigir as altas luzes e a redução do ruído insatisfatória afastam-me de um programa que, uma vez ponderados todos os factores, é altamente recomendável.
Ao experimentar a evolução 7.2.3, dei-me conta de uma anomalia: ao tratar uma fotografia nocturna, dei-me conta do aparecimento de pontos luminosos nas zonas de sombra. Embora o software elimine automaticamente os pixéis mortos, estes pontos persistiram. Já me tinha dado conta do aparecimento ocasional de manchas de pixéis coloridos enquanto tratava imagens (o que também me aconteceu uma ou duas vezes com o Lightroom), mas estas manchas desapareciam com a conversão em JPEG; os pontos luminosos que me apareceram ontem, porém, também são visíveis nos JPEGs, pelo que poderemos ter aqui um bug qualquer. Em todo o caso, esta anomalia deu-me vontade de desinstalar imediatamente a demo. (Continua)   

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Decisão adiada

A minha primeira fotografia com raw (Maio de 2011): com o Lr4...
Ainda não é hoje que vou fazer o comparativo entre o Lightroom 4 e o DxO Pro 7. Em primeiro lugar, porque, seja qual for a imagem que retoco, com qualquer dos programas, consigo replicar o resultado com o oponente. O que diz bem do equilíbrio entre os dois.
Depois, porque, sinceramente, ainda não posso dizer que conheço bem qualquer destes programas. Pensava que o Lr4 não tinha correcção das aberrações cromáticas, mas afinal tem; está é muito bem escondida no menu «correção da lente», e pode ser activado escolhendo a opção «perfil» e seleccionando uma caixa chamada «desvio cromático» (em pórtugêisz du Brásíu...). O que elimina o que pensava ser uma desvantagem em relação ao DxO. Este, por seu turno, pode ter aquela que pensava ser uma das suas grandes desvantagens - o excesso de altas luzes - contornada através da curva de tons.
...E com o Pro 7
Finalmente, porque comparar ambos os programas usando as imagens obtidas com a E-P1 levaria a resultados desiguais: fui informado, pelo apoio técnico da DxO, que algumas ferramentas ainda não estão disponíveis para a E-P1. Uma delas é a função «de-noise», o que pode atenuar ou eliminar aquela que é, na configuração actual, a principal desvantagem do Pro 7 em relação ao Lightroom - o tratamento do ruído. E o próprio Lr está prestes a receber a versão 4.1.
Não quero tomar uma decisão precipitada. Há dias em que, comparando os resultados obtidos, escolho indubitavelmente o Pro 7 - apenas para descobrir que o Lr4 é capaz de igual ou melhor. E o mesmo pode ser dito em sentido oposto. São os dois tão bons que nem sequer sei qual vai ser o critério de escolha.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hoje

Com o Lightroom
Hoje fui fotografar porque sim. Porque tinha tempo e foi a melhor maneira que encontrei para preenchê-lo, mas não levava nenhum objectivo definido. Depois de fotografar um pouco no jardim botânico, onde fiz uma fotografia relativamente interessante, deambulei um pouco pelas ruas das imediações. Como se me meteu na cabeça que tenho por força de fotografar um Citroën DS, a deambulação prolongou-se por uma hora. Claro que não encontrei nenhum boca-de-sapo; não é bem um carro recente, pelo que a sua raridade vai tornar quase impossível a minha demanda.
Um conselho - nunca saiam de casa para fotografar sem levar um objectivo bem definido. O resultado - pelo menos comigo - é sempre o mesmo: fotos desinspiradas. Decidam previamente o que querem fotografar antes de sair de casa e escolham as lentes e o resto do equipamento em conformidade. E não procurem objectos impossíveis...
Com o Pro 7
Quando voltei a casa, editei as fotografias com o DxO Pro 7. Fiquei insatisfeito: as altas luzes, em certas fotografias, são praticamente impossíveis de atenuar. E a redução do ruído não me deixa inteiramente contente. Descobri que há, pelo menos, duas ferramentas que ainda não estão disponíveis para a E-P1: o de-noise automático e a recuperação das altas luzes. Ambas estavam programadas para Abril deste ano (o que é estranho numa câmara que foi lançada há quase três anos). É possível que ambas melhorem ainda mais a qualidade da imagem.
JPEG convertido a partir do raw sem edição
Retoquei as mesmas fotografias com o Lr4. A superioridade deste programa está, pensava eu, no controlo das altas luzes e na redução do ruído, mas as definições automáticas da imagem, que podem ser escolhidas no menu básico, tornam as imagens quase idênticas à correcção automática do DxO (*). É possível atenuar as altas luzes no Pro 7, mas à custa da sub-exposição da imagem no seu todo. O Lr4 reduz as altas luzes mantendo o equilíbrio das tonalidades. Quanto ao ruído, se é verdade que o Lr4 parece fazer um melhor trabalho, também o é que ficam sempre manchas verdes nas zonas de sombra. O Pro 7 deixa ficar um pouco de ruído, mas não há manchas verdes. Estas descobertas apenas vieram aumentar as minhas dúvidas e a minha indecisão. 
Tenho passado demasiado tempo a fazer estes comparativos. Ainda vou acabar por escolher o programa que me faça estar menos tempo à frente do computador!
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(*) Isto tornou-me ainda mais consciente de uma realidade que já intuíra antes: as lentes não captam as cores da mesma forma que as percebemos. Nem os ficheiros raw, nem os programas de edição. (Isto dá para um texto inteiro, talvez o de amanhã...)